Reprovação em processo seletivo de mestrado

Você acabou de receber o resultado de reprovação em processo seletivo de mestrado e não sabe o que fazer? Convido-o(a) a uma reflexão, com base em minha experiência, neste post.

Fui, também, reprovado em processo seletivo de mestrado em universidade federal (a primeira vez que tentei). Muitos colegas, ao contrário, que estudaram comigo, fizeram trabalhos comigo, foram aprovados no mesmo processo, no mesmo semestre. Fiquei me perguntando o porquê de minha reprovação. Algumas semanas após pensar bastante, entendi o que havia ocorrido. Na época, eu trabalhava em dois empregos e, embora tivesse me dedicado bastante durante a graduação, não me dediquei o suficiente para ler as referências sugeridas no edital de processo seletivo de mestrado de minha universidade. Fui reprovado, exatamente, na prova escrita. Havia, somente, três questões, e uma delas, a de maior peso, eu não consegui responder, pois não cheguei a ler um capítulo proposto em uma das obras no edital (e eu não tive, verdadeiramente, muito tempo para me dedicar, pois não me sobrava tempo para estudar, na época.

Além de trabalhar em dois empregos, inclusive, aos finais de semana, a escola onde eu trabalhava exigia que eu corrigisse, gratuitamente, toda semana, redações de mais de 300 alunos da escola (sem ser pago para isso). Então, em meu tempo livre, em vez de fazer qualquer atividade saudável ou que me acrescentasse algo, eu me frustrava corrigindo redações de alunos =) e ainda conseguia pensar positivamente que seria aprovado). Pensei que o fato de eu ter me dedicado bastante na graduação, e ter tirado sempre boas notas nas disciplinas, me levaria ao caminho do sucesso. Isso pode ocorrer caso as perguntas da prova escrita sejam bastante genéricas em relação à sua ciência. Mas não vale a pena “pagar para ver”. Portanto, enfoque o conteúdo proposto pelo edital. Foco. E, caso você não tenha tanto tempo para se dedicar, é preciso abrir mão de algo para fazer a sua aprovação acontecer, seja reduzir a sua hora de trabalho e ganhar menos, seja parar de trabalhar por algum tempo.

Eu não tinha um outro plano. Não cheguei a cogitar a ideia de reprovação. Fiquei triste, desapontado… outros fatos em minha vida também ocorreram paralelamente à reprovação, o que, em vez de me “derrubar”, me trouxe mais força para tentar novamente. Senti-me envergonhado por ter sido reprovado. Era véspera de Ano Novo, em vez de comemorar a “virada” em festas e eventos, ou de passar o Ano Novo com a “família”, ouvindo desaforos de algumas pessoas que nem considero meus familiares,  eu decidi passar essa data elaborando um projeto de estudo para o próximo ano, em que eu obteria a aprovação. (Somente nós sabemos de nossas falhas, de nossas dores, de nossas fraquezas, então, ninguém melhor do que nós mesmos para nos levantar.)

Naquela noite, ouvindo os fogos de artifício em plena virada, eu comecei a pensar, racionalmente, onde errei e criei um cronograma de estudo, alguns meses antes do novo processo seletivo. Também abri mão de algumas coisas para ter tempo para me dedicar aos estudos, de uma maneira saudável, sem correria, estudando com qualidade. Li o edital duas vezes, busquei as obras solicitadas no edital. Resumi cada um dos livros, ao longo de 3 meses, li-os duas vezes e, posteriormente, para não esquecer o conteúdo, atentava-me aos resumos. Fui aprovado em sétimo lugar e obtive nota 8,7 na prova escrita. A minha maior dificuldade, na época, era memorizar o conteúdo das obras propostas pelo edital, que eram obras que nunca tinha lido durante a graduação.

Confesso a vocês que esta foi a parte mais fácil de toda essa caminhada, eu não sabia, a essas alturas, que o mais difícil desse processo seria terminar o mestrado. O dia em que eu recebi o meu título de mestre foi um dia muito emocionante. E, com certeza, valeu muito a pena por cada minuto de dedicação.

Gravei um áudio trazendo algumas reflexões a respeito de reprovação em Processo seletivo de mestrado. Falo no áudio sobre cada uma das etapas do processo seletivo de mestrado e sobre as dificuldades e barreiras nesse processo. Espero poder contribuir para a aprovação de vocês!

Compartilhem conosco, também, a sua história, para motivar outras pessoas!

 

Share on Facebook

Realismo brasileiro

  • MEMÓRIAS DE UM LETRISTA: REALISMO BRASILEIRO
    Considerando a dialética entre forma literária e processo social, discuta a seguinte questão formada por Roberto Schwarz: ” e por que não pode ser brasileira a forma do realismo europeu”?
    Essa reflexão já aparece em algumas obras de Machado de Assis, como a dificuldade de identificação do tema, por exemplo, em Esaú e Jacó. Essa problemática surge em oposição ao movimento realista europeu, em que as temáticas eram mais transparentes. De acordo com Schwarz, há uma ambiguidade para com o “modelo realista” machadiano. Nos primeiros romances, Machado trata do patriarcalismo conservador, que, embora ilustre uma característica da sociedade brasileira, parece ser muito específico diante das transformações que o Brasil passava no século XIX e do sistema econômico vigente.
    Esse patriarcalismo, inclusive, pode ser observado no próprio narrador; “um defunto
    narrador”; o narrador de Machado nesse aspecto é arbitrário. Esse retrato parece destoar e estar atrasado em relação à realidade brasileira da época. É mais condizente com nossas relações sociais ainda muito ditadas pelo peso do trabalho escravo. Esse afastamento tem como intuito a aproximação de sua literatura à tradição europeia do romance. “Havia uma intenção realista neste antirrealismo conservador “. Para Machado, não faz sentido falar da estrutura econômica atual, das desigualdades e da miséria como temas centrais de uma sociedade ainda presa à estrutura patriarcalista da escravidão. Embora essa forma do realismo de Machado não tenha sido “original”, embora sua inspiração também seja europeia para com esse “modelo de realismo brasileiro”, cabe uma reflexão aqui entre o universal e o particular. É na base da forma europeia anterior ao realismo europeu vigente que Machado conduz o realismo brasileiro.
    A forma do realismo europeu não pode ser brasileira na medida em que, embora não seja sincrônica ao realismo europeu, retoma uma forma europeia do século XVIII e baseia-se na forma de autores europeus como Machado baseou-se em Diderot. É brasileira, no entanto, quando Machado busca no texto europeu construir o nosso sistema social, e não europeu. Embora o contexto seja diverso para o atual realismo europeu, ele encontra a forma do realismo brasileiro, o que lhe é particular. Estamos diante dos elementos universais europeus, particulares à realidade brasileira. Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” fica claro que a descontinuidade cronológica, ali presente, reflete o nosso processo social. Essa falta de lógica na continuidade cronológica do romance é, na verdade, lógica; representa muito de nossa literatura, de nossa história e de nosso processo de formação social em contraposição ao que ocorria na Europa, onde a história pode ser melhor divida e o nacionalismo é mais carregado, onde a identidade nacional não é tão recente e não traz questões duvidosas.
Share on Facebook