Vale a pena viver em Brasília?

Vale a pena viver em Brasília?

Sou constantemente questionado pelos meus seguidores sobre como é viver em Brasília. Por essa razão, decidi escrever um post sobre isso, aproveitem os futuros turistas e futuros moradores. Trouxe uma visão mais pessimista da cidade, confesso que não é o meu lugar preferido. Eu não me alinho muito, hoje, às dinâmicas dessa cidade, tampouco ao estilo de vida dos brasilienses.

Tenho um vídeo no Youtube em que trago uma visão mais positiva da cidade (como tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, vale a pena conferir):

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Quem vive em outros estados brasileiros, provavelmente, se estranhará muito quando se deparar com Brasília, pois a arquitetura e a própria organização da Capital Federal são muito diferentes de outras cidades. Além disso, há peculiaridades em relação aos brasilienses e às outras pessoas que moram em Brasília (que migram de vários outros estados, especialmente para iniciar a “carreira” de funcionário público) que tornam a vida nesse local não muito agradável.

Morei em algumas cidades brasileiras entre as várias de minhas idas e vindas (e de minha família) pelo Brasil (Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná). Em Brasília, eu residi durante dez anos, especialmente em minha fase adulta (na Asa Norte, mais propriamente em Brasília, como alguns costumam segregar).

Quando eu era mais jovem, também cheguei a viver em Brasília, mais de uma vez, com a minha família, antes de meu pai se mudar várias vezes para o Rio de Janeiro. Naquela época, morei no Guará I, em uma vila militar. Como ele era militar (funcionário público), nós vivemos a vida inteira mudando de cidade, ficávamos dois anos em um estado e ele era transferido, um ano depois, para outro. O local era muito agradável e tenho boas lembranças daquele período.

Vocês devem saber que Brasília foi uma cidade planejada para um número determinado de habitantes, mas o plano não deu certo e, assim como em vários grandes centros urbanos, a migração permitiu o surgimento de outras áreas. Há quem afirme com orgulho que Brasília é, apenas, Asa Norte e Asa Sul, as famosas “asas do pássaro”, conforme o projeto original (já ouvi dizer que Brasília foi idealizada com base em uma cidade egípcia, preciso investigar mais para afirmar algo).

Assim como em várias cidades brasileiras, há um grande abismo socioeconômico entre algumas regiões desse dito “quadradinho de Goiás”, e um discurso muito infundado em relação a uma classe mais elitizada que vive no Plano Piloto, Asa Norte e Sul, e o que seriam as estigmatizadas cidades satélites. Há, também, o conceito de entorno, que se estende às cidades goianas que se localizam próximas a Brasília, como Luziânia, um local dito bastante perigoso e violento.

Em Brasília há o metro quadrado mais caro do Brasil, isso mesmo! E o que isso significa? Qualidade de vida? Isso depende da sua concepção a respeito de qualidade de vida… para mim, significa, apenas, que algumas poucas pessoas terão uma vida um pouquinho menos indigna ou que pagarão uma fortuna para manter as aparências “diferenciadas” (mas faz sentido, afinal, brasileiro não suporta igualdade social, mesmo que reclame tanto do Brasil e busque se afirmar em modelos de desenvolvimento de primeiro mundo, gosta de olhar de cima para baixo para se sentir superior; o que é bastante contraditório, pois a desigualdade é característica de NAÇÃO POBRE, de TERCEIRO MUNDO). Mas isso não é um problema somente de Brasília, mas nessa cidade (cidade?) isso é mais evidente e as pessoas farão questão de deixar isso BEM CLARO para você).

Diferentemente de muitos brasileiros, que buscam por uma área elitizada para se diferenciar e se sentir superior aos outros, buscando afirmação no abismo socioeconômico, como mencionei, infelizmente, acredito que viver em áreas nobres constitui uma tentativa falha, ao menos no Brasil*, de driblar a violência (mesmo que os moradores estejam ISOLADOS em condomínios e cidades completamente artificiais) e ter um pouco (mas pouco mesmo) de “qualidade de vida” (será?), mesmo pagando um preço altíssimo e injusto. Por outro lado, embora alguns defendam com orgulho a visão de um Brasil mais “vira-lata”, viver em subúrbios constitui um sério problema, especialmente em relação à violência. E você pode tentar conhecer a realidade suburbana de Brasília (ou seria ao redor de Brasília? Hum…), ops, desculpem-me, eu quis dizer… do DISTRITO FEDERAL.

* Em muitos países, o termo subúrbio não é considerado tão pejorativo como no Brasil. Na verdade, o centro de muitas cidades é considerado decadente. Os subúrbios, em sua concepção de um local distante do centro, têm se tornado refúgio, fora e até em algumas áreas no Brasil, da classe média e da classe alta.

É muito frustrante sentir-se cidadão mesmo em Brasília (qualidade de vida?), especialmente porque o custo de vida é extremamente elevado. Aluguel, por exemplo, de uma sala “caindo aos pedaços”, no dito Supremo Plano Piloto (contraditório, não?), nas quadras 700 e 900 da Asa Norte, área desvalorizada e estigmatizada por ser local onde vivem prostituas e garotos de programa, custa, no mínimo, 1.300,00 reais (imagine uma sala entre 25 e 30 m quadrados).

Morar nas quadras 400, 300, 200 ou 100 pode custar muito mais. Se o objetivo for morar em uma kitnet, os preços nessas áreas ultrapassam os 1.300,00 reais, mas você terá de viver em cima de um comércio, nas ditas comerciais, com muito barulho e uma péssima qualidade de vida (ou melhor: uma qualidade de vida pior ainda).

Viver um pouco melhor exige custo de vida muito elevado. Um imóvel de dois quartos, em quadras residenciais da Asa Norte e Sul, não custa menos de 800 mil reais. E apartamentos maiores, simples, sem piscina, academia, com garagem aberta, passam de um milhão e meio de reais. A diferença é que, em relação a maioria das outras cidades brasileiras, você pagará um milhão de reais para comprar um apartamento velho, sem piscina e um condomínio que também não será nada justo.

E esses valores surreais têm se estendido, inclusive, para as ditas cidades satélites, cuja população, também, passou em concurso púbico, se desenvolveu e tem dinheiro. A classe média que afirma buscar por uma certa qualidade de vida fora do considerado supremo Plano Piloto, geralmente, decide viver em Águas Claras (“Águas Claras não é Plano Piloto”), local em que os preços são mais próximos da realidade brasileira, apartamentos com boa infraestrutura, novos, piscina, sauna etc. No entanto, há quem critique o local por ser um aglomerado barulhento de prédios e por não haver árvores por lá (esqueceram desse detalhe no projeto do local).

Para quem tem mais dinheiro, poderá viver em setores de mansões como no Lago Norte, Lago Sul, Park (A)way (embora seja área nobre, esse último local, ainda, é considerado como estigmatizado, por não estar localizado nas proximidades do considerado supremo “Plano Piloto”).

Não queira andar de ônibus em Brasília, o serviço é de péssima qualidade e o custo é de, no mínimo, 3,00 reais por pessoa. Metrô é uma boa alternativa (quando não está lotado, ou seja, por volta das 15:30), mas ele não chega a todo o Plano Piloto e não passa nas ditas áreas mais elitizadas. Por que será?

Essa cidade é muito estranha. Todos em Brasília falam o tempo inteiro em funcionarismo público. E muitos sonham com essa “carreira” porque os salários são considerados altos e porque a dita cuja estabilidade afasta o medo (e a criatividade) dessas pessoas. É lamentável ver uma gente que dedica toda a sua energia para ser aprovada em um concurso, pois são levados a acreditar, especialmente em virtude de muitos outros caminhos serem fadados ao fracasso, que esta é a única solução digna, ou são levados a essa constatação, apenas, por uma questão financeira. Brasília, nesse aspecto, é uma “bolha”.

Nas férias, as pessoas desaparecem de lá. O plano Piloto fica “vazio” (as ruas que não foram feitas para pedestres, os mercados caríssimos), é incrível, a cidade “morre”. Nem os turistas querem visitar, nesse período, essa cidade kkkk (brincadeira). Qualidade de vida nessa cidade é para quem ganha salários muito altos, acima de doze mil reais e olhe lá, porque você pode morar onde for, área nobre ou não, Brasília não deixa de ser Brasília em virtude de seu salário, casa ou carro, continua sendo um local ruim para diversão (minha experiência e opinião), local em que as pessoas não são muito interessantes (minha opinião e experiência) e que não há muito o que fazer. Os brasilienses vivem fugindo para Goiás, mais especificamente para Alto Paraíso e Pirenópolis (embora falem tão mal de Goiás. Farinha do mesmo saco, em Português bem brasileiro, seja em Brasília ou seja lá onde for no Brasil!), porque Brasília não é um local divertido.

Educação em Brasília é de boa qualidade, mas o custo é elevado. Educação pública é boa em algumas escolas. Alimentação no Plano Piloto é cara. Mas você poderá fazer compras no Atacadão e comer um pouco melhor. Aos domingos, o eixão da Asa Norte e Sul é fechado e torna-se uma enorme área de lazer (um calor insuportável que o fará não ter vontade de ir lá =)). Clima seco. Não será fácil acostumar com o clima para aqueles oriundos de cidades mais frias, por exemplo.

Os serviços em Brasília são de péssima qualidade (inclusive, o serviço público), preço alto, já que há quem os pague, os funcionários públicos, e qualidade baixa, que se articula ao nível de exigências destes, que também é baixo. Na verdade, as coisas em Brasília funcionam da seguinte maneira: funcionários públicos, que não trabalham muito, inclusive, porque o sistema é lento e burocrático, pagam muito para manter as aparências no Plano Piloto e ter uma qualidade de vida, digamos, mediana, para encher o peito e dizer: “moro no Plano Piloto”. Vão as mesmas redes ruins de restaurantes, já que não há muita opção, são mal atendidos e aprenderam a não fazer nada, a não questionar, tampouco a incentivar os seus filhos a mudar a dinâmica da cidade.

Na verdade, o que eles acabam fazendo é incentivar os filhos a manutencionar o discurso vergonhoso de que a única solução na vida é ser funcionário público, já que vivemos em um país patriarcalista e que essa cidade seria o berço do dinheiro fácil, da corrupção, da dita “mamada” no governo, em linguagem mais clara. Os mais críticos chegam a pensar isso, mas afirmam que não querem ver os filhos sofrendo e que preferem a tão sonhada estabilidade (ou abandonam o cargo de funcionário público, mudam para outro estado ou até se suicidam, como já ouvi várias histórias; o elitizado Sudoeste mesmo é um dos bairros onde essa prática mais ocorre).

Assim, geralmente, o mercado empreendedor fica sucateado. Eu mesmo, na minha área, afirmo com a boca cheia: não tenho concorrentes em Brasília, que estejam no mesmo nível que eu estou em relação à oferta de meu serviço. Os que poderiam chegar ao meu perfil são funcionários públicos e não querem empreender ou levam a minha profissão como, somente, um “bico“, para complementar a renda de Professor, (ou se contentam com as suas “carreiras”), que, embora seja um bom salário, não é suficiente e não garante CIDADANIA (mas onde isso é possível no Brasil seja com ou sem dinheiro?).

Mas nem com todo dinheiro do mundo é possível sonhar com esse direito, seja em Brasília ou em qualquer outro estado brasileiro. Cidadania e qualidade de vida não são questões, apenas, econômicas; mas a falta de dinheiro, também, não o fará mais cidadão, muito pelo contrário, ainda mais em Brasília, onde tudo tem um preço bastante elevado.

Viver no Plano Piloto não é tão bom quanto possa parecer, não há muito o que fazer. O próprio Parque da Cidade, que deveria ser um local divertido e bacana, tornou-se um local estigmatizado e, inclusive, perigoso. As pessoas em Brasília são mais fechadas, vivem em “panelinhas” e têm um estilo muito característico de se divertir como ir para a esplanada dos ministérios beber, conversar sobre o próximo concurso público que irá abrir: BORING E INSUPORTÁVEL.

O dito Plano Piloto não é um local extremamente violento. Você não precisará ficar com uma “pulga atrás da orelha” quando seus filhos saírem por lá, dependendo do horário.

Não há aqueles arranha-céus enormes em Brasília como em São Paulo e em outros grandes centros urbanos. A altura de um prédio é limitada por lei. Há as áreas livres dos prédios, que parecem interessante para a dinâmica de uma cidade mais aberta, mas há quem não respeite isso e construa os seus próprios “muros”, ilegalmente, e o governo não faz nada (e digo isso, porque cheguei a denunciar esse fato três vezes).

Não acho os brasilienses muito interessantes. O assunto em Brasília é SEMPRE relacionado a funcionarismo público, o que é insuportável, e a lutas de poder, quem tem o maior salário e quem mora no Plano ou não. Você tem de seguir o mesmo padrão; caso contrário, você não é bem-visto, pois não é considerado estável, mesmo que o seja.

Se você tem espírito empreendedor, é “aventureiro”, e não pretende ser funcionário público, fuja desse lugar. Brasília é um local muito horrível de se viver. E, até para quem é empreendedor e busca na cidade ganhar licitações, fuja também, pois lidar com a grande maioria dos funcionários públicos que comandam o governo é IN-SU-POR-TÁ-VEL! Eles não têm criatividade, têm pensamento absoluto e nada crítico, na verdade, muitos nem sabem o que é crítica, misturam as suas opiniões infundadas com as suas “carreiras”, agem, profissionalmente, em interesse próprio e desnorteiam toda uma nação. E isso não vai mudar, porque é a dinâmica que move esse local. Essa cidade não parece de verdade!

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O dia mais feliz de minha vida foi quando eu saí de Brasília há alguns anos (mais especificamente do Brasil. E não saí de Brasília porque não “dei certo” por lá, muito pelo contrário, mas cansei dessa cidade, das pessoas que por lá vivem e, para dizer a verdade, desse país (“pau que nasce torto nunca se endireita”).

Não me sinto cidadão no Brasil! É bem doloroso dizer isso como brasileiro (apesar de pagar tantos impostos ao Estado), eu gostaria, verdadeiramente, de poder dizer o contrário, e espero poder mudar o meu discurso algum dia. Lamentavelmente, não me identifico muito com a cultura no Brasil (com exceção da comida, que é a melhor comida do mundo, a língua e literatura, que tanto amo), e sempre fui julgado como “arrogante” por pensar diferente e não me conformar com a nossa cruel realidade, especialmente por eu ser uma pessoa muito crítica e verdadeira, e que valoriza Educação (“ser Professor para que?”). Sempre me senti monitorado e manipulado pelo brasileiro cordial (eu prefiro dizer extremamente cordial, ou quase xereta).

Os brasileiros, infelizmente, “olham muito” para os norte-americano como se eles fossem algum modelo a ser seguido. E são obcecados pelos seus corpos e pela vida alheia. Há muito “ruído” no Brasil, um excesso de pessoas, o que é sinônimo, nesse caso, de excesso de problemas. E as pessoas que vivem em Brasília, bem como os brasilienses, não poderiam ser diferentes, eles são bastante representativos de sua nação, no sentido mais destrutível, mesmo os que são escolarizados (afinal, Brasília é uma mistura de pessoa de todo o Brasil, irônico, não?).

Os sociólogos e antropólogos que me perdoem, mas a cultura brasileira para mim tem algumas peculiaridades que limitam a minha CIDADANIA). Nem vejo a questão da falta de identidade nacional tão problemática para uma nação, especialmente hoje, mas cidadania deveria ser, mais uniformemente, o que pode soar redundante, um direito. Ter uma nacionalidade, que é um direito, mas não ter cidadania, que também é um direito, ou ser um cidadão incompleto, é a maior contradição de uma nação para com a sua gente.

Programação visual e produção gráfica

Publicação de livro

Gostaria de compartilhar este texto com os meus leitores. São algumas reflexões muito importantes sobre o processo de publicação de livros.

 

Programação visual e produção gráfica

Do prelo manual às artes digitais. O programador visual e arquiteto Danilo Barbosa fala sobre os diversos passos da produção gráfica, as ferramentas de ontem e de hoje, e o papel do revisor no processo.

Danilo Barbosa

Desde 1968 tenho lidado com projetos cujo produto final é o material impresso. A cada dia temos que nos atualizar, já que o processo é muito dinâmico, com o advento das novas técnicas e com o avanço da tecnologia. Convivi com artes-finais cujos desenhos e até letras eram feitas com tira-linhas e pincéis, tintas nanquim e guache. Passei pelos textos impressos em prelo manual, chegando hoje até as artes digitais.

Na década de 60, a formação do arquiteto na UnB nos permitia explorar os diversos campos das artes visuais. E foi assim que comecei a me identificar com as artes gráficas e com a programação visual em seus mais diversos aspectos, tais como: criação de símbolos, programas de identidade visual de empresas, planejamento de publicações, cartazes, e mais tarde com projetos de sinalização do edifício e de áreas urbanas.

Vivemos hoje numa “sociedade visual”, como afirma Gilberto Strunk em seu livro Um olhar visual. Somos bombardeados, durante todo o tempo, com mensagens visuais em jornais, revistas, televisão, em outdoors, na internet, enfim, em todos os lugares. Tanto estímulo à nossa visão nos leva a criar expressões como “Você viu o texto do fulano?”, em vez de “Você leu…”.

Existem livros que tratam desse assunto com a profundidade requerida (vide Produção Gráfica, de Lorenzo Baer – Ed. Senac), porém, neste contexto, cabem apenas algumas poucas considerações para situar o leitor e talvez motivá-lo a buscar mais conhecimento sobre o tema.

Reportemo-nos ao processo da criação e da produção gráfica, situemo-nos na elaboração e confecção de material impresso em papel.

O primeiro passo para iniciar a produção é ter textos em originais bem elaborados e devidamente organizados, e imagens (desenhos, gráficos, fotos, ilustrações etc.), quando for o caso. Para se chegar a esse ponto, já houve a participação de profissionais, quer da área técnica à qual se refere o material, quer da área de comunicação social ou de publicidade.

Nesse momento, o revisor ortográfico já pode estar trabalhando. Tal profissional por vezes é contratado para fazer não só a revisão ortográfica, mas também o trabalho de copidescagem, que significa reescrever e corrigir partes do trabalho com o objetivo de dar unidade ao texto final, quanto aos aspectos de estilo, tratamentos etc.

O passo seguinte é buscar um profissional de programação visual que, devidamente informado dos objetivos do trabalho, vai desenvolver um projeto gráfico, que será traduzido em um leiaute a ser submetido ao contratante.

Com o avanço da tecnologia do computador surgiram inúmeros pseudoprofissionais que, por dominarem a máquina e conhecerem os programas gráficos, se lançaram no mercado como programadores visuais ou designers. Como em todas as áreas do conhecimento humano, o estudo teórico é fundamental para a formação de um profissional.

Atualmente os programas de computador mais consagrados para a realização de estudos e artes finais são: Corel Draw, Illustrator, Photoshop e InDesign

Os programas gráficos são ferramentas potentes para a elaboração de leiautes e artes-finais, contudo, não se pode imaginar um bom projeto sem o concurso de um bom esboço,  com a naturalidade do traço manual. O mesmo podemos dizer de uma ilustração executada com as técnicas manuais de desenho e pintura – contém a alma do ilustrador. Entretanto, hoje os programas possuem muitos recursos e alguns dos artistas da nova geração já iniciaram usando e abusando da tecnologia. Como exemplo, os que trabalham com pintura digital – os artistas “tecnológicos”.

Após a aprovação do estudo, passa-se à execução da arte-final, que é o início do processo de produção gráfica. Da sua qualidade depende o resultado final do material impresso. Nessa etapa, o programador visual ou designer submeterá sua arte ao revisor, que fará o cotejamento com os originais fornecidos. Dependendo da complexidade do trabalho, são necessárias várias revisões. Aprovada a arte-final, ela será encaminhada para a gráfica.

Hoje temos várias possibilidades para a impressão de um trabalho. A decisão sobre qual técnica usar está diretamente ligada à demanda do material, considerando quantidade, qualidade, prazo de produção, e ainda, detalhes de acabamento do produto.

A impressão tipográfica que utiliza tipos de chumbo e de clichês é sugerida para acabamentos especiais como relevo seco e hot stamp – sistema de impressão utilizado para pequenos detalhes com efeito metalizado. A impressão não recebe tinta, mas aquecimento, permitindo gravar o conteúdo desejado em uma tira de material sintético revestida de uma fina camada metálica.

 Mais recentemente, esses equipamentos começam a retornar ao mercado para produção de efeitos diferenciados na impressão, conhecido hoje como letterpress. Ainda. em alguns casos, pode ser utilizada para impressão de trabalhos que reportem a um estilo mais antigo, como ainda se faz nas impressões de revistinhas de cordel. As impressoras tipográficas são também utilizadas para recortes especiais em impressos, com a utilização de facas especiais para confecção de envelopes, caixas e qualquer outro produto que demande um formato diferenciado.

Os equipamentos a laser, por razões de custo, são utilizados para tiragens pequenas. O processo ofsete é mais econômico, quando se fala em grandes tiragens, graças à sua alta produtividade.

Os processos digitais apresentam ainda padrões de qualidade ligeiramente inferiores ao processo ofsete, apesar da grande evolução por que vem passando nos últimos anos. Os equipamentos de impressão digital a laser são grandes replicadoras que se utilizam de toner – o processo de transferência para o papel é eletrostático. Os arquivos são enviados em meio digital e a partir deles é feita a impressão.

No processo ofsete a partir de arquivos em papel ou digitais, são produzidos fotolitos, que são filmes fotográficos utilizados para a sensibilização de chapas de alumínio (vale registrar que recente tecnologia já permite a gravação de chapas sem a produção de fotolitos). As chapas são utilizadas nas impressoras para a transferência da tinta para uma borracha, chamada blanqueta, que funciona como um grande carimbo que aplica a tinta no papel.

Em qualquer desses processos, antes de realizar a impressão final, são feitas provas (antigamente em prelos manuais, hoje impressas digitalmente) que ainda passam pelo revisor ou pelo programador visual, para uma última verificação, e – aí sim – é autorizada a impressão final. Poder-se-ia perguntar – qual a necessidade dessa revisão? Ela é a comprovação de que não houve nenhuma desconfiguração da arte produzida, o que é perfeitamente possível ocorrer, principalmente quando se trabalha com artes digitais e programas de computador em diferentes versões.

Para garantir a qualidade de um impresso e sua viabilidade econômica é preciso que o profissional de programação visual tenha um bom conhecimento dos tipos de papel disponíveis no mercado e sua aplicabilidade para cada caso. O bom aproveitamento dos cortes, em função das medidas das folhas e do equipamento a ser utilizado na impressão, também é importante.

Após a impressão de um trabalho, dependendo das suas características, ele passa ainda pela etapa de acabamento. Pode ser um simples refilo, corte final de um cartaz, por exemplo. Os papéis usados para a impressão são cortados um pouco maiores que sua medida final para permitir um corte que lhes dê acabamento.

Folhetos podem exigir vincos e dobraduras. Existem equipamentos que realizam esse trabalho. Pode haver a necessidade de se grampear ou furar, e em alguns casos cortes especiais, que via de regra são feitos com facas especiais, em máquinas tipográficas.

No caso de um livro, é feita a dobra e o alceamento (coleção e organização) dos cadernos, que por sua vez são costurados e colados, ou somente colados. Depois é feita a colagem da capa e o refilo final. Tal procedimento é um pouco diferente quando o livro é de capa dura.

Como diz o ditado popular: “Cada caso é um caso”. Assim, cada trabalho gráfico pode requerer diferentes papéis, maneiras de impressão e de acabamento.

As impressões nas chamadas policromias – trabalhos coloridos – são feitas com a mistura das quatro cores básicas de tinta: ciano, magenta, amarelo e preto – CMYK (do inglês Cyan, Magenta, Yellow, Black). Em alguns casos são usadas impressões em cores especiais, referenciadas a um padrão internacional denominado Pantone, e ainda cores metálicas, como ouro, prata ou bronze. Vernizes são utilizados em capas foscas para destacar determinadas áreas, dando-lhes brilho. Papéis especiais conferem aspectos mais sofisticados a determinados trabalhos. Recursos como plastificação e laminação BOPP são largamente utilizados para conferir mais durabilidade e sofisticação ao produto.

Enfim, os recursos oferecidos na área gráfica são muitos, e para melhor explorá-los não basta saber que existem – trabalhar com profissionais competentes é o caminho para sua apropriação mais correta, sem nos esquecermos que, com o avanço crescente da tecnologia, materiais e técnicas se tornam obsoletos do dia pra noite.

Danilo Barbosa, maio/2013

Texto publicado em “Além da Revisão – Critérios para revisão textual” – SENAC, 3. ed., p. 128

Antonio Danilo Morais Barbosa, arquiteto, foi professor da UnB, programador visual da Gráfica do Senado, coordenador-geral da área editorial e de programação visual do Inep/MEC. Hoje pertence ao quadro da Codeplan/GDF. Tem atuado como profissional em trabalhos de programação visual, área em que realizou diversos projetos, tais como: símbolo do Ibama, identidade visual das publicações do Inep, sinalização dos edifícios do STJ (prêmio na Bienal de Arquitetura do DF, em 1999). Foi  vencedor do concurso para o  símbolo dos 50 anos de Brasília. Atuou como coordenador do projeto de sinalização urbana de Brasília nos anos 70.