O discurso da humildade no país da malandragem

A (falta de) lógica do discurso da humildade

O discurso da humildade no Brasil é bastante peculiar. Há uma forte pressão cultural para que o brasileiro transpareça humilde. Assim, não se diz nada, ou, quando tenta dizer, formula meias-verdades, seja por falta de repertório em relação ao conhecimento (uma lacuna de nossa Educação) ou pelo engajamento fajuto com o outro semelhante (ui). O nosso discurso organiza-se diante de um controle social excessivo, como se tivéssemos de nos desculpar a cada vez que soamos verdadeiros ou que afrontamos o status quo, a ponto de não ser possível dizer o óbvio. O discurso da humildade no país da malandragem

Caso contrário, corre-se o risco de ser rejeitado e rotulado como arrogante e insensível (coitada da Luana Piovani). Esse discurso tem raízes profundas em nossa cultura de empatia para com o próximo, o que é positivo. No entanto, acredito que essa empatia às vezes beira o exagero, e está articulada às nossas complexas camadas de poder, a ponto de anular a individualidade, e quem somos verdadeiramente.

Humildade e controle social O discurso da humildade no país da malandragem

Esse discurso articula-se às enormes disparidades sociais e à polarização entre ricos e pobres no Brasil (o pobre, nesse sentido, é o dito humilde e, por sua vez; o rico, o arrogante. Assim, a riqueza não deve ser obtida, para que não se corrompa e se torne arrogante. Somos um paradoxo. Da mesma maneira, de forma geral, há uma tendência, em outras culturas, a pensar que o mundo é ruim e todos são maus, orientada ao próprio nacionalismo. Não que o mundo seja um “mar de rosas”… (sou mais pessimista mesmo, vocês já sabem), mas a realidade é diferente.

Quando alguém é mais direto ou fala a verdade, é frequentemente visto como uma pessoa arrogante, sem humildade ou sem etiqueta social. A vida é um jogo de dizer mentiras reconfortantes e uma eterna alienação, especialmente no Brasil. Precisamos entender a fronteira entre nós mesmos e os outros, separando esses espaços. Superar a síndrome do “vira-lata” e a visão negativa em relação ao dinheiro é fundamental. Não devemos renegar o dinheiro, mas sim buscar uma relação ética com ele, tanto em nossas finanças quanto nas interações com as pessoas.

Uma afronta à verdade e ao conhecimento lógico-racional e científico

A cultura brasileira valoriza demais a humildade, muitas vezes reprimindo a verdade. Somos um povo extremamente sensível a esta. E há quem a conheça, e, diante desse paradoxo, o utilize para se manter no poder, de maneira extremamente consciente. Há, também, uma força inconsciente que se perpetua culturalmente por meio de ricos e pobres, ecoando, por meio do discurso da humildade, discursos assimétricos de outros tempos. Devemos mudar essa mentalidade para não nos colocarmos em uma posição de passividade, inferioridade, e, por sua vez, de subalternos.

Quando perpetuamos o discurso da humildade, em detrimento do conhecimento e do avanço científico, renegamos a verdade. Devemos desconfiar do que sabemos (“sei que nada sei”), mas, no Brasil, isso tende, infelizmente, a outro caminho: o do controle social, especialmente porque aqueles que tomam espaços de discurso mais sólidos o fazem com base em senso comum e de maneira irresponsável. Os que sabem estão cheios de dúvidas e humildes o bastante para não se considerarem sólidos. São vistos como dóceis, e facilmente manipulados e ignorados. Ou desvirtuam-se antieticamente, também, na malandragem ou no discurso de ascensão social.

Humildade e alienação O discurso da humildade no país da malandragem

Assim, aliena-se a nossa nação com base na solidez de grandes mentiras. Em discursos proferidos, principalmente, pelos mais malandros, ou seja, aqueles que, diante da humildade de quem sabe, fundamentam-se no status de sua existência fajuta e mentirosa, tipicamente brasileira, no riso, na cordialidade, na projeção de uma imbecilização que cativa pelo carisma, já que se vê refletido nesse outro.

Não estou aqui para ser complacente ou agradar a todos. Estou aqui para trazer reflexões, mesmo que possam soar como uma abordagem mais direta, e dita arrogante. Acredito que é importante questionar e repensar esse discurso da humildade, que, se mantido de forma exacerbada, pode nos limitar e nos impedir de crescer como sujeitos e como sociedade. É crucial romper com essa mentalidade e buscar um equilíbrio em nossas relações e aspirações.

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Palavras-chaves em Dissertações e Teses

Quantas palavras-chaves utilizar no resumo?

Eu sugiro o uso de três a cinco palavras-chave em Dissertações e Teses. Comumente, tenho percebido, ao longo de mais de 16 anos como Revisor de Textos, pesquisadores utilizarem essa média. Acredito que 5 palavras-chaves seja um número significativo para que esses termos sejam indexados pelas bibliotecas, para que algum pesquisador encontre o seu trabalho, em relação à categoria e segmentação de sua área de pesquisa*. Também é importante pensar em que palavra-chave utilizar. O próprio termo é revelador de sentido ao “pé da letra”: “palavras-chave”, ou seja, não se refere a qualquer tipo de palavra. É preciso refletir sobre a escolha desses termos, em vez de mencionar termos aleatoriamente. Pode haver muitas palavras significativas para o seu trabalho, mas não necessariamente elas constituirão as palavras-chaves.

* Considero um exagero menção além de 6 palavras-chaves.

Evite utilizar termos genéricos ou detalhes como referências, nomes de autores ou metodologias específicas nesse caso, a não ser que sejam essenciais ao recorte temático do trabalho. Por exemplo, se o estudo se concentra no “discurso de cidadania”, é aconselhável que essa expressão apareça no título e seja uma das palavras-chaves.

A escolha de palavras-chaves: do geral ao específico

Imagine que seu trabalho seja na área de humanas; um estudo sobre o discurso de cidadania. Nesse caso, por exemplo, é interessante, já no título do seu trabalho, que vigore essa palavra-chave e, necessariamente, na seção palavras-chaves, abaixo do resumo. Observe o recorte de seu trabalho, para encontrar os termos mais gerais e específicos. Acredito que o título deva conter pelo menos uma ou duas palavras-chaves que será utilizada no resumo.

Você pode pensar, conscientemente, essas escolhas a partir do nível geral para o específico, em relação à ontologia e epistemologia de sua pesquisa. Alguns pesquisadores criticam o uso desses marcadores excessivamente. Na minha banca, por exemplo, houve uma discussão em relação a isso, mas a minha orientadora solicitou que eu não alterasse a quantidade de vocábulos escolhidos, porque não há um limite ou regra sobre o uso, embora a sensatez seja importante. Há quem utilize nomes de teorias como palavras-chaves, mas isso geralmente ocorre quando a Teoria é bastante significativa para a pesquisa, especificamente; ou para a área de estudo, de maneira geral.

Dialogue com o seu orientador! Palavras-chaves em Dissertações e Teses

Você também deve seguir as indicações de seu orientador. Às vezes, ele pode sugerir alguma especificidade por alguma razão lógica ligada à prática dele ou ao Programa de Pós-graduação. Lembre-se de que você, de alguma maneira, está vinculado a um determinado Programa de Pós-Graduação, a uma determinada área de pesquisa e às práticas de seu orientador.

Obs: outro termo utilizado pelos pesquisadores em relação às palavras-chaves é “descritores”. Ressalto que as palavras-chaves são elementos obrigatórios; tanto em língua portuguesa quanto em língua estrangeira (na seção abstract).

Como separar palavras-chaves? Palavras-chaves em Dissertações e Teses

Você pode separar, por meio de ponto final, cada palavra-chave. Alguns manuais de algumas universidades sugerem o uso de vírgula ou ponto e vírgula, outros meia-risca (não sugiro esse uso). Atenha-se ao às indicações de seu orientador ou do manual de sua instituição. Palavras-chaves em Dissertações e Teses

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