Sobre Anderson Hander Brito Xavier

Somos uma empresa especializada em revisão, padronização e diagramação de textos. Atuamos no mercado há seis anos, possuímos registro no CNPQ e 11 atestes de capacidade técnica. A nossa equipe é composta por mestres, especialistas e graduados pela Universidade de Brasília (UnB).

Funes, o memorioso

Recordo-o (não tenho o direito de pronunciar esse verbo sagrado, apenas um homem na terra teve o direito e tal homem está morto) com uma obscura passiflórea na mão, vendo-a como ninguém jamais a vira, ainda que a contemplasse do crepúsculo do dia até o da noite, uma vida inteira. Recordo-o, o rosto taciturno e indianizado e singularmente remoto, por trás do cigarro. Recordo (creio) suas mãos delicadas de trançador. Recordo próximo dessas mãos um mate, com as armas da Banda Oriental, recordo na janela da casa uma esteira amarela, com uma vaga paisagem lacustre. Recordo claramente a sua voz; a voz pausada, ressentida e nasal de orillero antigo, sem os assobios italianos de agora. Mais de três vezes não o vi; a última, em 1887… Parece-me muito feliz o projeto de que todos aqueles que o conheceram escrevam sobre ele; meu testemunho será por certo o mais breve e sem dúvida o mais pobre, porém não o menos imparcial do volume que vós editareis. A minha deplorável condição de argentino impedir-me-á de incorrer no ditirambo – gênero obrigatório no Uruguai; quando o tema é um uruguaio. Literato, cajetilla, porteño. Funes não disse essas palavras injuriosas, mas de um modo suficiente me consta que eu representava para ele tais desventuras. Pedro Leandro Ipuche escreveu que Funes era um precursor dos super-homens; “Um Zaratustra cimarrón e vernáculo“; não o discuto, mas não se deve esquecer que era também natural de Fray Bentos, com certas limitações incuráveis.

A minha primeira lembrança de Funes é muito clara. Vejo-o em um entardecer de Março ou Fevereiro do ano de 1884. Meu pai, nesse ano, levara-me a veranear em Fray Bentos. Voltava com meu primo Bernardo Haedo da estância de San Francisco. Voltávamos cantando, a cavalo, e essa não era a única circunstância da minha felicidade. Após um dia abafado, uma enorme tempestade cor cinza escura havia escondido o céu. Alentava-me o vento Sul, já enlouqueciam-se as árvores; eu tinha o temor (a esperança) de que nos surpreenderia em um descampado a água elemental. Apostamos uma espécie de corrida com a tempestade. Entramos em um desfiladeiro que se aprofundava entre duas veredas altíssimas de tijolo. Escurecera repentinamente; ouvi passos rápidos e quase secretos no alto; levantei os olhos e vi um rapaz que corria pela vereda estreita e esburacada como que por uma parede estreita e esburacada. Recordo a bombacha, as alpargatas, recordo o cigarro no rosto duro, contra a densa nuvem já sem limites. Bernardo gritou-lhe imprevisivelmente: Que horas são, Ireneo? Sem consultar o céu, sem deter-se, o outro respondeu: Faltam quatro minutos para as oito, jovem Bernardo Juan Francisco. A voz era aguda, zombeteira.

Sou tão distraído que o diálogo a que acabo de me referir não teria chamado a minha atenção se não o tivesse enfatizado o meu primo, a quem estimulavam (creio) certo orgulho local, e o desejo de mostrar-se indiferente à réplica tripartite do outro.

Disse-me que o rapaz do desfiladeiro era um tal Ireneo Funes, conhecido por algumas peculiaridades como a de não se dar com ninguém e a de saber sempre a hora, como um relógio. Complementou dizendo que era filho de uma passadeira do povo, Maria Clementina Funes, e que alguns diziam que seu pai era um médico de saladeiro, um inglês O’Connor, e outros um domador ou rastreador do departamento de Salto. Vivia com a sua mãe, na curva da quinta dos Laureles.

Nos anos de 1885 e 1886 veraneamos na cidade de Montevideo. Em 1887 voltei a Fray Bentos. Perguntei, como é natural, por todos os conhecidos e, finalmente, pelo “cronométrico Funes”. Responderam-me que um redomão o havia derrubado na estância de San Francisco, e que havia se tornado paralítico, sem esperança. Recordo a sensação de incômoda magia que a notícia despertou-me: a única vez que eu o vi, vínhamos a cavalo de San Francisco e ele andava em um lugar alto; o fato, na boca do meu primo Bernardo, tinha muito de sonho elaborado com elementos anteriores. Disseram-me que não se movia da cama, os olhos repousados na figueira do fundo ou em uma teia de aranha. Ao entardecer, permitia que o levassem para perto da janela. Levava a arrogância ao ponto de simular que era benéfico o golpe que o havia fulminado… Duas vezes o vi atrás da relha, que toscamente enfatizava a sua condição de eterno prisioneiro; uma, imóvel, com os olhos cerrados; outra, imóvel também, absorto na contemplação de um aromático galho de santonina.

Não sem um certo orgulho havia iniciado naquele tempo o estudo metódico do latim. A minha mala incluía o De viris illustribus de Lhamond, o Thesaurus de Quicherat, os comentários de Júlio César e um volume ímpar da Naturalis historia de Plínio, que excedia (e continua excedendo) as minhas modestas virtudes de latinista. Tudo se propaga em um povoado; Ireneo, em seu rancho das orillas, não tardou em enteirar-se da chegada desses livros anômalos. Dirigiu-me uma carta florida e cerimoniosa, na qual recordava no encontro, desditosamente fugaz, “do dia 7 de Fevereiro de 1884″, ponderava os gloriosos serviços que Don Gregorio Haedo, meu tio, falecido nesse mesmo ano, “havia prestado às duas pátrias na valorosa jornada de Ituzaingó”, e me solicitava o empréstimo de qualquer dos volumes, acompanhado de um dicionário “para a boa intelecção do texto original, pois todavia ignoro o latim”. Prometia devolvê-los em bom estado, quase imediatamente. A letra era perfeita, muito perfilada; a ortografia, do tipo que Andrés Bello preconizou: i por y, j por g. A princípio, suspeitei naturalmente tratar-se de uma zombaria. Meus primos asseguraram que não, que eram coisas de Ireneo. Não sabia se atribuía ao atrevimento, à ignorância ou à estupidez a ideia de que o árduo latim não requeresse mais instrumento do que um dicionário; para desencorajá-lo completamente enviei-lhe o Gradus ad parnassum de Quicherat e a obra de Plínio.

No dia 14 de Fevereiro telegrafaram-me de Buenos Aires que voltasse imediatamente, pois meu pai não estava “nada bem”. Deus me perdôe; o prestígio de ser o destinatário de um telegrama urgente, o desejo de comunicar a toda Fray Bentos a contradição entre a forma negativa da notícia e o peremptório advérbio, a tentação de dramatizar a minha dor, fingindo um estoicismo viril, talvez distraíram-me de toda a possibilidade de dor. Ao fazer a mala, notei que me faltavam o Gradus e o primeiro tomo da Naturalis historia. O “Saturno” sarpava no dia seguinte, pela manhã; essa noite, depois da janta, dirigi-me à casa de Funes. Assombrou-me que a noite fora não menos pesada que o dia.

No humilde rancho, a mãe de Funes recebeu-me.

Disse-me que Ireneo estava no quarto dos fundos e que não me estranhasse encontrá-lo às escuras, pois Ireneo preferia passar as horas mortas sem acender a vela. Atrevessei o pátio de lajota, o pequeno corredor; cheguei ao segundo pátio. Havia uma parreira; a escuridão pareceu-me total. Ouvi prontamente a voz alta e zombeteira de Ireneo. Essa voz falava em latim; essa voz (que vinha das trevas) articulava com moroso deleite um discurso, ou prece, ou encantamento. Ressoavam as sílabas romanas no pátio de terra; o meu temor as tomava por indecifráveis, intermináveis; depois, no enorme diálogo dessa noite, soube que formavam o primeiro parágrafo do 24o capítulo do 7o livro da Naturalishistoria. O tema desse capítulo é a memória: as últimas palavras foram ut nihil non iisdem verbis redderetur auditum.

Sem a menor mudança de voz, Ireneo disse-me o que se passara. Estava na cama, funmando. Parece-me que não vi o seu rosto até a aurora; creio lembrar-me da brasa momentânea do cigarro. O quarto exalava um vago odor de umidade. Sentei-me, repeti a estória do telegrama e da enfermidade de meu pai.

Chego, agora, ao ponto mais difícil do meu relato. Este (é bem verdade que já o sabe o leitor) não tem outro argumento senão esse diálogo de há já meio século. Não tratarei de reproduzir as suas palavras, irrecuperáveis agora. Prefiro resumir com veracidade as muitas coisas que me disse Ireneo. O estilo indireto é remoto e débil; eu sei que sacrifico a eficácia do meu relato; que os meus leitores imaginem os períodos entrecortados que me abrumaram essa noite.

Ireneo começou por enumerar, em latim e espanhol, os casos de memória prodigiosa registrados pela Naturalis historia: Ciro, rei dos persas, que sabia chamar pelo nome todos os soldados de seus exércitos; Metríadates e Eupator, que administrava a justiça dos 22 idiomas de seu império; Simónides, inventor da mnemotecnia; Metrodoro, que professava a arte de repetir com fidelidade o escutado de uma só vez. Com evidente boa fé maravilhou-se de que tais casos maravilharam. Disse-me que antes daquela tarde chuvosa em que o azulego o derrubou, ele havia sido o que são todos os cristãos; um cego, um surdo, um tolo, um desmemoriado. (Tratei de recordar-lhe a percepção exata do tempo, a sua memória de nomes próprios; não me fez caso.) Dezenove anos havia vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo. Ao cair, perdeu o conhecimento; quando or ecobrou, o presente era quase intolerável de tão rico e tão nítido, e também as memórias mais antigas e mais triviais. Pouco depois averiguou que estava paralítico. Fato pouco o interessou. Pensou (sentiu) que a imobilidade era um preço mínimo. Agora a sua percepção e sua memória eram infalíveis.

Num rápido olhar, nós percebemos três taças em uma mesa; Funes, todos os brotos e cachos e frutas que se encontravam em uma parreira. Sabia as formas das nuvens austrais do amanhecer de trinta de abril de 1882 e podia compará-los na lembrança às dobras de um livro em pasta espanhola que só havia olhado uma vez e às linhas da espuma que um remo levantou no Rio Negro na véspera da ação de Quebrado. Essas lembranças não eram simples; cada imagem visual estava ligada a sensações musculares, térmicas, etc. Podia reconstruir todos os sonhos, todos os entresonhos. Duas ou três vezes havia reconstruído um dia inteiro, não havia jamais duvidado, mas cada reconstrução havia requerido um dia inteiro. Disse-me: Mais lembranças tenho eu do que todos os homens tiveram desde que o mundo é mundo. E também: Meus sonhos são como a vossa vigília. E também, até a aurora; Minha memória, senhor, é como depósito de lixo. Uma circunferência em um quadro-negro, um triângulo retângulo; um losango, são formas que podemos intuir plenamente; o mesmo se passava a Ireneo com as tempestuosas crinas de um potro, com uma ponta de gado em um coxilha, com o fogo mutante e com a cinza inumerável, com as muitas faces de um morto em um grande velório. Não sei quantas estrelas via no céu.

Essas coisas me disse; nem então nem depois coloquei-as em dúvida. Naquele tempo não havia cinematógrafos nem fonógrafos; é, no entanto, verossímil e até incrível que ninguém fizera um experimento com Funes. O cérto é que vivemos postergando todo o postergável; talvez todos saibamos pronfundamente que somos imortais e que mais cedo ou mais tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.

A voz de Funes, vinda da escuridão, seguia falando.

Disse-me que em 1886 havia elaborado um sistema original de numeração e que em muito poucos dias havia ultrapassado vinte e quatro mil. Não o havia escrito, porque o pensado uma só vez já não podia desvanecer-lhe. Seu primeiro estímulo, creio, foi o descontentamento de que os trinta e três uruguaios requeressem dois signos e três palavras, em lugar de uma só palavra e um só signo. Aplicou logo esse desparatado princípio aos outros números. Em lugar de sete mil e treze, dizia (por exemplo) Máximo Pérez; em lugar de sete mil e catorze, A Ferrovia; outros números eram Luis Melián Lafinur, Olivar, enxofre, os rústicos, a baleia, o gás, a caldeira, Napoleão, Agustín de Vedia. Em lugar de quinhentos, dizia nove. Cada palavra tinha um signo particular, uma espécie de marca; as últimas eram muito complicadas… Eu tratei de explicar-lhe que essa rapsódia de vozes desconexas era precisamente o contrário de um sistema de numeração. Eu lhe observei que dizer 365 era dizer três centenas, seis dezenas, cinco unidades; análise que não existe nos “números”. O Negro Timoteo a manta de carne. Funes não me entendeu ou não quis me entender.

Locke, no século XVII, postulou (ou reprovou) um idioma impossível no qual cada coisa individual, cada pedra, cada pássaro e cada ramo tivesse um nome próprio; Funes projetou alguma vez um idioma análogo, mas o desejou por parecer-lhe demasiado geral, demasiado ambígüo. De fato, Funes não apenas recordava cada folha de cada árvore de cada monte, mas também cada uma das vezes que a havia percebido ou imaginado. Resolveu reduzir cada uma de suas jornadas pretéritas a umas setenta mil lembranças, que definiria logo por cifras. Dissuadiram-no duas considerações: a consciência de que a tarefa era interminável, a consciência de que era inútil. Pensou que na hora da morte não havia acabo ainda de classificar todas as lembranças da infância.

Os dois projetos que foi indicado (um vocabulário infinito para a série natural dos números, um inútil catálogo mental de todas as imagens da lembrança) são insensatos, mas revelam certa balbuciante grandeza. Nos deixam vislumbrar ou inferir o vertiginoso mundo de Funes. Este, não o esqueçamos, era quase incapaz de idéias gerais, platônicas. Não apenas lhe custava compreender que o símbolo genérico cão abarcava tantos indivíduos díspares de diversos tamanhos e diversa forma; perturbava-lhe que o cão das três e catorze (visto de perfil) tivesse o mesmo nome que o cão das três e quatro (visto de frente). Sua própria face no espelho, suas próprias mãos, surpreendiam-no cada vez. Comenta Swift que o imperador de Lilliput discernia o movimento do ponteiro dos minutos; Funes discernia continuamente os avanços tranqüilos da corrupção, das cáries, da fatiga. Notava os progressos da morte, da umidade. Era o solitário e lúcido espectador de um mundo multiforme, instantâneo e quase intolerantemente preciso. Babilônia, Londres e Nova York têm preenchido com feroz esplendor a imaginação dos homens; ninguém, em suas torres populosas ou em suas avenidas urgentes, sentira o calor e a pressão de uma realidade tão infatigável como a que dia e noite convergia sobre o infeliz Ireneo, em seu pobre subúrbio sulamericano. Era-llhe muito difícil dormir. Dormir é distrair-se do mundo; Funes, de costas na cama, na sombra, figurava a si mesmo cada rachadura e cada moldura das casas distintas que o redoavam. (Repito que o menos importante das suas lembranças era mais minucioso e mais vivo que nossa percepção de um gozo físico ou de um tormento físico). Em direção ao leste, em um trecho nãopavimentado, havia casas novas, desconhecidas. Funes as imaginava negras, compactas, feitas de treva homogênea; nessa direção virava o rosto para dormir. Também era seu costume imaginar-se no fundo do rio, mexido e anulado pela corrente.

Havia aprendido sem esforço o inglês, o francês, o português, o latim. Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.

A receosa claridade da madrugada entrou pelo pátio de terra.

Então vi a face da voz que toda a noite havia falado. Ireneo tinha dezenove anos; havia nascido em 1868; pareceu-me tão monumental como o bronze, mais antigo que o Egito, anterior às profecias e às pirâmides. Pensei que cada uma das minhas palavras (que cada um dos meus gestos) perduraria em sua implacável memória; entorpeceu-me o temor de multiplicar trejeitos inúteis.

Ireneo Funes morreu em 1889, de uma congestão pulmonar.

Tradução de Marco Antonio Franciotti

(in Jorge Luis Borges: Prosa Completa, Barcelona: Ed. Bruguera, 1979, vol. 1., pgs. 477-484).

Por que sonhamos?

Obs: a reflexão proposta nesse post é muito mais filosófica e poética do que de cunho científico, embora fundamente-se em algumas discussões da psicologia.

No conto de Jorge Luís Borges, o personagem principal, Funes, o memorioso, não dorme, pois seus “sonhos são como a vossa vigília”.

Esse personagem tem muito a nos dizer sobre por que sonhamos. Funes não conseguia parar de pensar, tampouco dormir, ou melhor: distrair-se do mundo, ser levado ao esquecimento.

O narrador do conto afirma que:

Imagens de memória latentes podem erigir nos sonhos, livres das molduras da consciência. Mas, se temos memórias latentes, é porque fazemos uso do esquecimento para que seja possível viver o estado do lembrar-se. Só se lembra de algo que estava esquecido.

Como Funes era incapaz de esquecer, ou desligar-se do mundo, pois ele não conseguia parar de pensar, ele não conseguia dormir, já que ele não se esquecia de nada, ou seja, ele não sonhava. Os sonhos, nesse sentido, são como imagens de memórias latentes (ou soltas ao inconsciente).

O inconsciente, grosso modo, constitui uma “caixinha” em que, às vezes, em virtude de mecanismos de defesa sobre os quais nós não temos controle, algumas memórias são depositadas numa tentativa de nos proteger.

Talvez possa haver uma explicação simbólica para cada um dos sonhos de uma pessoa. Freud tentou sugerir isso em algumas de suas obras, mas a significação dos sonhos, muitas vezes, não está relacionada ao nosso presente ou ao que nos é acessível no plano consciente.

Refletir sobre os sonhos pode ser um caminho para autoanálise, mas é preciso de muita precisão para “ver a si mesmo” e conseguir compreender algo a partir da própria experiência, mas como Platão dizia, o outro “vê melhor”.

É nesse sentido que vigora a maior crítica sobre Funes: essa sua capacidade de lembrar-se constantemente de tudo, de saber as horas sem ao menos olhar no relógio representa, na verdade, um problema: o mau de arquivo de nossa sociedade. Ou seja, as pessoas não mais pensam, elas apenas armazenam informações e não sabem mais processá-las, contextualizá-las:

Havia aprendido sem esforço o inglês, o francês, o português, o latim. Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes, não havia senão detalhes, quase imediatos.

Link para leitura do texto de Funes: http://criteriorevisao.com.br/funes-o-memorioso/

Enem 2015

1. O que é o Enem?

O Enem consiste em um exame nacional de avaliação do Ensino Médio brasileiro, que é de responsabilidade do Ministério da Educação, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Além disso, é um dos maiores exames do mundo.

Além de seu caráter informativo, sobre a educação no Brasil, esse exame representa uma “chave” para aqueles que querem cursar o Ensino Superior, seja em universidades públicas ou particulares (para o caso de bolsa parcial ou integral pelo Prouni (Programa Universidade para Todos), para obtenção de financiamento pelo programa Fies (fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior).

2. O que é o Sisu?

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é o sistema informatizado, gerenciado pelo Ministério da Educação (MEC), no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

3. Como se preparar?

Enem

Os estudantes interessados devem saber que a prepação para o Enem é diferenciada da preparação para a maioria dos outros vestibulares. Na verdade, o estudante precisa ter foco e optar por determinados cursos e escolher determinados exames. Não adianta estudar para várias universidades aleatoriamente, pois, independentemente de sua qualificação na escola ou capacidade, cada exame exige preparação diferenciada.
Vale ressaltar que, mesmo havendo uma tradição para cada exame, é bom ler o edital a cada ano, pois poderá haver novidades.

Não “chute”, durante a realização das provas, pois os examinadores já estabeleceram mecanismos para impedir que pessoas sejam aprovadas por essa “técnica” (a correção da redação, no entanto, é mais falha. Para informações a respeito do exame de redação em Língua Portuguesa, acessem esse link (participei do curso de formação de corretores em 2013): ).

Um desses mecanismo é o TRI (Teoria de Resposta ao Item). A TRI permite analisar as questões respondidas dos alunos e atribuir um peso determinado para cada item correto. Ou seja, a nota depende da dificuldade de cada questão, o que revela o caráter eliminatório que o Enem possui.

Abaixo, seguem alguns links úteis e esclarecedores do próprio site do Ministério da Educação:

4. inscrições no SISU

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#inscricoes

5. senhas e número de inscrição do Enem

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#senha_enem

6. notas do Enem

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#nota_enem

6.1 cálculo de nota

Para calcular a nota, sugiro o seguinte site, que contém uma calculadora que facilita a vida dos estudantes:

http://www.enemsimples.info/p/calculadora-sisu.html

Esse site também indica as notas de corte dos anos anteriores, de acordo com cada curso, para comparação:

http://www.enemsimples.info/2015/01/exclusivo-todas-notas-de-corte-do-sisu-2015-enem-2014.html

7. nota de corte

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#nota_corte

8. vagas oferecidas

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#vagas_ofertadas

9. Lei nº 12.711/2012 (Lei de Cotas)

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#lei_de_cotas

10. resultado e matrícula

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#resultado

11. lista de espera

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#lista_de_espera

12. Sisu e Prouni

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#sisu_e_prouni

13. Próximo processo

http://sisu.mec.gov.br/tire-suas-duvidas#proximo_processo

Embora muitas universidades ainda sigam o padrão tradicional de vestibulares, a nota obtida no Enem é reconhecida por várias universidades, entre elas (adesão 2014):

REGIÃO CENTRO-OESTE

UnB – 50% das vagas pelo Enem/SiSU e 50% pelo PAS no 1º semestre e vestibular no 2º semestre
UFG – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UFGD – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
UFMT – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFMS – todas as vagas pelo Enem/SiSU

UEMS – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Unemat – todas as vagas pelo Enem/SiSU no 1º semestre e vestibular no 2º semestre

IFG – 20% das vagas pelo Enm/SiSU
IF Goiano – todas as vagas pelo Enem, sendo 70% via vestibular e 30% via SiSU (novo – saiba mais)
IFMT – cerca de 20% das vagas pelo Enem/SiSU
IFMS – todas as vagas pelo Enem/SiSU

REGIÃO NORDESTE

UFAL – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFBA – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica
UFRB – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFC – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Unilab – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFPB – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFCG – todas as vagas pelo Enem, sem adesão ao SiSU no 1º semestre e com adesão no 2º semestre
UFMA – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFPE – todas as vagas pelo Enem/SiSU no 1º semestre e vestibular de Engenharias no 2º semestre (novo – saiba mais)
UFRPE – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Univasf – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFPI – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFRN – todas das vagas pelo Enem/SiSU
Ufersa – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFS – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para o curso de Música

UNEB – parte das vagas serão preenchidas pelo Enem/SiSU
UESB – metade das vagas pelo Enem/SiSU
UESC – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UECE – 50% das vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UEPB – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UPE – Enem representa a 1ª fase do vestibular e redação do Enem é usada na 2ª fase (novo – saiba mais)
UESPI – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UERN – 60% das vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)

IFAL – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFBA – 40% das vagas pelo Enem/SiSU
IFBaiano – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFCE – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFPB – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFPE – vagas do 2º semestre são preenchidos pelo Enem/SiSU
IFSertão – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFPI – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFRN – todas as vagas pelo Enem, sendo algumas pelo SiSU
IFS – 50% das vagas pelo Enem/SiSU

REGIÃO NORTE

UFAC – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFAM – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
Unifap – metade das vagas pelo SiSU e metade pelo Enem 2014 e 2013
UFPA – todas as vagas pelo Enem 2014, sendo 20% pelo SiSU
UFOPA – todas as vagas pelo Enem 2014 ou 2013, mas sem utilizar o SiSU
Unifesspa – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFRA – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFRR – parte das vagas pelo Enem/SiSU
UNIR – todas as vagas pelo Enem, mas sem aderir ao SiSU
UFT – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)

UEAP – todas as vagas pelo Enem, mas sem aderir ao SiSU

IFAC – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFAM – 20% das vagas pelo Enem/SiSU
IFAP – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFPA – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFRO – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFRR – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFTO – parte das vagas pelo Enem/SiSU

REGIÃO SUDESTE

UFES – Enem representa a 1ª fase do Vestibular de Verão e critério único para Vestibular de Inverno (SiSU)
UFMG – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica
UFJF – 70% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (Pism)
UFLA – 60% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (PAS), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa
Unifal – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Unifei – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFOP – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica
UFSJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFTM – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UFU – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para cursos que exigem teste de habilidade específica, no 1º semestre, e vestibular no 2º semestre
UFV – 80% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (Pases), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa
UFVJM – 50% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (SASI), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa
UniRio – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFF – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica
UFRRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica
Unifesp – usa Enem como 1ª fase do vestibular para alguns cursos, e o SiSU para outros
UFABC – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFSCar – todas as vagas pelo Enem/SiSU

UEMG – parte das vagas pelo Enem/SiSU
UENF – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Unesp – nota do Enem 2014 pode ser usada para aumentar nota do vestibular
Unicamp – nota do Enem 2013 ou 2014 pode ser usada para aumentar nota da primeira fase

IFES – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFSudesteMG – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
IFSuldeMinas – 70% das vagas pelo Enem/SiSU
IFMG – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
IFNMG – alguns cursos terão vagas pelo SiSU e outros pelo vestibular
IFTM – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Cefet-MG – 50% das vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
IFSP – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFF – 243 vagas pelo Enem/SiSU
IFRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Cefet-RJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU

REGIÃO SUL

UFPR – 30% das vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UTFPR – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Unila – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos de Arquitetura e Urbanismo e Música
UFRGS – 30% das vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)
UFCSPA – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFSM – as notas do Enem representam 20% da pontuação do PSU e PSS
UFPel – todas as vagas pelo Enem/SiSU
FURG – todas as vagas pelo Enem/SiSU e cursos a distância pelo Enem (novo – saiba mais)
Unipampa – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UFSC – Enem de 2009 a 2014 pode representar 30% da nota final do vestibular
UFFS – todas as vagas pelo Enem/SiSU

UEL – Enem é usado apenas para vagas remanescentes
UENP – 10% das vagas pelas notas do Enem 2013 ou 2014
Unicentro – Enem é usado para vagas remanescentes
Unioeste – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
UERGS – todas as vagas pelo Enem/SiSU; exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica
Udesc – 25% das vagas do Vestibular de Verão serão preenchidas pelo Enem/SiSU

IFPR – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFSul – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
IFRS –50% das vagas pelo Enem/SiSU
IF-Farroupilha – todas as vagas pelo Enem/SiSU
IFSC – 50% das vagas pelo Enem/SiSU
IFC – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo – saiba mais)

* Fonte: http://vestibular.brasilescola.com/enem/lista-adesao-enem.htm
Sucesso a todos.