Você sabe o que é comensalidade?

Dificilmente, no Brasil ou na grande maioria dos países do mundo, é possível passar meses comendo fora de casa todos os dias, fazendo, literalmente, todas as refeições fora, sem, simplesmente, ter de lavar louças, ir ao mercado ou cozinhar.
E não me refiro, apenas, aos milhares de mercados de comida de rua que eles cultuam, que, inclusive, são comuns em outros países, incluindo os da América do Sul, com destaque para o Brasil.
Eu me refiro a uma estrutura INTEIRA, a um modus operandi de existência criativa (sem aniquilar a nossa pulsilanimidade), em que comer constitui uma forma de participação coletiva e ao mesmo tempo particular. E isso se estende, de maneira bem planejada e prática, para estabelecimentos comerciais, de shoppings a supermercados, seja por meio de Foodcurts ou dos eateries tão comuns no mercado Lotus.
Há shoppings em que mais de 3 andares são destinados, apenas, à alimentação. E este não é o caso de uma simples praça de alimentação, mas de uma área chamada Foodcurt, como um restaurante comunitário, em que diversos pequenos estabelecimentos atuam (alguns gourmetizados). Mas eu demorei alguns anos para entender, porque é bem complexo para quem é ocidental.
E, se você não estiver satisfeito, há uma infinidade de 7/11 (e até restaurantes), e delivery, funcionando 24 horas por dia em todas as cidades, mesmo no interior do país. Isso me traz uma sensação de imensidão tão profunda em relação à alimentação que tampouco cabe neste texto. É uma das principais razões de eu sempre voltar à Tailândia (para comer a comida deliciosa deles, e para reviver essa experiência que não é possível em outro lugar).
E não trato, apenas, de uma questão financeira, mas de haver um esforço e capricho genuínos para o preparo da comida e dos próprios ambientes onde esta circula, de maneira extremamente criativa, em qualquer dia da semana, durante todo o ano, independentemente de ser uma data comemorativa.