Uma outra visão do Natal: um olhar para a cidade de Buenos Aires no dia 25 de dezembro

O primeiro dia de minha viagem rumo ao deserto do Atacama foi entediante devido à grande quantidade de conexões feitas. Não sei se em relação à contagem de milhas isso é bom ou ruim. Eu acredito que talvez seja bom porque é possível ter mais viagens contabilizadas, ou seja, mais milhas. É claro que essa contagem deve levar em consideração a distância entre os destinos de partida e chegada. Talvez, nesse caso, a pontuação seja equivalente. Irei me informar e postarei aqui no blog mais informações sobre isso.

Escolhi o dia 24 de dezembro para viajar. Os preços valiam a pena… Não foi a primeira vez que passo o natal longe de meus pais e de meus irmãos. Na verdade, já estou acostumado com essas comemorações “abroad”. A verdade é que eu também estava cansado da mesmice de todo natal e ano novo. Pensei que talvez comeria uma “comida diferente” no avião, mas não. A tam conseguiu se superar com um copo de suco e um sanduíche minúsculo de presunto e queijo. Deram um bombom de cortesia para disfarçar, mas a fome continuou. Eles poderiam ter feito um sorteio de algum produto ou poderiam ter distribuído algum brinde de natal rsrs. Mas não… Ingenuidade a minha. Eu sei…

Eu esperava uma comida diferete no avião rsrs. Estranhou-me o cardápio da TAM porque nos últimos anos em que viajei, a TAM oferecia “boas” refeições. (Talvez a primeira classe tenha sido melhor atendida…) É claro que fiz voos de longa duração. Mas em trechos nacionais já fui muito bem alimentado pela TAM. Além disso, a comida nos aeroportos eram absurdamente caras. Tentei não me render ao consumismo capitalista que me faria pagar o triplo do valor de qualquer tipo de alimentação nesse local, mas a fome me consumia. Paguei no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, 13 reais por 4 pastéis minúsculos, 1 cachorro quente e um copo de suco. Ainda não estava satisfeito. Na verdade eu gostaria de ter almoçado, não lanchado. Resisti com fome, até o momento do próximo voo já no aeroporto de Buenos Aires (estou escrevendo agora esse post, após comprar umas batatas e um alfajor que me custaram 12 reais), sonhando que a empresa aérea LAN ofereça alguma comida que me “satisfaça”. Não sou hipócrita para dizer que acho barato pagar 20 reais em uma refeição que fora do aeroporto custa metade do valor vendido. Eu sei que os espaços em aeroportos são caros, mas o fato de não haver opções para consumo me irrita. Em aeroportos, os preços são padronizados. Eu não vejo muita diferença em relação a valores da maioria dos alimentos nesses locais, seja em qualquer lugar do mundo. Para ilustrar a barbárie dessas práticas de consumo, na área de embarque internacional do Brasil, havia uma caixa de chocolate GAROTO a venda. Os bombons que custam de 5 a 7 reais em qualquer mercado brasileiro, ali, custavam 18 reais. Eu só não entendo qual é o fundamento de comprar algo nesses lugares, por mais dinheiro que se tenha. É manutencionar demais a exclusão, a desigualdade e a alienção ao consumo, DEFINITIVAMENTE, NÃO PAGO. É pedir para ser tolo! Da próxima vez levarei vários lanches na mochila rsrs. Na verdade, eu inseri em uma de minhas bagagens um lanche, mas despachei-o para o Chile kkkkkkk. Eu sei que talvez eu estaja sendo hipócrita com esse discurso, pois apesar de negar esses valores no aeroporto, estava eu lá, com o meu tênis da NIKE que também poderia ser compreendido por esse mesmo “processo”. Ao menos comida, acredito eu, deveria ser mais em conta. Eu não precisava do tênis da Nike para sobreviver. Mas precisava me alimentar para me manter em pé durante a viagem.

Tenho boas lembranças das refeições que fiz em algumas companhias aéreas. Uma delas foi Lufthansa. Fiz um voo de mais de 15 horas e a comida era farta. As aeromoças ofereciam a maioria das refeições: almoço, lanche, café da manhã… além disso, os passageiros poderiam se levantar e pegar a quantidade de comida desejada. Fiz esse voo em 2010. Não sei se hoje a empresa ainda funciona dessa maneira. E a comida? deliciosa. Outra empresa com bons serviços de bordo: air Malta. Inclusive, as empresas de ônibus da Argentina possuem serviço de bordo melhor do que o da TAM. Quando fui para a Argentina, em 2012, fui muito bem “alimentado” nos ônibus das empresas de nossos companheiros. Não entendi a miséria da TAM, ainda mais nessa data.

Apesar disso, fui presenteado, nesse voo, rumo a Buenos Aires, com uma vista incrível. Quando o avião foi se aproximando do aeroporto internacional de Buenos Aires, olhei para baixo, pela janela do avião, e percebi várias luzes piscando em grande quantidade como estrelas. Pensei, inicialmente, ser efeito natural da minha visão que se perdia nos vários feixes de luz da cidade, mas as luzes piscavam com muita frequência e em vários pontos. Deduzi, pois já era meia noite do dia 25 de dezembro, serem fogos de artifício, mas a minha visão ainda não me ajudava a comprovar. Era inacreditável ver tantas luzes piscando em TODA  a cidade, nunca vi algo parecido. Imaginem a cidade do Rio de janeiro vista durante dez minutos de um avião, no dia da virada de ano? Alguns minutos depois que o avião se aproximou, eu consegui constatar que esse espetáculo visual realmente estava ocorrendo em função dessa data. Foi lindo ver (àquelas altitudes) toda uma cidade iluminada com fogos de artifício. Foi uma visão panorâmica, como uma visão ampliada “do Google Earth” em uma situação incomum. Senti uma energia muito boa ao ter essa visão. Senti um grande conforto ao ver os focos de energia iluminando toda a cidade de Buenos Aires nessa data tão especial. Tentei tirar uma foto, mas o piloto já havia solicitado aos passageiros que apertassem os cintos. De qualquer maneira, não acredito que uma imagem seria capaz de transmitir aquele momento mágico.  Cheguei a sentir um vazio dentro do avião devido à data, mas me senti “vivo” ao olhar para baixo daquela janela. Consegui atribuir sentido ao meu Natal por causa de “uma” imagem, uma visão. Troquei a tradição da minha ceia por luzes espectaculares que jamais esquecerei :D.

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