Sobre Anderson Hander Brito Xavier

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Vigilância e poder disciplinar

A vigilância, assim como as sanções normatizadoras, representa um recurso para o poder disciplinar, que é capaz de atuar em sua função de adestramento. Segundo Foucault (2004, p. 203):

[…] disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, e que é apenas um modelo reduzido do tribunal. O que pertence à penalidade disciplinar é a inobservância, tudo o que está inadequado à regra, tudo o que se afasta dela, os desvios. É passível de pena o campo indefinido do não conforme: o soldado comete uma “falta” cada vez que não atinge o nível requerido; a “falta” do aluno é, assim como um delito menor, uma inaptidão a cumprir suas tarefas. O regulamento da infantaria prussiana impunha tratar com “todo o rigor possível” o soldado que não tivesse aprendido a manejar corretamente o fuzil.

 E, para ele, o regime de visibilidade institucionalizado será dissolvido nas várias instituições da sociedade moderna, entre elas, escolas, hospitais (2004, p. 234):

[…] enquanto por um lado os estabelecimentos de disciplina se multiplicam, seus mecanismos têm uma certa tendência a se desinstitucionalizar, a sair das fortalezas fechadas onde funcionavam e a circular em estado “livre”; as disciplinas maciças e compactas se decompõem em processos flexíveis de controle, que se pode transferir e adaptar. Às vezes, são os aparelhos fechados que acrescentam à sua função interna e específica um papel de vigilância externa desenvolvendo uma margem de controles laterais.

Trecho de dissertação de mestrado de Anderson Hander.

Para citar: Xavier, Anderson Hander Brito. Viajar e punir: processos interacionais e discursivos para (des)construção de cidadania(s) na Companhia do Metropolitano do Distrito Federal. Dissertação. Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas. Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Capítulo 4: Identificação de aspectos de cidadania

4.4 Análise 3: segurança

Link para download e consulta de referências: http://criteriorevisao.com.br/processos-interacionais-e-discursivos/

Sociedades disciplinares

Trecho de dissertação de mestrado de Anderson Hander.

Para citar: Xavier, Anderson Hander Brito. Viajar e punir: processos interacionais e discursivos para (des)construção de cidadania(s) na Companhia do Metropolitano do Distrito Federal. Dissertação. Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas. Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Capítulo 4: Identificação de aspectos de cidadania

4.4 Análise 3: segurança

As sociedades disciplinares, na visão de Foucault (2004, p. 173), representam marco na transição entre formas de dominação na sociedade. Essa transição ocorreu principalmente quando o poder enfraqueceu-se nos modelos de punição, como os tradicionais da inquisição, e recaiu sobre a investidura na vigilância. O Panóptico é símbolo dessa transição:

 Duas imagens, portanto da disciplina. Num extremo, a disciplina – bloco, a instituição fechada, estabelecida à imagem, e toda voltada para funções negativas: fazer para o mal, romper as comunicações, suspender o tempo. No outro extremo, com o panoptismo, temos a disciplina – mecanismos: um dispositivo funcional que deve melhorar o exercício do poder tornando-o mais rápido, mais leve, mais eficaz, um desenho das coerções subtis para uma sociedade que está por vir. O movimento que vai de um projecto ao outro, de um esquema da disciplina de exceção ao de uma vigilância generalizada, repousa sobre uma transformação histórica: a extensão progressiva dos dispositivos de disciplina ao longo dos séculos XVII e XVIII, sua multiplicação através de todo o corpo social, a formação do que se poderia chamar grosso modo, a sociedade disciplinar.

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Discurso higienista

Segundo Oliveira & Pykosz (2009), o movimento higienista pode ser caracterizado como um projeto relativo à intervenção social na modernidade ocidental:

 O movimento higienista pode ser caracterizado como um dos mais ambiciosos projetos de intervenção social que conheceu a modernidade ocidental. Pretendendo mais que definir novos padrões de saúde, tinha, na educação de novas formas de sensibilidade, uma das suas principais motivações. Cobrindo uma gama muito ampla de saberes e práticas com claro fito de intervenção sobre a vida pública e privada, como movimento conheceu avanços e retrocessos e comportou uma dispersão discursiva que ganhava matizes diferençados nos tempos e lugares onde ressoava. As preocupações com a infância ¾ nascimento, lactação, banhos, asseio corporal, vestuário ¾, com a vida doméstica ¾ saúde e papel social da mulher, limpeza, prevenção de doenças e vícios como o álcool e o jogo ¾ e com o espaço público – urbanização, ordem, combate à propagação de moléstias e epidemias ¾ formam um conjunto nada desprezível sobre o que pode ser caracterizado como moderno e modernizador, ainda que iniciativas voltadas para a saúde individual e social não sejam prerrogativas apenas dos tempos modernos […]

 O projeto higienista, dessa forma, trabalhou sobre dois aspectos: disciplinar, sobre o corpo e sobre a moral. Dessa forma, o discurso de higiene se transformou em um campo de luta política e moral, em que o Estado, junto com o discurso modernista, adentrou um dos últimos redutos do espaço privado: o corpo. O Estado se apoderou do discurso ¾ oriundo da ciência ¾ para determinar acesso/restrição a determinados espaços/públicos, autodeterminando-se como único agente capaz de solucionar problemas de ordem social, naturalizando os discursos das classes dominantes que pretendiam “europeizar” as cidades brasileiras, segregando e excluindo as parcelas mais pobres da população dos centros urbanos e da visibilidade. O Estado, assim, pode atuar disciplinarmente sobre os corpos e impor determinada moral, visto que “a higiene pública é sempre a garantia da paz e felicidade de um povo, todos os males e desgraças vêm, é certo, de seu abandono” (DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1908, p. 1).

O discurso higienista revelou seu aspecto moral, de forma mais ou menos aparente, nas reformas modernizadoras e urbanísticas da Primeira República no Rio de Janeiro. Não só se combatia o risco de epidemias, como se pretendia eliminar o “feio”, ou seja, tudo aquilo que não estivesse alinhado aos gostos estéticos da classe dominante. De acordo com Patto (1999, p. 179), o discurso higienista (materializado em políticas públicas) está relacionado a um determinado padrão estético/moral e a um projeto de exclusão social.

A ciência, nesse contexto, se alinha ao Estado, oferecendo uma série “de táticas capazes de responder aos anseios das estratégias de Estado […] servindo [os cientistas] de mediadores e intérpretes dos interesses do Estado pela saúde” (PAULA, 2004, p. 61). Esse alinhamento não é neutro, como afirma Costa (1999, p. 20).

O discurso sobre higiene também se articula ao de segurança. Nesse sentido, a higiene é utilizada para impedir determinados comportamentos considerados como potencialmente perigosos, ou fatores de risco ou de contaminação física.

Trecho de dissertação de mestrado de Anderson Hander.

Para citar: Xavier, Anderson Hander Brito. Viajar e punir: processos interacionais e discursivos para (des)construção de cidadania(s) na Companhia do Metropolitano do Distrito Federal. Dissertação. Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas. Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Capítulo 4: Identificação de aspectos de cidadania

4.3 Análise 2: higiene

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