Sobre Anderson Hander Brito Xavier

Somos uma empresa especializada em revisão, padronização e diagramação de textos. Atuamos no mercado há seis anos, possuímos registro no CNPQ e 11 atestes de capacidade técnica. A nossa equipe é composta por mestres, especialistas e graduados pela Universidade de Brasília (UnB).

Uso de verbos (e tempo verbal) em teses de doutorado (USP)

O Guia de Teses e Dissertações da USP (2018) traz algumas orientações em relação ao uso de verbos e tempo verbal nas teses de doutorado. Segundo o manual, o tempo verbal predominante deve ser o presente do indicativo, uma vez que este transmite a ideia de atualidade e permanência.

Além disso, o guia sugere que os verbos devem ser usados de maneira precisa e objetiva, evitando-se a subjetividade e a ambiguidade. A recomendação é que sejam utilizados verbos de ação, evitando-se o uso excessivo de verbos de ligação e verbos no modo subjuntivo, que podem gerar imprecisão e falta de clareza na escrita.

O manual destaca também a importância de se manter a coerência temporal ao longo do texto, evitando-se mudanças abruptas no tempo verbal. A sugestão é que se escolha um tempo verbal predominante e que as alterações de tempo verbal sejam feitas de maneira coerente e com a devida justificativa.

Referência

Universidade de São Paulo. (2022). Guia de redação de dissertações e teses. Recuperado em 22 de fevereiro de 2023, de https://www.teses.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=85&Itemid=69

Foucault e o Revisor

Michel Foucault

A obra do filósofo francês Michel Foucault é amplamente estudada em diversas áreas do conhecimento, e, inclusive, pode ser aplicada à Revisão de Textos.

A partir de conceitos como poder, discurso e conhecimento, é possível pensar a área revisão como uma prática que não apenas busca corrigir erros gramaticais e ortográficos, mas também implicada em relações de poder e conhecimento.

Discurso, poder e Revisão de Textos

Uma das principais contribuições de Foucault para a Revisão de Textos é a sua crítica à ideia de que a linguagem é um instrumento neutro e transparente, capaz de transmitir a realidade de forma objetiva e universal. Segundo Foucault, a linguagem é um campo de disputa, no qual diferentes formas de conhecimento e poder se confrontam e se entrelaçam.

Dessa forma, a Revisão de Textos não pode ser vista como uma prática técnica e neutra, mas também como uma prática política, que está implicada em relações de poder e de conhecimento.

O Revisor de Textos não apenas corrige erros gramaticais e ortográficos, mas também está envolvido em decisões sobre o que deve ou não ser incluído no texto, como o texto deve ser organizado e estruturado, o estilo, o contexto de circulação…

As contribuições de Foucault…

Outra contribuição de Foucault para pensar a Revisão de Textos é a sua teoria do discurso. Segundo Foucault, o discurso não é apenas um conjunto de palavras e frases, mas sim um conjunto de práticas sociais e institucionais que produzem e reproduzem formas de conhecimento e poder.

Dessa forma, a Revisão de Textos não pode ser vista apenas como uma prática linguística, mas sim como uma prática discursiva, que está implicada em práticas sociais e institucionais (e isso leva o Revisor para muito além de uma simples Revisão).

Nesse sentido, a revisão de textos pode ser vista como uma prática que participa da (des)construção do discurso, uma vez que o Revisor de Textos tem o poder de selecionar e organizar as informações que serão transmitidas ao público, e de decidir quais ideias e perspectivas serão incluídas ou excluídas do texto.

O Revisor de Textos, portanto, tem um papel importante para a construção do discurso, e deve estar atento aos efeitos de poder que suas escolhas podem ter sobre o texto e sobre o público.

O poder do Revisor

Por fim, a teoria de Foucault sobre o poder pode contribuir para uma reflexão crítica sobre a Revisão de Textos. Segundo Foucault, o poder não é uma entidade que possa ser possuída ou exercida por um sujeito ou instituição, mas sim uma relação que permeia todas as práticas sociais e institucionais.

Dessa forma, a Revisão de Textos não pode ser vista apenas como uma prática técnica e isolada, mas sim como uma prática que está implicada em relações de poder mais amplas.

O Revisor de Textos deve estar atento aos efeitos de poder que suas escolhas podem ter sobre o texto e sobre o público.

Ele deve questionar as formas dominantes de conhecimento e poder que estão presentes no texto, e buscar promover perspectivas mais democráticas e inclusivas. Além disso, ele deve estar atento às relações de poder que permeiam as instituições e práticas em que está inserido.

Obs: neste texto, conceituo texto como a materialização de discurso(s).