Compartilho com vocês texto que escrevi para um cliente, a fim de instruí-lo em relação aos pedidos da banca examinadora de qualificação, para a melhor organização da seção de metodologia do trabalho dele. O pesquisador faz doutorado na área de Direito em uma instituição federal, cujo Programa de Pós-graduação tem uma abordagem bastante interdisciplinar. Os próprios membros da banca de qualificação do autor são de áreas diversas.
Muitos pesquisadores, especialmente da área do Direito, me procuram com muitas dúvidas sobre como organizar a seção de Metodologia de Dissertações e Teses. Como o Direito é uma área com tradição de pesquisa (por exemplo, dogmática) um pouco distante dos modelos mais contemporâneos das ciências humanas e exatas, em Programas de Pós-graduação Stricto Sensu, deixo a reflexão para trazer luz a quem é desta e de outras áreas (especialmente porque discuto questões de metodologia ligadas à interdisciplinaridade).
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XXXXXX, organizei esse material para você. Leia-o, por favor, para ter base para decidir qual metodologia será utilizada em sua pesquisa. Como havíamos conversado, as três opções de metodologia são possíveis: 1. Metodologia qualitativa tradicional (ciências sociais), 2. Policy Design e 3. DRS. A escolha deve ser pensada mais em relação aos seus interesses como pesquisador, à sua formação, e aos interesses de seu Programa de Pós-graduação. Percebi, com base no que conversamos e no que a banca disse, que as três perspectivas seriam possíveis. Eu, particularmente, gosto mais de trabalhar com pesquisas qualitativa tradicional. Mas não vejo problema em o seu estudo ser desenvolvido conforme Policy Design ou DRS. A partir da sua escolha, vamos adotar um material de base e discuti-lo para aplicação à sua pesquisa. Ainda que isso seja feito, precisaremos encontrar categorias metodológicas específicas para os dados da sua pesquisa, tanto em relação à coleta quando ao tratamento destes. Vamos deixar essas questões bem fundamentadas, do aspecto geral ao mais específico. Esse cuidado, com certeza, permitirá mais rigor ao seu estudo. Lembrando que, após essa fase, ao materializar no trabalho, nos capítulos, essas questões, você precisa justificar cada escolha em relação a um paradigma e teoria. Se isso não for feito (e escrito no texto), a banca pode reclamar, e pode haver mal-entendidos com o seu orientador. Você pode justificar essas questões em parágrafos ao longo do texto ou em nota de rodapé.
Encaminho o link da minha dissertação de mestrado para você verificar como isso foi feito em minha pesquisa. Eu utilizei muitas notas de rodapés para justificar a minha pesquisa (verifique como eu organizei, especialmente, a seção de metodologia científica. Eu trabalhei com vários dados em minha pesquisa (penso que, ao olhar para minha pesquisa e outros trabalhos, você consiga observar melhor o seu. Eu mesmo fiz esse movimento para construir a minha metodologia)):
Ontem conversamos sobre ontologia e epistemologia, você lembra? Ontologia se refere “ao que”, e ontologia ao “porquê”, grosso modo. Lembre-se de que, em sua pesquisa, você retira a lente do profissional, pessoa, e assume a lente do PESQUISADOR. Isso facilitará bastante o seu olhar em relação à aproximação da realidade. Colocar essa lente gera conflitos com as constatações que temos da realidade em relação às nossas emoções etc. Você precisa realizar esse movimento em sua pesquisa para compreendê-la melhor e conseguir ter consciência, como pesquisador, da realidade investigada. Se você não fizer isso por algumas horas, para pensar o seu objeto de estudo, terá problemas posteriormente. Então, imagine a sua pesquisa a partir das várias categorias de investigação. Pergunte-se: é uma pesquisa de campo? É um estudo de revisão bibliográfica? E insira a sua pesquisa (pense-a) em cada categoria definida sobre metodologia. Isso, com certeza, facilitará bastante a organização de toda a sua pesquisa, porque será a base dela.
No quadro a seguir, você pode chegar mais facilmente a essas respostas (quadro 1).
Quadro 1 – dimensão de classificação de pesquisa
| Dimensão de classificação | O que responde | Categorias mais comuns |
| 1. Paradigma filosófico | Como se concebe a realidade e o conhecimento? | Positivismo, Pós-positivismo, Interpretativismo, Construtivismo, Pragmatismo, Teoria Crítica, Realismo Crítico |
| 2. Ontologia | O que é a realidade investigada? | Realista, Relativista, Construtivista, Objetivista |
| 3. Epistemologia | Como o pesquisador conhece essa realidade? | Empirista, Interpretativista, Crítica, Pragmatista |
| 4. Finalidade da pesquisa | Para que serve a pesquisa? | Pesquisa básica, Pesquisa aplicada |
| 5. Natureza do conhecimento produzido | Que tipo de resultado pretende gerar? | Explicativa, Compreensiva, Propositiva, Avaliativa, Normativa, Prescritiva |
| 6. Abordagem metodológica | Como os dados serão tratados? | Qualitativa, Quantitativa, Métodos Mistos |
| 7. Objetivo da pesquisa | Qual o propósito analítico? | Exploratória, Descritiva, Explicativa, Avaliativa, Diagnóstica |
| 8. Estratégia metodológica (design da pesquisa) | Qual a arquitetura geral do estudo? | Estudo de caso, Estudo comparado, Survey, Pesquisa documental, Pesquisa bibliográfica, Pesquisa-ação, Etnografia, Grounded Theory, Fenomenologia, Pesquisa histórica, DSR, Policy Design, Delphi, Pesquisa participante |
| 9. Procedimentos técnicos | Como os dados serão obtidos? | Pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa de campo, estudo de caso, levantamento (survey), pesquisa-ação, experimento |
| 10. Fonte dos dados | De onde vêm os dados? | Primários, Secundários, Mistos |
| 11. Unidade de análise | O que será analisado? | Pessoas, Instituições, Organizações, Documentos, Políticas Públicas, Processos, Redes, Discursos, Casos |
| 12. Técnica de análise | Como os dados serão interpretados? | Análise de Conteúdo, Análise Temática, Análise do Discurso, Análise Documental, Estatística, Análise Comparativa Qualitativa (QCA), Hermenêutica, Análise Institucional |
| 13. Critérios de validade | Como demonstrar qualidade científica? | Triangulação, Saturação, Validação por especialistas, Confiabilidade, Replicabilidade, Auditoria, Member Checking |
| 14. Produto esperado | O que a pesquisa entrega? | Teoria, Modelo, Framework, Artefato, Política Pública, Diretrizes, Manual, Protocolo, Diagnóstico, Recomendações |
| 15. Campo disciplinar predominante | Em que tradição metodológica se insere? | Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Direito, Administração, Saúde, Engenharia, Educação, Linguística |
Tente preencher esse quadro em sua pesquisa. Existem manuais que abordam essas questões de maneira diferenciada. Eu somente inseri um esboço aqui para termos uma ideia de onde partiremos.
No Quadro 2, apresento algumas questões mais práticas dessas escolhas, em nível de metodologia.
Quadro 2 – Onde entram alguns métodos?
| Método | Paradigma predominante | Produto típico |
| Fenomenologia | Interpretativismo | Compreensão da experiência vivida |
| Etnografia | Interpretativismo | Descrição densa de uma cultura ou grupo |
| Grounded Theory | Construtivismo | Construção de teoria a partir dos dados |
| Estudo de Caso | Pragmatismo / Pós-positivismo | Explicação aprofundada de um caso |
| Pesquisa-Ação | Teoria Crítica / Pragmatismo | Mudança social e conhecimento simultaneamente |
| Design Science Research | Pragmatismo | Artefato (framework, sistema, método, protocolo) |
| Policy Design | Pragmatismo | Política pública ou desenho institucional |
| Pesquisa Jurídico-Propositiva | Pragmatismo / Hermenêutica | Proposta normativa ou institucional |
| Pesquisa Histórica | Interpretativismo | Reconstrução histórica |
| Análise do Discurso | Interpretativismo / Crítica | Explicação dos sentidos produzidos nos discursos |
Obs: você pode cruzar dados, métodos. O desenho de sua pesquisa pode ser, também, multifacetado.
Vale lembrar que toda metodologia precisa de um corpo teórico, inclusive para a análise de dados. Você não analisa dados, apenas, com base em metodologia, mas à luz, também, de determinado paradigma e teorias. A escolha das teorias e os paradigmas de sua pesquisa têm de se articular à metodologia.
O professor avaliador da área do Direito disse, pelo que eu entendi, que gostou da sua tese. E os professores de engenharia e administração falaram mais da metodologia. Alguns disseram que o método é “questionado”, como conversamos. Eu mesmo já havia mencionado essas questões para você na Revisão. Hoje, consigo perceber melhor que a sua pesquisa, nesse momento em relação ao que você fez, é uma coisa, mas a metodologia diz que é outra.
Veja só como você organizou:
- revisão bibliográfica;
- análise documental;
- direito comparado;
- filtragem jurídica;
- entrevistas com especialistas;
- triangulação;
- construção de diretrizes;
- construção de um artefato.
Pelo que eu pesquisei, está mais próxima de uma pesquisa jurídico-propositiva com triangulação metodológica do que de uma DSR “clássica”.
A banca provavelmente percebeu que você afirma fazer Design Science Research, mas cadê o ciclo da DSR? Na DSR, normalmente, há:
- identificação do problema;
- definição dos objetivos da solução;
- construção do artefato;
- demonstração;
- avaliação;
- refinamento;
- comunicação.
Na sua tese, essa organização não está clara.
Há, entretanto:
- revisão;
- comparação internacional;
- análise jurídica;
- entrevistas;
- elaboração de diretrizes.
O que não é muito parecido com o modelo clássico de uma DSR, pelo que eu pesquisei.
Eu já havia comentado com você: o “artefato” da tese é uma política institucional. Mas ela não será implementada em nenhuma universidade (pergunte-se, como pesquisador, qual a necessidade disso, em termos práticos, para a sociedade). O fato de você apenas propor o artefato aproxima a sua pesquisa mais do Policy Design (temos de adentrar mais nesse método para compreendê-lo melhor, caso você opte por ele).
Se eu fosse você, eu abandonaria a DSR. E a banca já deu indícios disso.
Outras possibilidades para a sua pesquisa (4 possibilidades):
Pesquisa jurídico-propositiva com:
abordagem qualitativa;
estudo comparado;
análise documental;
entrevistas;
triangulação metodológica.
E o produto final seria:
diretrizes jurídico-institucionais.
Sem falar em DSR.
Policy Design
Essa metodologia conversa muito melhor com:
governança;
desenho institucional;
políticas universitárias.
Pesquisa de desenvolvimento de modelo jurídico-institucional
Sem chamar de artefato.
No Direito isso é muito mais natural.
Pesquisa qualitativa aplicada
direito comparado;
análise documental;
entrevistas;
construção normativa.
Sugestões para você manter no seu trabalho:
pesquisa qualitativa;
pesquisa jurídico-propositiva;
direito comparado;
Policy Design como referencial para construção das diretrizes.
Mas veja o que você acha. Isso pode ser modificado ao longo do percurso, mas precisa ser justificado. A base já está aí.
Vale lembrar que o Direito não casa muito, penso, com essa DSR. Como você é do Direito, pode fazer muito mais sentido você reconstruir o capítulo metodológico em torno de uma pesquisa jurídico-propositiva, utilizando o Policy Design apenas como referencial teórico para a elaboração das diretrizes, e não como método de pesquisa ou “misturar” com o item 4 que mencionei anteriormente. Na minha avaliação, essa mudança preserva praticamente todo o trabalho já realizado (revisão bibliográfica, análise documental, estudo comparado, entrevistas e triangulação) e elimina a principal fonte de tensão apontada pela banca (em relação à metodologia). Isso significa que o esforço será em reenquadrar metodologicamente a tese, e não em refazer a pesquisa.
Veja este quadro (quadro 3) com os três principais aspectos anteriores que eu mencionei.
Quadro 3 – aspectos da investigação
| Aspecto | Pesquisa Qualitativa Tradicional | Policy Design | Design Science Research (DSR) |
| Objetivo | Compreender um fenômeno | Projetar uma política ou desenho institucional | Projetar um artefato para resolver um problema |
| Pergunta típica | Como ocorre determinado fenômeno? | Como uma política deve ser desenhada? | Como construir uma solução para um problema? |
| Dados | Entrevistas, documentos, observação, legislação, grupos focais | Os mesmos dados da pesquisa qualitativa | Também usa esses dados, mas para construir um artefato |
| Coleta de dados | Sim | Sim | Sim |
| Revisão bibliográfica | Sim | Sim | Sim |
| Entrevistas | Sim | Sim | Sim |
| Análise documental | Sim | Sim | Sim |
| Direito comparado | Sim | Sim | Pode usar |
| Resultado | Explicação ou interpretação | Modelo de política, diretrizes, desenho institucional | Artefato (framework, método, sistema, ferramenta, protocolo) |
| Precisa implementar? | Não | Não necessariamente | Em regra, sim, ou ao menos demonstrar e avaliar |
| Validação | Saturação, triangulação, coerência, especialistas | Consistência e adequação do desenho da política | Avaliação do artefato em uso, simulação, estudo de caso, especialistas (dependendo do tipo de DSR) |
| Origem | Ciências Sociais | Políticas Públicas | Engenharia, Computação, Sistemas de Informação[…1] |
Aliás, é muito comum em doutorados interdisciplinares: o pesquisador adota um método “da moda” (DSR, Grounded Theory, Design Thinking etc.), quando a pesquisa já se sustenta perfeitamente como uma pesquisa qualitativa robusta, documental, comparada e propositiva. Escolher e pensar o método é algo de natureza mais da sua subjetividade como pesquisador, não é algo que deve vir “de fora”.
Você pode pensar o seguinte também: trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada e caráter jurídico-propositivo, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica, documental, análise do direito comparado e entrevistas semiestruturadas com especialistas. Os dados são analisados por triangulação metodológica e utilizados para fundamentar a construção de diretrizes jurídico-institucionais para a formulação de uma política universitária de participação societária em spin-offs acadêmicas.
Posteriormente a essa segmentação, adotaremos o material metodológico para melhor nortear o nosso caminho. Eu fiz uma longa pesquisa sobre o que há disponível hoje. Algumas sugestões:
Manual clássico de metodologia em Ciências Sociais
Ele responde questões como:
- natureza da pesquisa;
- abordagem qualitativa;
- pesquisa aplicada;
- triangulação;
- validade;
- confiabilidade;
- estudos documentais;
- entrevistas;
- análise qualitativa.
John W. Creswell
Research Design: Qualitative, Quantitative and Mixed Methods Approaches
Ele explica:
- estudo qualitativo;
- pesquisa aplicada;
- estudo de caso;
- grounded theory;
- fenomenologia;
- pesquisa mista.
Serve muito bem para Ciências Sociais Aplicadas.
Norman Denzin & Yvonna Lincoln
The SAGE Handbook of Qualitative Research
Muito mais profundo.
Discute:
- epistemologia;
- validade;
- triangulação;
- paradigmas;
- construção do conhecimento.
Uwe Flick
An Introduction to Qualitative Research
Explica:
- entrevistas;
- documentos;
- observação;
- análise;
- qualidade da pesquisa.
Se você optar por algo específico sobre Policy Design, teremos de encontrar outra solução mais específica:
Michael Howlett
Designing Public Policies
The Policy Design Primer
Guy Peters
Advanced Introduction to Public Policy
Policy Problems and Policy Design
Schneider & Ingram
Policy Design for Democracy
Se insistir no Design Science Research (não recomendo)
Ken Peffers
Design Science Research Methodology
Hevner
O artigo clássico de 2004.
Vaishnavi & Kuechler
Design Science Research in Information Systems
Fará muito sentido também buscar literatura em Políticas Públicas, pela ponte entre Direito, Administração e Ciências Sociais.
[…1]Isso daqui é extremamente importante para você compreender melhor onde está “pisando”…
Uma questão importante: PESQUISA APLICADA NÃO É MÉTODO EM SI, É FINALIDADE.
Você, talvez, se pergunte: Anderson, como surgiram as pesquisas em Ciências Sociais?
Durante muito tempo (século XIX e início do XX), a ideia era que as Ciências Sociais deveriam imitar as Ciências Naturais.
A lógica era:
observar → explicar → formular leis.
Essa influência veio principalmente de:
- Auguste Comte;
- Durkheim;
- positivismo.
Depois começaram as críticas.
Max Weber dizia:
Nas Ciências Sociais não basta explicar.
É preciso compreender o sentido das ações humanas.
Nasce então uma tradição interpretativa.
Depois vêm:
- fenomenologia;
- hermenêutica;
- interacionismo simbólico;
- etnometodologia;
- análise crítica.
Essas correntes passam a dizer:
O pesquisador não estuda apenas fatos.
Ele estuda pessoas, instituições, discursos e relações sociais.
Surge a pesquisa qualitativa. Principalmente nos EUA e Inglaterra. Em vez de medir variáveis, o pesquisador passa a perguntar:
- Como as pessoas interpretam determinado fenômeno?
- Como determinada instituição funciona?
- Como determinado processo acontece?
Daí surgem:
- entrevistas;
- observação;
- grupos focais;
- análise documental;
- etnografia.
É a metodologia que eu falei para você bastante comum na minha área, a Linguística.
Depois surgiu outro movimento. A partir dos anos 1970 e 1980, principalmente na Administração e Engenharia, alguns pesquisadores disseram:
Não basta compreender.
Precisamos resolver problemas.
É aí que aparecem pesquisas como:
- Action Research;
- Design Science;
- Implementation Science;
- Policy Design.
Todas têm um objetivo parecido, ou seja, produzir mudança.
Assim, surgem dois grandes grupos (Grupo A e Grupo B).
Grupo A
Pesquisas que querem compreender.
Exemplo:
Como os juízes fundamentam suas decisões?
Como professores utilizam IA?
Como uma comunidade produz identidade?
O objetivo é gerar conhecimento.
Grupo B
Pesquisas que querem transformar.
Exemplo:
Como criar uma política pública?
Como desenvolver um protocolo?
Como construir um sistema?
Como melhorar um serviço?
O objetivo é gerar intervenção.
Nesse cenário, podemos pensar, também, a pesquisa aplicada. Muita gente pensa que pesquisa aplicada é um método. Não é. É uma finalidade. Cuidado com essas questões.
Pesquisa aplicada costuma perguntar:
Como o conhecimento pode resolver um problema?
Exemplo:
Como elaborar uma política linguística para escolas bilíngues?
O método pode ser exatamente o mesmo.
A diferença está na finalidade.
Anderson, então pesquisa aplicada pode ser qualitativa?
Sim.
Aliás…
A maioria é.
Exemplo:
Entrevistas
↓
Análise documental
↓
Grupos focais
↓
Construção de recomendações.
Isso é extremamente comum.
Agora, vamos pensar no Policy Design
Imagine:
Existe um problema.
Universidades brasileiras não conseguem participar de spin-offs.
Uma pesquisa qualitativa perguntaria:
Por quê?
O Policy Design pergunta:
Como desenhar uma política que resolva isso?
Percebe?
Ele ainda usa:
- entrevistas;
- documentos;
- legislação;
- comparação internacional.
Mas o produto deixa de ser apenas conhecimento.
Passa a ser:
uma política.
Já a Design Science muda novamente
Ela pergunta:
Como construir um artefato que resolva esse problema?
O artefato pode ser:
- software;
- framework;
- protocolo;
- checklist;
- algoritmo;
- método.
Curiosamente, na minha área, existe um campo chamado Linguística Aplicada, que faz algo muito parecido com Policy Design. Ela observa. Analisa. Entrevista. Interpreta. E depois… propõe intervenção.
Então por que ninguém chama de Design Science, Anderson? Porque historicamente a Linguística Aplicada surgiu em outra tradição.
Ela se originou da:
- educação;
- sociolinguística;
- pragmática;
- análise do discurso.
Não da Engenharia.
Então ela nunca precisou importar a DSR.
Espero que esse material tenha ajudado.
Vamos conversando.