Em África ou na África? Memórias de um Revisor

Em África ou na África? Memórias de um Revisor

Compartilho com os meus leitores um e-mail enviado a uma cliente portuguesa, esclarecendo algumas questões a respeito de diferenças entre Português do Brasil e de Portugal. Também apresento, no e-mail, meu posicionamento, como Linguista, a respeito do status independente de nossa Língua e nação, que se distanciaram de Portugal ao ponto de constituírem outra Língua e uma outra nação completamente independente e diferente.

Em África ou na África?

No caso de referência a continente, na linguagem formal ou não, nós utilizamos o artigo definido com preposição “em + a”, por isso, dizemos e escrevemos, em todas as classes sociais brasileiras: “na África”, “na Ásia”, “na Europa”. Não faz sentido, para nós, dizer “Em Europa”, pois nós internalizamos a necessidade do artigo, nesse caso. Entendo que o artigo define ou não um substantivo. No caso de cidades, há oscilação quanto ao uso (e elas não são tão “lógicas”). Por exemplo, é gramatical para nós dizer ou escrever “vim da Bahia” (não faria sentido dizer ou escrever: “Vim de Bahia” (brasileiros não diriam ou escreveriam isso, talvez um estrangeiro). Mas faz sentido dizer “Vim de Brasília”, uma vez que Brasília não pede o artigo “a”, a não ser que você diga ou escreva: “vim da cidade de Brasília”. Parece incoerente essa lógica né? Na verdade, as línguas do mundo são cheias de incoerência, elas não são completamente lógicas, pois são oriundas do pensamento humano, que não é absoluto ou perfeito. Nós também questionamos algumas formulações lógicas que vocês utilizam em relação  à fala ou à escrita, também observo essas incoerências em outros idiomas.

Quanto à questão de “erro”, as pessoas sempre buscam uma língua absoluta, “correta”, mas isso não existe. No Brasil, por exemplo, esse discurso surge diante de um abismo socioeconômico em relação a um grupo que fala português do Brasil, mas cuja variação é estigmatizada. Se pensarmos em nível de pais, como o caso de Português do Brasil e de Português de Portugal, não há nem como falar em “erro”, pois estamos diante de línguas diferentes. No caso do Português do Brasil, os processos de formação linguística levam-nos a outra língua (fica complicado explicar cientificamente como isso aconteceu, você teria de ter interesse para se tornar uma linguista para compreender). O que posso dizer, grosso modo, é que temos sintaxe, semântica e várias outras estruturas que diferenciam o português do Brasil de Portugal, e até questões de poder, que nos revelam como uma cultura independente, com uma literatura diferente, com uma identidade, com um povo diferente. Mesmo dentro de nossa nação, há muita variação, não há uma unidade na fala, em relação ao Português do Brasil. É possível a compreensão em praticamente todo o território nacional, mas, em algumas regiões do país, nem eu entendo o que alguns brasileiros falam.

Afinal, o que é progressão textual?

Afinal, o que é progressão textual?

Ao redigir um texto, especialmente no caso de textos mais objetivos, como é o caso  de dissertações escolares, textos acadêmicos etc., é importante organizar os parágrafos destes de maneira lógica. Nesse sentido, a progressão textual é fundamental, pois permite estabelecer relação entre cada um dos parágrafos anteriores àqueles que ainda serão lidos.

Ao organizar uma sequência de ideias, cada parágrafo deve ser estruturado de maneira a dialogar com um parágrafo escrito anteriormente. Além disso, é importante observar os parágrafos posteriores a estes para que cada parágrafo no texto articule-se um ao outro num processo progressivo, seguindo lógica em relação ao que foi e ainda não foi dito para que o texto faça sentido ao leitor.

Esse processo está muito mais além da estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão. A progressão também é mais específica e, não necessariamente, articula-se a esta ordem, porque nem todos os textos seguem-na (textos informativos, por exemplo, não necessariamente precisam segui-la). A progressão textual está para a lógica de cada uma das orações, está para o desencadeamento de ideias, para os “ganchos” que
se estabelece no texto, sejam eles relacionados ao conteúdo em si ou a marcadores gramaticais.

Para que haja maior eficácia nesse processo, é fundamental organizar os parágrafos do texto, especialmente o primeiro deles (no caso de um texto dissertativo-argumentativo, por exemplo), para que a tese e os parágrafos sejam logicamente apresentados.

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