Revisei uma tese do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Da série: textos revisados

Fico muito feliz ao agregar valor a trabalhos de pesquisadores, especialmente como ocorreu com a Revisão de uma Tese de Doutorado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), relativa ao desenvolvimento de métodos para adaptação de geradores solares de satélites ao cenário New Space no Brasil.

É sempre uma satisfação receber o reconhecimento de meu trabalho, inclusive por meio da menção explícita à Revisão — o que não é fortuito, já que revistas científicas e instituições acadêmicas, com frequência, inclusive, solicitam certificado de Revisão assinado pelo Revisor, com a devida titulação. Afinal, a Revisão não constitui uma atividade banalizada como ocorre por aqueles que, simplesmente, “buscam ganhar uns trocados” com o ofício, sem formação na área (já que não há muito critério intelectual no Brasil e qualquer coisa serve).

Revisei esta tese durante todo o processo de escrita até o dia da entrega definitiva na biblioteca da instituição. Além disso, elaborei os slides de defesa para a pesquisadora. Foi um trabalho intenso, rigoroso e, acima de tudo, maravilhoso, que reafirma a minha presença em pesquisas científicas no Brasil.

Como surgiu o termo Revisão Crítica no Brasil?

A origem

Trabalho profissionalmente com revisão de textos desde 2006, época em que se compreendia o ofício de revisão quase exclusivamente como sinônimo de correção ortográfica e gramatical. Naquele contexto, o termo Revisão Crítica ainda não existia na internet brasileira para designar um serviço de revisão que ultrapassasse o aspecto formal da língua e abordasse os sentidos, pressupostos e efeitos discursivos do texto. Predominava-se a prática da Copidescagem, termo influenciado pelo mercado editorial e pelo jornalismo, caracterizando-se, de maneira geral, como uma forma de edição textual. Assim,

Nesse cenário concebi o termo Revisão Crítica, inicialmente, como uma proposta autoral para nomear uma prática que já exercia, mas que ainda carecia de reconhecimento conceitual no Brasil (na verdade, ainda carece, pois quase nenhum revisor hoje trabalha dessa maneira, embora utilize o termo para convencer clientes). O objetivo era diferenciar um tipo de intervenção textual mais profundo, que entende o texto como discurso: situado historicamente, permeado por escolhas ideológicas, estratégias argumentativas e construções de verdade. Assim,

Difusão do Conceito na Internet

Durante anos, meu site liderou os rankings do Google para pesquisas sobre Revisão de Textos, o que levou diversos outros revisores a utilizarem meu site como referência para o mercado. Frequentemente, chegaram a copiar integralmente tanto a forma quanto o conteúdo de minhas ofertas, incluindo o conceito de Revisão Crítica.

Influência do Mestrado e da Análise de Discurso Crítica

 Após concluir o Mestrado na Universidade de Brasília (UnB), na linha de pesquisa Discurso, Representações Sociais e Texto, incorporei à prática de revisão os princípios teóricos e metodológicos da Análise de Discurso Crítica (ADC). Essa influência transformou minha perspectiva sobre textos, tanto como linguista quanto como revisor, permitindo uma abordagem mais reflexiva e analítica. Em primeiro lugar,

Popularização e Adoção do Termo

 Em seguida, comecei a divulgar a oferta do serviço de Revisão Crítica em meus sites, e o conceito acabou se popularizando, tornando-se quase um padrão. Com o tempo, outros revisores passaram a adotar o termo, muitas vezes reproduzindo literalmente a nomenclatura e a descrição que eu havia apresentado, já que, na internet, conteúdos tendem a ser copiados.

A influência da Análise de Discurso Crítica (ADC)

Defino a Revisão Crítica como um trabalho que está muito além da simples “correção textual”. Trata-se de uma análise detalhada de como o texto constrói sentidos: das escolhas lexicais e sintáticas, da coerência discursiva, das vozes mobilizadas, dos silenciamentos, das ambiguidades estratégicas e das generalizações naturalizadas. O objetivo não é substituir o autor, tampouco impor concepções externas, mas tornar o texto e o autor mais conscientes, em seus efeitos de sentido e na construção de suas afirmações. Assim,

Essa abordagem está intimamente relacionada à Análise de Discurso Crítica, que compreende o texto como prática social capaz de produzir interpretações do mundo e diferentes versões da realidade. A Revisão Crítica funciona como um processo de desconstrução textual, permitindo identificar fragilidades argumentativas, pressupostos implícitos e incoerências entre intenção e efeito discursivo.

Fundamentação Acadêmica

A fundamentação teórica dessa prática também foi objeto do meu trabalho final no curso de Especialização em Revisão de Texto do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), intitulado Revisão de Texto: o que é e o que pode ser? Um estudo discursivo crítico. Avaliado pela banca composta por María del Pilar Tobar Acosta e A. C. V. Oliveira, em 2015, o trabalho consolidou academicamente a noção de Revisão Crítica como um campo legítimo e necessário para a prática profissional de revisão textual. Assim,

Portanto, a Revisão Crítica, hoje adotada por diversos profissionais da área, tem sua origem vinculada à minha experiência prática, à conceituação que desenvolvi e à reflexão acadêmica que sustentei ao longo dos anos. Primeiramente,