Vale a pena viver em Brasília?

Vale a pena viver em Brasília?

Sou constantemente questionado pelos meus leitores sobre como é viver em Brasília. Por essa razão, decidi escrever um post sobre isso, aproveitem os futuros turistas e futuros moradores. Trouxe uma visão mais pessimista da cidade, confesso que não é o meu lugar preferido. E não me alinho muito, hoje, às dinâmicas dessa cidade, tampouco ao estilo de vida dos brasilienses.

Tenho um vídeo no Youtube em que trago uma visão mais positiva da cidade (como tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, vale a pena conferir):

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Quem vive em outros estados brasileiros provavelmente se estranhará muito quando se
deparar com Brasília, pois a arquitetura da cidade e a própria organização são muito diferentes dos grandes centros urbanos. Além disso, há muitas peculiaridades em relação
ao brasiliense e às pessoas que moram aqui, que migram de vários outros estados, especialmente para iniciar a “carreira” de funcionário público.

Morei em várias cidades brasileiras. Moro há 10 anos em Brasília. Já morei por aqui, quando eu era mais jovem, com a minha família, antes de meu pai se mudar para o Rio de Janeiro. Como ele é militar, nós vivemos a vida inteira mudando de cidade, ficávamos 2 anos em um estado e ele era transferido, um ano depois, para outro estado.

Na época, morei no Guará I, em uma vila militar. O local era muito gostoso e tenho boas lembranças daquele período. Hoje, vivo na Asa Norte, mais propriamente em Brasília, como alguns costumam “segregar”.

Vocês devem saber que Brasília foi uma cidade planejada para um número determinado de habitantes, mas o plano não deu certo e, assim como em vários grandes centros urbanos, a migração permitiu o surgimento de outras áreas.

Há quem afirme com orgulho que Brasília é, apenas, Asa Norte e Asa Sul, as famosas asas do passado, conforme o projeto original. Já ouvi dizer que Brasília foi idealizada com base em uma cidade egípcia, preciso investigar mais para afirmar algo.

Assim como em várias cidades brasileiras, há um grande abismo socioeconômico entre algumas regiões e um discurso muito infundado em relação a uma classe mais elitizada que vive no Plano Pilado, Asa Norte e Sul, e o que seriam as estigmatizadas cidades satélites. Há também o conceito de entorno, que se estende às cidades goianas que localizam-se próximas a Brasília, como Luziânia, um local dito bastante perigoso e violento.

Em Brasília você encontrará o metro quadrado mais caro do Brasil, isso mesmo! Então, se tiver tiques elitistas para viver em áreas nobres terá de gastar bem mais do que nas outras cidades brasileiras. Aluguel, por exemplo, no Plano Piloto, de uma sala, caindo aos pedaços, nas 700 e 900, área desvalorizada e estigmatizada por ser local onde vivem prostituas e garotos de programa, custa, no mínimo, 1.300,00 reais (imagine uma sala entre 25 e 30 m quadrados).

Morar nas quadras 400, 300, 200 ou 100 pode custa muito mais. Se o objetivo for morar em uma kitnet, os preços nessas áreas também chegam a 1.300,00 reais, mas você terá de viver em cima de um comércio, nas ditas comerciais, com muito barulho e uma péssima qualidade de vida.

Viver melhor exige custo de vida muito elevado. Um imóvel em quadras residenciais da Asa Norte e sul de dois quartos não custa menos de 800 mil reais. E, apartamentos maiores, simples, sem piscina, academia, com garagem aberta, passam de um milhão e meio de reais. A diferença é que, em relação a maioria das outras cidades brasileiras, você pagará um milhão de reais para comprar um apartamento velho, sem piscina por um valor muito alto e um condomínio que também não será nada justo.

E esses valores surreais têm se estendido, inclusive, para as ditas cidades satélites, cuja população, também, passou em concurso púbico, se desenvolveu e tem dinheiro. A classe média que afirma buscar maior qualidade de vida, com custo menor, geralmente decide viver em Águas Claras, local mais em conta (Águas Claras não é considerado Plano Piloto) cujos preços são mais próximos da realidade brasileira, apartamentos com boa infraestrutura, novos,
piscina, sauna etc. No entanto, há quem critique o local por ser um aglomerado barulhento de prédios e por não haver árvores por lá (esqueceram desse detalhe no projeto do local).

Para quem tem mais dinheiro, poderá viver em setores de mansões como no Lago Norte, Lago sul, Park way (embora seja área nobre, esse último local ainda é considerado como estigmatizado, por não estar localizada nas proximidades do considerado supremo “Plano Piloto”).

Não queira andar de ônibus em Brasília, o serviço é de péssima qualidade e o custo é de, no mínimo, 3,00 reais por pessoa. Metrô é uma boa alternativa (quando não está lotado, ou seja, por volta das 15 e 30), mas ele não chega a todo o Plano Piloto e não passa nas ditas áreas mais elitizadas. Por que será?

Essa cidade é muito estranha e todos aqui falam o tempo inteiro em funcionarismo público. E muitos sonham com essa “carreira” porque os salários são consdierados altos e porque a dita cuja estabilidade afasta o medo (e a criatividade) dessas pessoas.

Nas férias, as pessoas desaparecem daqui. O plano Piloto fica vazio. Os mercados ficam vazios, as ruas, é incrível, a cidade “morre”. Nem os turistas querem vir para cá kkkk (brincadeira). Elas geralmente fazem isso porque a maioria delas não é daqui e porque, na boa, essa cidade não é tão boa para se viver (minha experiência e opinião). Qualidade de vida aqui é para quem ganha salários muito altos, acima de 12 mil reais e olhe lá, porque você pode morar onde for, Brasília não deixa de ser Brasília em virtude de seu salário ou casa, continua sendo um local ruim para diversão (minha experiência e opinião), local em que as pessoas não são muito interessantes (minha opinião e experiência) e que não há muito o que se fazer. Não sou fissurado em prédios (só o que tem por aqui) e olha que aqui nem tem muitos (em relação aos grandes centros urbanos)… não é a toa que os brasilienses fogem para Goiás, Alto Paraíso e Pirenópolis, porque Brasília não é um local divertido.

Educação em Brasília é de boa qualidade, mas as escolas e cursinhos são caríssimos. Educação pública é boa em algumas escolas.

Alimentação no Plano Piloto é cara. Mas você poderá fazer compras no Atacadão e comer um pouco melhor.

Aos domingos, o dito eixão da Asa Norte e Sul é fechado e torna-se uma enorme área de lazer (um calor insuportável que fará você não ter vontade de ir lá =))

Aqui o clima é muito seco. Não será fácil acostumar com o clima para quem vier de cidades mais frias, por exemplo.

Os serviços em Brasília são de péssima qualidade, preço alto, já que há quem os pague, os funcionários públicos, e qualidade lixo, que se articula ao nível de exigências destes, que também é baixo. Na verdade, as coisas por aqui funcionam da seguinte maneira: funcionários públicos, que não trabalham muito, inclusive, porque o sistema é lento e burocrático, pagam muito para manter as aparências no Plano Piloto e ter uma qualidade de vida, digamos, mediana, para encher o peito e dizer: moro no Plano Piloto. Vão às mesmas redes ruins de restaurantes, já que não há muita opção, são mal atendidos e aprenderam a não fazer nada, a não questionar, tampouco a incentivar os seus filhos a empreender e a mudar a dinâmica da cidade. Na verdade, o que eles acabam fazendo é incentivar os filhos a manutencionar o discurso vergonhoso de que a única solução na vida é ser funcionário público, já que vivemos em um pais patriarcalista e que aqui seria o berço do dinheiro fácil, da corrupção, a dita “mamada” no governo, em linguagem mais clara. Os mais críticos chegam a pensar isso, mas afirmam que não querem ver os filhos sofrendo e que preferem a tão sonhada estabilidade.

Assim, geralmente, o mercado empreendedor fica sucateado. Eu mesmo, na minha área, afirmo com a boca cheia: não tenho concorrentes em Brasília, que estejam no mesmo nível que eu estou em relação à oferta de meu serviço. Os que seriam bons como eu são funcionários públicos e não querem empreender ou levam a minha profissão como, somente, um bico, para complementar a renda de Professor, que, embora seja um bom salário por aqui, não é suficiente.

Por outro lado, geralmente, as pessoas esperam que eu haja como a grande maioria dos empreendedores e até dizem se surpreender com a qualidade de meu serviço.

Viver no Plano Piloto não é tão bom quanto possa parecer, não há muito o que fazer por aqui. O próprio Parque da Cidade, que deveria ser um local divertido e bacana, tornou-se um local estigmatizado e, inclusive, perigoso. As pessoas em Brasília são mais fechadas, vivem em “panelinhas” e têm um estilo muito característico de se divertir como ir para a esplanada dos ministérios beber e conversar sobre o próximo concurso público que irá abrir: BORING E INSUPORTÁVEL.

O Plano Piloto não é um local muito violento. Você não precisará ficar com uma “pulga atrás da orelha” quando seus filhos saírem por aqui, dependendo do horário.

Não há aqueles arranha-céus enormes em Brasília como em São Paulo e nos grandes centros urbanos. A altura de um prédio é limitada por lei. Há as ditas áreas livres dos prédios, que parece interessante para a dinâmica de uma cidade mais aberta, mas há quem não respeite isso e construa os seus próprios “muros”, ilegalmente, e o governo não faz nada (e digo isso, porque já denunciei 3 vezes).

Serviço de 190 por aqui é um lixo, eles mal atendem o telefone, quando o fazem.

Não acho os brasilienses muito interessantes. O assunto aqui é SEMPRE relacionado a funcionarismo público, o que é insuportável, e a lutas de poder, quem tem o maior salário e quem mora no Plano ou não. Você tem que ser obrigado a seguir o mesmo padrão, caso contrário você não é bem-visto, pois não é estável, mesmo que seja empreendedor e ganhe muito mais do que eles.

Galera, quem tem espírito empreendedor, é aventureiro, não pretende ser funcionário público, fuja desse lugar. Aqui é um lugar muito horrível de se viver. E até para quem é empreendedor e busca na cidade ganhar licitações fuja também, pois lidar com a grande maioria dos funcionários públicos que comandam o governo é INSUPORTÁVEL! Eles nâo têm criatividade, têm pensamento absoluto, cabecinha fechada e pequena, limitada ao decoreba para passar em provas de concurso. E isso não vai mudar, porque é a dinâmica que move esse local. Essa cidade não parece de verdade.

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