Educação, Liderança e Pensamento Crítico

Ao saudar a todos, agradeço ao Mestre Anderson Hander pela oportunidade de participar deste espaço para tratar sobre Educação, tema tão essencial na vida de todos nós! Assim,

Uma das publicações do professor, que curti bastante, inclusive, apresenta um título interessante e verdadeiro, que diz: “A maior dificuldade do brasileiro: PENSAR”. Nela, entre outras coisas, ele discorre, com muita propriedade, que sem língua estruturada não há pensamento sólido. Vai além, ao constatar, com aparente desilusão, que o brasileiro médio não consegue separar emoção de raciocínio; opinião, de argumento; crença, de prova. Que se identifica com aquilo que sente no momento, como se a subjetividade, que é importante, fosse suficiente para explicar o mundo, sendo que não é. Somente esse pequeno trecho do post do professor é suficiente para uma boa reflexão.

Pois bem. Minha falecida mãe foi professora primária e era especializada em terapia da palavra, algo de que se orgulhava bastante. Estudei, por dois anos, no mesmo colégio municipal em que ela lecionava, tendo testemunhado sua luta em prol de uma Educação de qualidade. Após as aulas, inúmeras vezes, aguardando-a próximo à porta de sua sala para irmos embora, lá estava eu, com ouvidos atentos, acompanhando suas interações com os responsáveis por seus alunos, tratando sobre progressos e dificuldades. Ali, eu começava a presenciar dois elementos essenciais para a vida: crítica e “feedback”. Primeiramente,

Milhares de educadores, Brasil afora, dedicam-se, intensamente, a seus ofícios e acreditam num País melhor! Mais do que isso, sonham em deixar um legado. Mas seus ideais, muitas vezes, esbarram em fatores diversos, que vão desde uma carente infraestrutura para lecionar, até a imensa falta de valorização profissional. Se as disciplinas estudadas são, por si só, desafios a serem transpostos por alunos e professores, a equação matemática classificada como impossível apresenta-se antes mesmo de ser descrita, face ao peso de tantos outros componentes, verdadeiras incógnitas. Os “x” e “y” são diversos, podendo esgotar facilmente todas as letras de nosso alfabeto, desde as dificuldades de locomoção para o ambiente escolar, por parte de alunos e professores, até a falta de segurança em muitas regiões – o que dizer de nossas grandes cidades?

A dificuldade de PENSAR, apesar de carregar consigo elementos subjetivos, típicos de uma pesquisa qualitativa, talvez revele, nos números de seus cálculos matemáticos, razões quantitativas e objetivas acumuladas em deficientes gestões administrativas, que levam a equação a resultados negativos. Nela, o menos não é mais, e, quadradas ou cúbicas, as raízes parecem sofrer com questões culturais, viciadas em gestões reprováveis que carecem a todo momento de provas reais, do início ao fim das operações.

Com tal carência, a do PENSAR, uma sociedade vê-se fragilizada em suas ideias, opiniões, criatividade e inovações, tendendo à vulnerabilidade, principalmente pela falta de crítica. Quando “pobre”, o pensamento abdica de originalidade, fazendo com que algumas pessoas, gozando de sua zona de conforto, limitem-se a seguir outras. O perigo aumenta, com direito a alarme e luz vermelha piscando, ao se seguirem pseudolíderes, aqueles que não estão minimamente preocupados com a qualidade do que veiculam ou, ainda, com o crescimento e o desenvolvimento dos que lhes seguem, mas, sim, com a quantidade de “likes”, confetes, deferências, aplausos e, até mesmo, votos, que recebem.

A ideia central, baseada no PENSAR, que o Professor exercita em sua publicação, vai ao encontro do que penso em termos de sociedade, em relação ao conceito de Liderança. Em meu livro, “Além do Blá-Blá-Blá – Liderança como Exercício de Lucidez”, proponho uma abordagem entre três elementos básicos das interações humanas: o blá-blá-blá; a opinião; e a crítica. Falatórios excessivos e desnecessários, veiculação de fofocas e de notícias falsas, verdades ditas absolutas, além de mal-entendidos de naturezas diversas são marcas típicas de nossa sociedade. E a falta do PENSAR, nesse sentido, encaixa-se como uma luva!

Com os inúmeros engajamentos da Era da Informação, os blá-blá-blás, cada vez mais, interferem nas opiniões, levando líderes a se depararem com assessoramentos falhos em seus ambientes de trabalho. A crítica surge, então, como um instrumento essencial, capaz de aprimorar pessoas e organizações. Longe de ser aquela crítica amarga e negativa, que muitos se arrepiam só de pensar, ela ressalta a construção e a valorização, sendo definida como a arte de aprimorar méritos e deméritos de um desempenho, visando ao seu aperfeiçoamento futuro. Para que a crítica se desenvolva, é necessário despertar consciências. Educação, Liderança e Pensamento Crítico. Assim,

O verdadeiro líder deseja o crescimento e a evolução de seus liderados, além de ambientes laborais mais produtivos, colaborativos e saudáveis. Se até a Ciência, por exemplo, é capaz de rever seus conceitos, como podem os inúmeros blá-blá-blás originarem tantas historinhas ou verdades absolutas na mente das pessoas? Deixo neste post esta reflexão…

Por fim, agradeço a você, leitor, e ao amigo e Mestre Anderson Hander, pela oportunidade. E deixo a seguir o link de acesso ao site do livro: https://www.alemdoblablabla.com.br

Aguardo você por lá!

Leonardo Chaves Rodrigues

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Natural do Rio de Janeiro – RJ, desenvolvi o gosto pela escrita durante a infância, por meio de histórias que, embora hoje perdidas, tiveram em meus pais, Maria, professora primária, e Luiz Fernando, engenheiro civil, grandes incentivadores. Estudei em escolas municipais, no ensino infantil, e no Colégio Marista São José, no ensino fundamental. Assim,

Como Brigadeiro do Ar Veterano, da Força Aérea Brasileira (FAB), após 39 anos de carreira, decidi escrever meu primeiro livro sobre liderança. Passei para a Reserva em janeiro de 2024, tendo voado cerca de 4 mil horas. Exerci três cargos de comando, vários de chefia e sempre cultivei o contato com as pessoas e o público em geral. Compor a tripulação de um avião ou comandar esse processo, por si só, também me ensinou ao longo da vida. Mas, sem me ater somente a esse aspecto, pois o ser humano é muito mais do que suas experiências laborais, enxergo no verdadeiro líder alguém preocupado com o crescimento e o desenvolvimento de seus colaboradores. E com viés educador também, que provoque o pensamento crítico, se incomode com a própria zona de conforto e enxergue o mundo de forma multidisciplinar. Vivi experiências na Amazônia, em Brasília e no exterior, como no Peru e nos Estados Unidos. Em primeiro lugar,

Misantropia

Na madrugada de 20 de junho de 2026, milhões de brasileiros em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná foram despertados pelo som de uma sirene de seus smartphones. A ferramenta utilizada foi o sistema Cell Broadcast (Defesa Civil Alerta), projetado para emitir avisos sonoros inevitáveis (mesmo com o aparelho no silencioso) diante de catástrofes iminentes, como rompimento de barragens ou tempestades severas.

Em vez de instruções de evacuação, a tela exibia a enigmática mensagem: “Defesa Civil:misantropi4”. O Governo Federal e os órgãos estaduais rapidamente esclareceram que o disparo foi fruto de um ataque hacker, utilizando credenciais clonadas, o que, inclusive, levou à abertura de um inquérito pela Polícia Federal.

A escolha do termo “misantropia” (grafado com o número “4” no lugar da última letra) transformou um incidente de segurança cibernética em uma provocação filosófica e niilista direcionada a cerca de 30 milhões de cidadãos (e penso que não por acaso). Por essa razão, decidi abordar o significado do termo neste post, à luz da literatura universal e brasileira.

1. O desencanto com a humanidade: William Shakespeare (Timão de Atenas, 1623)

Após ser arruinado e abandonado por aqueles que considerava amigos, Timão retira-se da sociedade e passa a expressar uma profunda misantropia, chegando a declarar que odeia a humanidade. A peça apresenta uma crítica contundente às relações humanas marcadas pelo interesse e pela ingratidão, mostrando como a desilusão pode conduzir ao desencanto radical com os homens.

2. A Ironia Crítica: Machado de Assis (A Igreja do Diabo, 1884)

Na literatura machadiana, a misantropia assume contornos de ironia psicológica. Em A Igreja do Diabo, o Diabo subverte o próprio conceito de altruísmo ao afirmar que “a misantropia pode tomar aspecto de caridade”, sugerindo que até mesmo o afastamento do convívio humano pode ocultar formas de indiferença em relação ao outro. A partir dessa perspectiva satírica, Machado frequentemente expõe as ambiguidades e os interesses que permeiam a sociabilidade humana.

3. O Isolamento Melancólico: Lima Barreto (Triste Fim de Policarpo Quaresma, 1915)

Diferente do ódio colérico de Timão, a misantropia do Major Quaresma descrita por Lima Barreto nasce do desajuste social e do idealismo incompreendido. O trecho aponta seu “isolamento monacal”, em que vizinhos o julgavam “esquisito e misantropo”. Quaresma não odeia as pessoas; ele ama tanto um Brasil utópico e puro que a mediocridade da realidade ao seu redor o empurra para a reclusão e para os livros, o que evidencia como a sociedade frequentemente marginaliza quem pensa de forma original.

O alerta invasivo da Defesa Civil forçou milhões de pessoas a buscarem o significado dessa palavra, quase esquecida ou desconhecida para muitos. Ao fazer isso, o incidente ironicamente acabou por conectar a população moderna aos mesmos dilemas existenciais e incômodos que ecoam nas páginas de Shakespeare, Machado e Lima Barreto.