Vale de La luna, Ojos de Cejar, laguna Cejar e laguna Tebenquinte

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San Pedro do Atacama é uma cidade muito pequena, um povoado na verdade. Lembrou-me bastante de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros. A grande diferença é o clima extremamente seco e o calor, muito maior no deserto.

laguna tebenquinche

Uma outra diferença é a arquitetura da cidade. Todos os estabelecimentos e casas em San Pedro são de adobe, há muitas ruas não asfaltadas, é tudo muito simples.

legallsA maioria dos hotéis adota um estilo rústico, algo como fugere urbem. Fiquei hospedado em um camping/hotel chamado Los Abuelos. Recomendo-o a todos que pretendem visitar San Pedro. Fiquei hospedado em chalés (cabanas) feitas de adobe. Grosso modo, a impressão que tive desse tipo de arquitetura é como se as casas fossem feitas de barro por fora e bem estruturadas por dentro. A minha habitación era linda, rústica e cheia de energias. Achei esse hotel maravilhoso. Havia uma piscina de frente para a minha cabanã e o café da manhã era delicioso. Também havia quadra de esportes no hotel e uma parede de escaladas.

IMG_2862(2)Para aqueles que viajarão para a cidade, evitem sacar constantemente dinheiro nos caixas eletrônicos. Há poucos caixas pela cidade e como a quantidade de turistas é alta, as máquinas ficam descarregadas de notas. Tive problemas em relação a isso quando fui sacar dinheiro para pagar um dos passeios pelo deserto. Outra dica, não são todos os estabelecimentos que cobram  imposto quando o pagamento é efetuado em pesos chilenos. Esse hotel, por exemplo, não cobrou essa taxa.

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Há muitos restaurantes pela cidade. Os nativos de San Pedro comem muito pollo e batatas assim como na Bolívia. Mas há opções para todos os gostos. Há algumas especiarias locais, vale a pena experimentar.

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Assim que cheguei na cidade, fui direto para o hotel e liguei para a agência de turismo. Os preços das agências variam, mas não tanto. Parece haver uma espécie de cartel entre as agências de turismo. Gostei bastante da agência MAXIM EXPERIENCE. Geralmente, eles oferecem serviços de almoço e café da manhã nos passeios. Nesse dia, fui ao Valle de La luna pela manhã e na laguna Cejar, Ojos Cejar e laguna Tebinquinche pela tarde. Esse passeio é incrível. A laguna tebinquinche é um dos lugares mais lindos que já vi na terra. A lagoa é enorme, estende-se em tons de verde claro e perde-se no horizonte com montanhas e vulcões. A laguna cejar é um outro lugar imperdível, há tanto sal nesse local (afinal estou falando do deserto de sal do Atacama), que é possível boiar nessa lagoa sem o menor esforço. A minha dica para aqueles que farão esse passeio é: levem água para lavar o corpo e hidratante, pois o sal (muito sal) da água resseca e queima a pele. JAMAIS coloquem o rosto nas águas dessa laguna, especialmente a boca. Estou no meu quarto dia no deserto e mal consigo abrir a boca. Os meus lábios estão muito ressecados e rachados.

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A guia (Odille) desse passeio era francesa e mudou-se para San Pedro para viver com o seu esposo chileno. Ambos são guias turísticos. Achei essa guia uma pessoa muito cheia de energia e animada, senti uma energia boa enquanto conversávamos. Ela me explicou muitas coisas sobre o deserto. Achei interessante quando ela me respondeu à pergunta sobre a região do deserto de Atacama ter sido um mar. Disse-me que sim, era uma mar. Mas a região não era coberta na superfície por água, há milhões de anos. Segundo ela, o mar dessa região era “subterrâneo”, estava abaixo de uma crosta formada por erupções vulcânicas. E todo o sal que forma esse deserto não é oriundo da água do mar que havia ali. Na verdade, segundo ela, há vários tipos de “sais” e nesse caso, o sal é produto, grosso modo, das erupções dos diversos vulcões ali presentes, assim os sedimentos das erupções se aglomeram e formam o salar.

A vegetação no deserto do Atacama é bastante variada. Não consigo conceber esse deserto como um conceito definido. Para mim há “vários” tipos de deserto ali. Há locais nessa região, inclusive, que jamais foram explorados. Há relatos de nativos que já viram OVINIS nesse região, enfim, o local é cheio de mistérios.

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Sobre a terra de um dos maiores vulcões do local, descobri que há algumas minas. Um dos guias me disse que isso ocorreu devido à Guerra do Pacífico, há alguns séculos. A guerra ocorreu entre Bolívia e Chile. Essa região chilena faz fronteira com o país vizinho, onde localiza-se a laguna verde, laguna colorada e salar de Uyuni. Pensei que as minas no vulcão teriam sido colocadas por Pinochet, no período de ditadura rsrs. (Esse vulcão divide os dois países e está ao fundo da Laguna verde na Bolívia.) Mas não, as minas foram colocadas durante a guerra do Pacífico, que iniciou-se devido a conflitos entre investidores chilenos que precisavam de uma saída para o mar para exportar os minerais extraídos no Atacama. O conflito ocorreu devido a um importante local de exportação na época ser da Bolívia: ANTOFAGASTA e devido aos investidores em mineração pagarem impostos altos nesse porto, assim iniciou-se a guerra do pacífico. IMG_2852 IMG_2851Posteriormente a Bolívia pediu ajuda ao Peru,

a guerra se encerra com a vitória chilena que anexa a seu território Antofagasta e mais outras duas regiões que agora não me recordo.

Cheguei no hotel, nesse dia, por volta das 19 horas. Dei um mergulho na piscina e fui tomar banho para terminar de retirar o sal de minhas roupas e corpo. As minhas expectativas foram superadas nesse primeiro dia. Estava bastante ansioso para o segundo passeio.

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Saindo de Santiago para San Pedro do Atacama

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À noite, acordei com a visão das estrelas, bem mais próximas de mim do que no Brasil. O céu estava lindo, límpido e bastante iluminado. A última cidade de que me lembro ter visto foi Antofagasta. Sei que a noite não é um bom referencial para fazer algum julgamento, mas achei a cidade muito bela. Pela manhã, passei por Calama (cidade do cobre) e percebi que havia algumas máquinas em alguns pontos do deserto. Um nativo, que me pediu água no ônibus, disse-me que o que vi era atividade de mineração. Ele também me disse que uma das maiores jazidas de cobre encontra-se em Calama. Apesar de ele estar um pouco bêbado, acredito eu, pelo cheiro de álcool e pela falta de nexo na conversa, ainda achei relevante parte de seus comentários. Ele não via a sua família há muitos anos, estava indo para Calama para reencontrá-los. Trabalhava como carpinteiro e, segundo ele, não havia “remédio” para ele mesmo. Despediu-se, depois de contar-me um pouco de seu sentimento de desaprovação por Pinochet e pelo governo chileno, seus gostos musicais e o significado de suas tatuagens.

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Fiquei inquieto no caminho para saber em quanto tempo chegaria em San Pedro de Atacama. Havia um visor no ônibus informando aos passageiros a respeito da velocidade média atingida. Inclusive, fui avisado, pela própria empresa que o ônibus não poderia ultrapassar, por lei, os 100 km por hora. O anúncio dizia que se os passageiros percebessem essa infração, deveriam chamar a atenção do motorista. Lembrei-me das continhas de física do primeiro ano do Ensino Médio: VM = delta S/ delta t rsrsrs (foi uma das poucas coisas que me lembro ter aprendido em física) e calculei em quanto tempo chegaria em San Pedro quanto avistei uma placa informando que de Calama para San Pedro eu ainda percorreria 102 km. Chegaria atrasado para fazer a minha primeira excursão pelo deserto: às 10 horas e alguns minutos. Pelo caminho, avistei várias hélices de usinas eólicas (e quase todas estavam paradas). Isso foi interessante porque me fez pensar nas teorias deterministas sobre o ambiente e questões econômicas. Enganam-se os que acreditam que não há nada no deserto. Quando comentei com alguns colegas que iria para um deserto, eles me olharam com dúvida… acredito que pensaram que não havia vida em um deserto ou beleza. Eles estão completamente enganados. O que tenho presenciado até agora foram muitas paisagens diversificadas, vários animais, tecnologia e cidades surpreendentes. Para ser poético e utilizando trecho de Grande Sertão: veredas, escrito por Guimarães Rosa: há um “grande sertão (deserto) dentro de todos nós”.  Faço referência ao sertão, pois é o que tenho mais próximo de desértico em meu país. Guimarães conseguiu fazer uma metáfora entre a universalidade humana e esses ambientes. Não é por acaso que esse livro pode ser compreendido em várias culturas, na Alemanha, por exemplo, porque a natureza do ser humano, assim como a complexidade de o que chamamos de “vazio” do deserto é imensurável. Adiciono a essa metáfora a dicotomia de nossas angústias: viver e morrer. Guimarães já dizia: “viver é muito perigoso”, porque “não sabemos”. Viver ou morrer, ser ou não ser, dia e a noite, a vida é cheia de dicotomias. Compreendê-las não faz sentido sem essa relação de oposição. Não tenho medo do mundo, tampouco de mim mesmo. Sei que viver é muito complexo e que poucas pessoas sabem lidar com isso. Essa relação de oposição valida os sentidos de quase todas as nossas questões existenciais. O que seria o Pantanal sem o deserto, o dia sem a noite ou ainda o ser humano sem a sua essência dicotômica? É o próprio conceito de pares mínimos de Saussure na linguística e também pode ser compreendido em uma perspectiva cultural por Levi Strauss na antropologia, o que na literatura é possível fazer poesia. Compreender um sistema linguístico, para muitos linguistas é possível, grosso modo, por uma relação de oposição de fonemas e morfemas. Por exemplo, em uma perspectiva sonora, que não irei simbolizar aqui, “pato” opõe-se a “gato”. Isso é interessante porque na língua, no caso do português do Brasil, ambos esses signos geram sentidos diversificados. O falante nativo e alguns estrangeiros rsrs conseguem diferenciar os diversos signos do sistema linguístico, por essa relação de oposição. É óbvio, no entanto, que isso não é um processo consciente. E ele ocorre em vários níveis, sonoros, morfológicos e semânticos. No caso de culturas, é possível compreender essa relação, por exemplo, pela própria organização de culturas/grupos que se opõem ou se excluem, o que é um aspecto interessante do conceito de identidade. Por exemplo, se eu me oponho a um grupo x é porque afirmo nessa oposição o que sou, a minha identidade. Isso deve ocorrer em nível individual e também social. Já na poesia, o que resta é o arranjo dessas palavras nesse tópico, que não precisa de rimas ou de uma estrutura de poema.

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Muitos não entendem porque viajo tanto e de onde vem a minha gana incessante por essas viagens. Viajar me ajuda a lidar comigo mesmo, a compreender melhor o mundo e a mim mesmo. Por meio das minhas viagens eu posso compreender os extremos de minha identidade, os polos que se opõem entre o que me forma regionalmente e o que sou de maneira universal. Isso me faz acreditar que não sou tão “pequeno” quanto a minha própria experiência, identidade e o ambiente de onde vim. Também me tranquiliza pensar que faço parte dessa imensidão, de algo maior do que eu mesmo.

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Santiago – dia 3

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Estou no terceiro dia de viagem. Ontem, pela tarde, comprei todo o itinerário que farei nestes próximos 15 dias no Chile:

1 – Sairei dia 27, às 9 e 30 de Santiago para San Pedro de Atacama. Chegarei lá, no dia seguinte, às 9 e 30, senão me engano, para iniciar o primeiro passeio pelo deserto às 10 horas (imediatamente após a minha chegada, com malas e tudo rsrs. Isso pela falta de tempo). Ficarei hospedado em umas cabanas. Contratei os serviços de uma empresa de turismo chamada MAXIM EXPERIENCE para conhecer o deserto do Atacama por 04 dias. Também contratei, os serviços de uma empresa turística boliviana para finalmente conhecer as lagunas verde e colorada próximas ao deserto de sal. Tive de fazer escolhas, pois há muito o que se ver no deserto, o ideal seria permanecer lá por uma semana, mas como eu decidi conhecer o Chile de norte a sul…

2 – Sairei dia 31 de dezembro de San Pedro às 14 e 51. Chegarei às 20 horas em Antofagasta, onde passarei o ano novo, em um apartamento alugado na beira da praia, próximo a La Portada. Há duas grandes atrações em Antofagasta: La Portada e a mão do deserto. A cidade de Antofagasta, pareceu-me bastante interessante. Na verdade, se eu tivesse de escolher entre Viñas del Mar e Antofagasta, pelo que pesquisei e pelo que vi em fotos e vídeos, iria, com certeza, para Antofagasta.

3 – Dia 01 sairei de Antofagasta às 12:00 para Caldera. Chegarei à noite lá. A vegetação da cidade parece muito bonita. A cidade localiza-se ainda no deserto do Atacama e encerra a sua formosura de frente para o oceâno pacífico, onde há (dizem) as melhores praias do Chile. E a água lá não é tão fria como em outras praias chilenas (dizem, vamos ver). O local mais bonito, pelo que pesquisei, é a Bahia Inglesa, águas cristalinas em tons azuis. Talvez seja um exagero dizer isso, mas pelo que vi em fotos e propagandas, poderia fazer uma comparação entre o mediterrâneo e essa parte da américa, vamos ver se essa minha impressão será confirmada pela minha experiência.

4 – Sairei de Caldera para Santiago dia 02 às 21 horas.

5 – Sairei no dia 03 de janeiro para Puerto Montt às 17 e 15 (chegarei lá pela manhã no dia 04, às 6 e 45).

6 – Sairei no dia 04 de Janeiro de avião para Punta Arenas. Em Punta Arenas, conhecerei a Isla de pinguins Magdalena. Além disso, pretendo conhecer os paredões de gelo que circulam esse pedaço chileno.

6.1 No mesmo dia, irei para Puerto Natales, onde ficarei dois dias. Lá farei o passeio torres del paine.

7 – Voltarei para Punta Arenas, ficarei lá um dia.

6 – Sairei às 20 e 40 de Puerto Montt no dia 08 de janeiro direto para Viña del Mar/Valparaiso.

7 Voltarei para o Brasil no dia 10 de janeiro.

 Uma dica para quem está indo ao deserto é: reserve os bilhetes de ônibus dias antes da viagem.  É possível comprar pela TOUR BUS quase todos os passeios de ônibus no Chile, de norte a sul…

Todos os itinerários acima para uma pessoa custam em torno de 645,00 reais. O interessante disso é a economia com hotéis. Eu dormirei provavelmente uns 4 dias em ônibus. Algumas viagens chegam a durar 24 horas (de Santiago a San Pedro de Atacama).

Gostei muito das empresas turísticas que me levarão para conhecer os principais pontos do deserto do Atacama. Elas prepararam roteiros personalizados de acordo com as minhas necessidades. Os passeios escolhidos incluem:

DÍA 1: 28 dic. (Salida: de ser posible, todavía por la mañana) VALLE DE LA LUNA y OJOS DEL SALAR Y LAGUNA SALAR
DÍA 2: 29 dic. LAGUNAS, SALARES ALTIPLÁNICOS Y PIEDRAS ROJAS

DIA 30: Laguna verde, Laguna Colorada na Bolívia, geiseres e deserto de Dali.

 Preciso me preparar para essa viagem, hoje, dia 26 de janeiro, conheci o centro da cidade de Santiago. Andei de metrô… Fiquei comparando o sistema do metroviário do Chile com o de Brasília. Achei interessante as mesmas mensagens padronizadas relacionadas à segurança, saúde e cidadania. As mensagens do Metrô do Chile, no entanto, são menos diretas do que as mensagens do METRÔ-DF. Os valores variam conforme o horário. 

Achei o centro de Santiago bastante organizado. Fui ao que eles chamaram de o maior shopping da América do Sul.

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Tive minhas dúvidas se realmente era o MAIOR. Havia uma torre gigantesca como parte do shopping, mas na verdade era um estabelecimento de serviços comerciais. Achei a cidade organizada e com boas opções de restaurantes. Não vi muitas opções de espaços públicos para lazer como encontrei em Buenos Aires. Após o passeio, voltei para o hotel, almocei e decidi descansar para guardar as energias para a grande viagem que me espera.

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Chegando em Santiago

Depois de passar toda a noite no aeroporto de Buenos Aires, finalmente, peguei o voo da LAN rumo ao Chile. O voo saiu por volta das 7h da manhã. Permaneci cerca de 3 ou 4 horas no aeroporto: filas para imigração, bagagem… Durante minha conexão no aerporto de Buenos Aires, uma comissária de bordo da LAN, após o check in, disse-me que minha bagagem não foi confirmada para o meu voo. E o pânico tomava conta de mim… Embarquei para o Chile extremamente preocupado com a minha bagagem. A minha bagagem nunca foi extraviada em nenhuma viagem. Mas para tudo há a primeira vez. Mas , talvez, eu ficasse feliz em perder a minha bagagem. Eu sabia que isso poderia acontecer, então, peguei as minhas roupas preferidas e coloquei-as na bagagem de mão. Assim, se a minha bagagem fosse extraviada, eu poderia comprar roupas novas com o dinheiro do seguro e da companhia aérea, sem problemas. Mas não tive essa sorte/infelicidade rsrsrs, encontrei a minha mala alguns minutos depois. 

Durante o voo, para a minha infelicidade, mais uma vez, fizeram restrições alimentares. Serviram no meu café da manhã um mísero bolinho com café rsrsrs. Pedi café com leite, mas o comissário de bordo me disse que só era possível pedir “café y crema”. Fiquei pensando que ele serviria café e creme de leite rsrsr, mas não, veio um saco com um pó, acho que era leite em pó, enfim, ou seja, eu acredito que estava bebendo café com leite… ou será que leite em pó não é leite rsrsrs??? Será que eu estava consumindo realmente leite em pó? Ao me aproximar de Santiago, vi de cima do avião, em um céu extremamente iluminado e bonito, as montanhas ao redor da cidade com neves eternas. As montanhas eram tão lindas… e estavam cobertas por uma leve neblina… de repente, avistei uma lagoa azul cristalina, parecia mar do Caribe, nos pés de uma dessas cordilheiras. Fui abençoado mais uma vez por aquela magnífica visão.

Peguei um taxi até um dos hotéis, paguei caro por isso (35 dólares por 10 minutos de corrida), senti-me, no entanto, mais seguro, porque a empresa de taxi era credenciada no próprio aeroporto. Achei a cidade linda, gostei muito da arquitetura das casas e da organização da cidade. Fiquei hospedado no Hotel dACarlo (hotel 2 estrelas e caro. A rede IBIS saía mais em conta do que esse hotel). Após fazer o check in, fui a uma espécie de saloon daqueles filmes de velho oeste para comer rsrs. Eu adoro essas experiências “locais”. Surpreendi-me muito com a comida, deliciosa. Eu estava faminto e fui servido, finalmente, fartamente com um prato cheio de macarrão, com um pedaço enorme de coxa de frango assada, salada e suco de abacaxi. E tudo isso por menos de 15 reais. Voltei para o hotel e CAPOTEI. O local era muito agradável, parecia muito aqueles saloons de filme de velho oeste, com música regional chilena.

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Uma outra visão do Natal: um olhar para a cidade de Buenos Aires no dia 25 de dezembro

O primeiro dia de minha viagem rumo ao deserto do Atacama foi entediante devido à grande quantidade de conexões feitas. Não sei se em relação à contagem de milhas isso é bom ou ruim. Eu acredito que talvez seja bom porque é possível ter mais viagens contabilizadas, ou seja, mais milhas. É claro que essa contagem deve levar em consideração a distância entre os destinos de partida e chegada. Talvez, nesse caso, a pontuação seja equivalente. Irei me informar e postarei aqui no blog mais informações sobre isso.

Escolhi o dia 24 de dezembro para viajar. Os preços valiam a pena… Não foi a primeira vez que passo o natal longe de meus pais e de meus irmãos. Na verdade, já estou acostumado com essas comemorações “abroad”. A verdade é que eu também estava cansado da mesmice de todo natal e ano novo. Pensei que talvez comeria uma “comida diferente” no avião, mas não. A tam conseguiu se superar com um copo de suco e um sanduíche minúsculo de presunto e queijo. Deram um bombom de cortesia para disfarçar, mas a fome continuou. Eles poderiam ter feito um sorteio de algum produto ou poderiam ter distribuído algum brinde de natal rsrs. Mas não… Ingenuidade a minha. Eu sei…

Eu esperava uma comida diferete no avião rsrs. Estranhou-me o cardápio da TAM porque nos últimos anos em que viajei, a TAM oferecia “boas” refeições. (Talvez a primeira classe tenha sido melhor atendida…) É claro que fiz voos de longa duração. Mas em trechos nacionais já fui muito bem alimentado pela TAM. Além disso, a comida nos aeroportos eram absurdamente caras. Tentei não me render ao consumismo capitalista que me faria pagar o triplo do valor de qualquer tipo de alimentação nesse local, mas a fome me consumia. Paguei no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, 13 reais por 4 pastéis minúsculos, 1 cachorro quente e um copo de suco. Ainda não estava satisfeito. Na verdade eu gostaria de ter almoçado, não lanchado. Resisti com fome, até o momento do próximo voo já no aeroporto de Buenos Aires (estou escrevendo agora esse post, após comprar umas batatas e um alfajor que me custaram 12 reais), sonhando que a empresa aérea LAN ofereça alguma comida que me “satisfaça”. Não sou hipócrita para dizer que acho barato pagar 20 reais em uma refeição que fora do aeroporto custa metade do valor vendido. Eu sei que os espaços em aeroportos são caros, mas o fato de não haver opções para consumo me irrita. Em aeroportos, os preços são padronizados. Eu não vejo muita diferença em relação a valores da maioria dos alimentos nesses locais, seja em qualquer lugar do mundo. Para ilustrar a barbárie dessas práticas de consumo, na área de embarque internacional do Brasil, havia uma caixa de chocolate GAROTO a venda. Os bombons que custam de 5 a 7 reais em qualquer mercado brasileiro, ali, custavam 18 reais. Eu só não entendo qual é o fundamento de comprar algo nesses lugares, por mais dinheiro que se tenha. É manutencionar demais a exclusão, a desigualdade e a alienção ao consumo, DEFINITIVAMENTE, NÃO PAGO. É pedir para ser tolo! Da próxima vez levarei vários lanches na mochila rsrs. Na verdade, eu inseri em uma de minhas bagagens um lanche, mas despachei-o para o Chile kkkkkkk. Eu sei que talvez eu estaja sendo hipócrita com esse discurso, pois apesar de negar esses valores no aeroporto, estava eu lá, com o meu tênis da NIKE que também poderia ser compreendido por esse mesmo “processo”. Ao menos comida, acredito eu, deveria ser mais em conta. Eu não precisava do tênis da Nike para sobreviver. Mas precisava me alimentar para me manter em pé durante a viagem.

Tenho boas lembranças das refeições que fiz em algumas companhias aéreas. Uma delas foi Lufthansa. Fiz um voo de mais de 15 horas e a comida era farta. As aeromoças ofereciam a maioria das refeições: almoço, lanche, café da manhã… além disso, os passageiros poderiam se levantar e pegar a quantidade de comida desejada. Fiz esse voo em 2010. Não sei se hoje a empresa ainda funciona dessa maneira. E a comida? deliciosa. Outra empresa com bons serviços de bordo: air Malta. Inclusive, as empresas de ônibus da Argentina possuem serviço de bordo melhor do que o da TAM. Quando fui para a Argentina, em 2012, fui muito bem “alimentado” nos ônibus das empresas de nossos companheiros. Não entendi a miséria da TAM, ainda mais nessa data.

Apesar disso, fui presenteado, nesse voo, rumo a Buenos Aires, com uma vista incrível. Quando o avião foi se aproximando do aeroporto internacional de Buenos Aires, olhei para baixo, pela janela do avião, e percebi várias luzes piscando em grande quantidade como estrelas. Pensei, inicialmente, ser efeito natural da minha visão que se perdia nos vários feixes de luz da cidade, mas as luzes piscavam com muita frequência e em vários pontos. Deduzi, pois já era meia noite do dia 25 de dezembro, serem fogos de artifício, mas a minha visão ainda não me ajudava a comprovar. Era inacreditável ver tantas luzes piscando em TODA  a cidade, nunca vi algo parecido. Imaginem a cidade do Rio de janeiro vista durante dez minutos de um avião, no dia da virada de ano? Alguns minutos depois que o avião se aproximou, eu consegui constatar que esse espetáculo visual realmente estava ocorrendo em função dessa data. Foi lindo ver (àquelas altitudes) toda uma cidade iluminada com fogos de artifício. Foi uma visão panorâmica, como uma visão ampliada “do Google Earth” em uma situação incomum. Senti uma energia muito boa ao ter essa visão. Senti um grande conforto ao ver os focos de energia iluminando toda a cidade de Buenos Aires nessa data tão especial. Tentei tirar uma foto, mas o piloto já havia solicitado aos passageiros que apertassem os cintos. De qualquer maneira, não acredito que uma imagem seria capaz de transmitir aquele momento mágico.  Cheguei a sentir um vazio dentro do avião devido à data, mas me senti “vivo” ao olhar para baixo daquela janela. Consegui atribuir sentido ao meu Natal por causa de “uma” imagem, uma visão. Troquei a tradição da minha ceia por luzes espectaculares que jamais esquecerei :D.

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Paraguai

Permaneci dois dias na capital do Paraguai: Assunción. A cidade me lembrou a dinâmica urbana de Santa Cruz de La Siera. A cidade era bonitinha, mas achei tudo muito caro. Permaneci dois dias apenas em Assunción. Talvez não tenha sido o suficiente para ter tido uma verdadeira impressão sobre o local.

A vegetação do Paraguai era muito parecida com a vegetação do pantanal. Não tirei fotos, não achei a cidade um diferencial. Na verdade, quando eu viajo, odeio a ideia de ir para lugares clichês de “cidades”, no sentido da cidade moderna, onde há um Mac Donalds na esquina, os grandes templos de consumo: shoppings, hotéis, ruas com carros, metrôs e aquela cara de “urbano” padrão ou onde o urbano pode até não prevalecer, mas onde os espaços não passam de espaços públicos transformados em espaços privados, onde tudo é pago e estruturado nos modelos pós modernos. Gosto de viajar por cidades diferentes, gosto de comer em restaurantes mais locais, gosto de comprar roupas de lojas locais, comer comidas locais e experienciar as cidades em seu cotidiano local. Fujo de programas de turismo ou de uma cidade direcionada aos “turistas”, porque o meu bolso agradece e a minha experiência é mais concretizada, é menos plástica.

Os grandes centros metropolitanos, em algum aspecto, são muito parecidos. Eu não vejo razão em viajar para esses centros, ficar nas mesmas redes de hotéis internacionais, comer as mesmas comidas industrializadas e padronizadas e fazer compras no shopping das mesmas coisas que vendem no Brasil. Isso não faz sentido.

 

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Argentina

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Sinceramente, não gostei muito de Buenos Aires. Achei mais interessante Mendonza.

No entanto, essa viagem deu muita aventura. Eu comprei a minha passagem de avião para Argentina pela Pluna Airline, uma empresa Uruguaia. O meu voo saía no dia 10, uma segunda feira de julho. Empolgado com a viagem, entrei na internet na sexta feira em um site de notícias e curiosamente encontrei uma mensagem dizendo que a PLUNA havia falido. Fiquei pensando: “nossa, que droga para quem vai viajar”. Dois minutos depois eu me lembrei que eu iria viajar pela Pluna e a essas alturas, a minha viagem já estava perdida. Enfim, passei muita raiva até o dia dessa viagem tentando resolver vários problemas com o site decolar.com. Essa experiência me fez sentir tão moderno/pós moderno. Eu senti a posteriori a verdadeira noção de medo causado pelo risco, emergente das novas tecnologias modernas. 

Fiquei frustrado com a notícia, mas não desisti de viajar. Embora eu não tivesse muito dinheiro, continuei inculcado com essa viagem. Procurei um voo barato para Argentina, mas não encontrei nenhum. Ouvi dizer por aí que havia ônibus de Brasília rumo ao Paraguai. Fui à rodoviária interestadual da Capital Federal e para a minha surpresa havia um ônibus com destino a Assunción, no Paraguai para o dia seguinte a minha procura. Bem, comprei a passagem para de lá seguir até a Argentina e depois ir de ônibus ao Chile. Sim, eu viajei horas e horas de ônibus durante dias. Inclusive economizei bastante com hospedagem. Graças a Deus havia ônibus na Argentina cinco estrelas, com serviço de bordo e bingo noturno rsrs.

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No caminho rumo ao Paraguai, conheci quase todo o Mato Grosso. Quando cheguei à Assunción estava escurecendo. Parei na rodoviária, no centro da cidade. Procurei uma pousada para me hospedar, mas achei tudo muito caro para os padrões latinoamericanos. Nesse dia eu jantei um frangão na rua rsrs, acompanhado com batatas e salada. Sim, a comida estava deliciosa, mas cara. No dia seguinte resolvi conhecer a cidade, mas para a minha infelicidade eu não consegui sacar um centavo do meu cartão. Pensei que aquele seria o fim da minha viagem. Peguei os poucos centavos finais que eu tinha no bolso e segui em direção ao aeroporto de ônibus, pensando que seria mais fácil sacar o meu dinheiro lá. Eu já tive vários problemas de saques na América do Sul. Quando eu fui ao Peru, foi tenso conseguir sacar dinheiro. No caminho, avistei um símbolo do Banco do Brasil. Sai correndo em direção a ele, mas não consegui sacar nada. Bem, eu já não tinha mais dinheiro algum e estava rezando para conseguir sacar o meu dinheiro, caso contrário, não sei o que iria fazer. Nesse momento perguntei para uma moça na rua se ela sabia onde eu poderia sacar dinheiro, (Isso foi imaturidade de turista, mas eu não me senti ameaçado a ser assaltado), a moça gentilmente me levou ao shopping e disse para eu tentar sacar no caixa eletrônico 24H do BANCO DE LA PATAGONIA. E por incrível que pareça, já sem esperanças, eu consegui sacar.
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Paguei 5 reais nessa torta de marmelo:IMG_2256

IMG_2244Eu adoro essa foto! Parece foto de propaganda de alguma coisa que aliena o consumidor em um momento de alegria e felicidade eternas rsrs. O melhor é o meu sorriso mais branco do que a neve no fundo rsrs…IMG_2437sssssssss

IMG_2375dd(2) Professor Anderson Hander

Os serviços de ônibus na Bolívia e no Chile são excelentes: serviço de bordo em ônibus.

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