Sobre Anderson Hander Brito Xavier

Somos uma empresa especializada em revisão, padronização e diagramação de textos. Atuamos no mercado há seis anos, possuímos registro no CNPQ e 11 atestes de capacidade técnica. A nossa equipe é composta por mestres, especialistas e graduados pela Universidade de Brasília (UnB).

Prescrição linguística

Prescrição versus descrição: a gramática e a linguística

É muito curioso ouvir as pessoas falarem de Língua Portuguesa sem ao menos ter uma visão crítica sobre o assunto. O que também me chama atenção é ouvir o falante de português do Brasil dizer que não saber falar a sua própria língua. Por trás desse discurso, há uma complexa relação com a convenção gramatical, desvalorização da linguística, ou falta de informação sobre essa ciência, banalização da educação brasileira e também o fato de não haver no Brasil, ao meu ver, uma identidade nacional consolidada, ao ponto de os brasileiros afirmarem que não sabem a própria língua, o que justifica o fato de os portugueses terem dito que nós deturpamos a língua de Camões.

Prescrição

Compreender o que é língua envolve análise histórica sobre os estudos linguísticos. Essa reflexão, que é ignorada na escola, é importante para a compreensão sobre a separação entre a gramática e a linguística ao longo dos séculos. Ao se estudar a história da linguística/gramática, pode-se perceber que, antes de a linguística se consolidar como ciência, havia uma interpretação de que existiam línguas inferiores e superiores por parte de alguns gramáticos, essa definição era explícita em vários manuais gramaticais.

Assim como várias áreas, o conhecimento acerca da área da linguagem, ao longo da história do pensamento humano, produziu falácias, preconceitos e interpretações equivocadas. É interessante notar, porém, que não havia uma distinção entre gramática e linguística no período anterior ao surgimento da linguística como ciência. Essa distinção foi acentuada nas últimas décadas, especialmente, por meio da crítica de muitos linguistas aos gramáticos. O problema aumenta em relação ao conceito de erro e de norma. O que é erro? O que é norma? O primeiro não é termo que me parece adequado para falar de língua, especialmente se esta é compreendida em virtude de uma cultura. O segundo também é perigoso, uma vez que existem várias “normas”, mas muitos pensam que existe, apenas, a norma padrão, e ainda confundem norma padrão com normal culta rsrs (diferença entre norma padrão e norma culta). Muitos pensam que só existem normas e regras na linguagem formal. Ora, a fala também segue uma regularidade. Afinal, ninguém estabelece diálogo por meio de um arranjo caótico e aleatório de estruturas linguísticas. Ou seja, existem várias normas e elas dependem do contexto de uso do falante ou do gênero textual.

A gramática possui caráter prescritivo, ou seja, tende à subjetividade de seu analista, o que significa dizer que ela descreve a língua (de uma maneira não muito científica e às vezes questionável) e faz julgamento de valor a respeito dos seus falantes. A problemática disso refere-se ao fato de a gramática perder a sua objetividade (se é que esse termo deve ser empregado aqui) ao manchá-la com o achismo (no sentido de afastamento da racionalidade e da reflexão) de seus cegos seguidores que ignoram a crítica de ciências, como a antropologia, que não estão em busca de generalizações para os padrões culturais antropicos, muito pelo contrário, tendem à alteridade. É nesse momento que o falante de português do Brasil inicia o seu célebre discurso ao negar que ele mesmo não sabe falar português, ao dizer que a sua língua é muito difícil, ou ao dizer que a “ralé”, a “favela” não sabem falar português.

Eu só me pergunto o seguinte: difícil em relação a…? Ese a dita “ralé” ou “favela” não fala Português, ela fala que língua? O problema é que a escola manutencionou, durante anos, esse ensino prescritivo sobre a Língua Portuguesa. O que talvez os gramáticos e todos aqueles indivíduos que carecem de um pensamento crítico não saibam é que quem faz a fala de uma língua é o seu falante, e quem valida essa fala é o grupo de falantes que possuem características culturais comuns, inclusive, porque não há língua sem interação social.

Esse assunto é delicado, especialmente por tratar de uma questão que, para muitos, não está explícita: relações de poder. Se muitos professores, gramáticos e outros insistem em dizer que a gramática deve ser sobreposta à fala, obviamente, o que eles conseguem evidenciar, uma vez que todos falam, é um grande abismo socioeconômico que separa o indivíduo não escolarizado que fala (uma considerada língua inferior) do falante escolarizado que fala (uma língua superior), embora haja um grande distanciamento, em todos os casos, da norma gramatical tradicional, a chamada norma padrão. O mesmo ocorre em relação aos falantes de regiões geográficas menos prestigiadas economicamente no Brasil, como é o caso do nordeste com o ridicularizado falar nordestino. Nesse caso, porém, o estigma recai sobre ricos e pobres. Imagine a seguinte situação: um estudioso viaja para uma tribo indígena para descrever os aspectos culturais desses povos. Ao chegar lá, ele observa que é comum, nessa cultura, as pessoas comerem baratas. O pesquisador, ao contrário, não come baratas e, ao se deparar com tal situação, escreve em seu diário de campo, em nome dos bons costumes e da moral, que a cultura em estudo é “suja e primitiva”. É nesse momento que surge a noção de ERRO. O Que o pesquisador fez, no entanto, foi evidenciar o seu achismo em sua pesquisa: PRESCREVER. Isso é o que ocorre com a análise PRESCRITIVA de muitos GRAMÁTICOS.

Os linguistas, por sua vez, orgulhosos pelo caráter científico que o seu estudo lhes é dado, consideram a gramática tradicional um modelo falho de estudo, incapaz de descrever precisamente a Língua Portuguesa. Para eles, o nativo de uma língua não comete erro. A noção de erro poderia ser aplicada a um estrangeiro em processo de aprendizagem de uma língua estrangeira/segunda língua. Mas não ao nativo de uma língua que FALA essa língua. De acordo com uma corrente linguística chamada: gerativa, o nativo de uma língua possui uma espécie de “gramática” interna, em sua estrutura cognitiva, responsável pelas regras de sua língua falada. É o que eles costumam chamar de: GRAMÁTICA UNIVERSAL (GU). A gramática Universal corresponde à capacidade inata de um falante de qualquer língua falar. Isso explica a competência de um falante para falar qualquer língua ao nascer, em qualquer cultura e também a capacidade de formulação de estruturas diversas em uma língua, ou seja, a criatividade linguística.

Como linguista, embora eu seja revisor de texto e trabalhe com a norma padrão (mas não só com ela), considero que a gramática normativa não consegue explicar a diversidade e real complexidade dos processos de estruturação da Língua Portuguesa. No entanto, acredito que o ensino de gramática normativa é fundamental em nossa sociedade, mas não da maneira pela qual é ensinada: por exemplo ensinar nomenclatura de função sintática). Apesar de a língua ser heterogênea, reflexo de suas variantes, em cada uma das regiões em que se fala o Português do Brasil, é importante que haja uma padronização de sua estrutura, em alguns aspectos da comunicação, especificamente, em relação à linguagem escrita FORMAL. Por outro lado, linguagem falada não equivale à linguagem escrita formal. A escrita formal deve ser baseada na gramática, e ainda assim isso é questionável, pois existem, eu diria, níveis de formalidade, mas nenhum deles tende à plenitude objetiva da desejada norma padrão (quase irrealizável nesse sentido, inclusive porque refere-se a uma concepção absoluta).

A fala e alguns gêneros textuais informais seguem outras normas. Embora a gramática ainda seja muito valorizada, a língua não serve apenas aos poetas e estudiosos. Ela também é utilizada por outras camadas sociais, inclusive as desprestigiadas, por aqueles que não são escolarizados, por exemplo, e se afastam da norma idealizada. E é nesse momento que as aplicações da gramática tradicional tornam-se perigosas. Os gramáticos e muitos professores desinformados exigem que o falante não escolarizado fale conforme a norma padrão. Eles partem da análise prescritiva. Ou seja, eles querem impor a normal gramatical à língua falada de um grupo que muitas vezes nem foi a uma sala de aula, o que é muito perverso.

Você não deve pensar, no entanto, que a gramática é a grande vilã dos não escolarizados, porque ela não é. Se um grupo social não teve acesso à escola e a sua fala é marcada por traços de pessoas não escolarizados, pertencentes a um grupo social específico, falantes talvez pobres; a questão não é meramente estrutural, linguística, porque esse é um problema socioeconômico. E esse grupo deveria aprender a gramática, especialmente porque é por meio dela que ele poderá ascender socialmente. Eu quero dizer que a gramática tradicional é muito valorizada em nossa sociedade. Ela ainda é utilizada em concursos e vestibulares, por exemplo. Em relação à língua falada formal (tão idealizada: pais corrigindo os falares de seus filhos, professores corrigindo a fala de seus alunos), eu diria que é praticamente impossível existir um falante que fale em sincronia com as normas da gramática tradicional. Nem mesmo o indivíduo mais bem escolarizado ou pedante conseguirá ocultar o caráter subjetivo existente em uma língua e ser completamente objetivo e formal.

Quando eu estagiei no Supremo Tribunal Federal – Seção de Padronização e revisão de textos, eu pensei, assim que fui selecionado para a vaga de estagiário revisor, que haveria uma formalidade extrema em relação às práticas sociais e linguísticas nesse local. No entanto, isso não ocorreu. Havia uma formalidade no local e na fala das pessoas ali presentes, mas a subjetividade era inerente a cada uma daquelas pessoas, independente de qualquer cargo jurídico: seres humanos. Eu me lembro de que eu enviei um e-mail para a minha chefe e encerrei o fechamento deste com os dizeres: “Respeitosamente, Anderson Hander”. A minha chefe respondeu esse e-mail com o seguinte fechamento: “Beijos! Fulana de tal”. E não foi apenas ela quem me respondeu e-mails dessa maneira, todos os servidores que eu conhecia respondiam os meus e-mails da mesma maneira. O que me fez pensar que eles queriam tornar aquele ambiente de trabalho um local cordial e acolhedor. Eu pensei que talvez os Ministros estivessem próximos dessa formalidade linguística citada anteriormente, mas eu também me enganei. Eu li, várias vezes, vários acórdãos dos Ministros do STF e essas decisões eram feitas oralmente, porém, um escrivão transcrevia os acordos para o papel, posteriormente, eles eram publicados em uma revista: Revista Trimestral de Jurisprudência. Eu notei, lendo esses acordos, em relação ao purismo gramatical divulgado por ai, que eles eram hibridos, ou seja, o texto não era completamente formal, havia marcas de informalidade em relação à transcrição da oralidade dos ministros.

Como escrever uma dissertação de mestrado?

Depois de quase um ano se preparando para entrar no mestrado, você está, agora, desesperado(a), pensando em como deverá redigir a sua dissertação. Felizmente, algumas pessoas que “aprenderam na marra”, como eu, resolveram compartilhar a experiência na internet.

As bases para redigir a sua dissertação estão registradas em seu pré-projeto. Além disso, faça anotações a respeito das conversas sobre a sua pesquisa com o(a) seu (sua) orientador(a).

Você poderá fazer várias incursões em sua dissertação, bem como terá liberdade a respeito de outras escolhas, mas, nesse caso, você deverá justificar cada uma delas. Especifique siglas, termos técnicos e insira notas de rodapé para detalhar informações importantes ao seu texto, a fim de que estas não fujam à discussão de terminado capítulo.

A dissertação de mestrado segue, grosso modo, a lógica de redação do texto dissertativo-argumentativo: introdução, desenvolvimento e conclusão. Obviamente, o rigor para produção desse texto, que contempla o processo de reflexão acerca de sua pesquisa, é muito maior. Além disso, há elementos anteriores ao processo de “desenvolvimento” em si, como a metodologia e referencial teórico.

Alguns departamentos e programas de pesquisa bem específicos, como o caso de arquitetura e urbanismo, matemática, entre outros, seguem padrão diferenciado para esse gênero textual em relação aos cursos mais “populares”.

Se você passar por etapa de qualificação, siga, rigorosamente, as orientações da banca examinadora.

Preste muita atenção às aulas sobre metodologia de seu departamento e desenvolva melhor a introdução de seu pré-projeto, a justificativa, objetivos gerais e específicos, questões de pesquisa e referencial teórico e metodológico. Depois dessa etapa, comece a “costurar” esses fragmentos do texto à sua dissertação.

Lembre-se de que redigir uma dissertação de mestrado é como costurar uma “colcha de retalhos”. Além disso, o seu estudo em si não será feito apenas por você. Haverá várias pessoas envolvidas em cada etapa de seu estudo, desde os seus colaboradores de pesquisa até aqueles que, indiretamente, trarão alguma contribuição.

Para uma colcha de retalhos ser uma unidade, ou seja, uma “colcha”, faz-se necessário unir cada um dos retalhos uns aos outros de maneira lógica e articulada. Lembre-se de que o seu texto dissertativo será formado por vários capítulos, que contêm vários parágrafos. Algumas pessoas costumam escrever separadamente cada um desses fragmentos/capítulos para “costurar” cada um deles ao texto final, o que poderá ser um problema.

Leia outros trabalhos com abordagens similares ao seu para ter insights. Seja coerente em relação à quantidade de laudas de cada capítulo ou seção de sua dissertação. Não redija uma dissertação em que o número de páginas das análises seja desproporcional ao número de páginas da discussão teórica. Além disso, seja coerente, também, em relação à quantidade de linhas dos parágrafos redigidos. Evite períodos muito longos.

Sugiro que você, em cada seção, faça uma pequena introdução e fechamento. Além disso, não se esqueça de responder cada uma das questões de pesquisa, se houver, na seção “Considerações finais”.

Atenção à seleção lexical de seu estudo. Cada um dos vocábulos utilizados em sua dissertação deve-se articular à metodologia e referencial teórico proposto.

Encaminhe-nos o seu trabalho para ser padronizado e revisado. Todo texto, como um processo, deve ser revisado. Alguns manuais não versam sobre alguns aspectos importantes aos sentidos de seu texto, como iniciais maiúsculas, padronização de siglas… (nós também poderemos auxiliá-lo(a) nesse processo). Outros olhares, principalmente de especialistas, mestres e doutores são fundamentais em sua pesquisa.

Lembre-se de que tabelas são vazadas nas laterais e quadros são fechados. Além disso, anexos (elaborados por terceiros) são diferentes de apêndices (produzidos pelo próprio autor).

Veja a nossa oferta de serviço de revisão, padronização e formatação (ABNT, APA, CHICAGO e outros):

https://criteriorevisao.com.br/revisao-de-texto-6/

Uniformize as pessoas do discurso de seu texto. Lembre-se de que alguns departamentos permitem o uso de primeira pessoa do singular, mas, nesse caso, a banca poderá solicitar explicação para justificar essa escolha.

Não se esqueça de encaminhar ao comitê de ética de sua universidade solicitação de aprovação de sua pesquisa. E, teoricamente, inicie a sua pesquisa apenas após aprovação.

Esteja atento a imprevistos durante a realização de sua pesquisa. Você poderá ser surpreendido com a negação autorização para realizar a sua pesquisa em determinada instituição (se for o caso).

Sublinhe fragmentos que poderão ser citados ao longo do texto e articule-os à discussão proposta em sua dissertação.

A sua dissertação não é a sua pesquisa em si, mas o texto pelo qual a sua pesquisa será exposta/revelada. Evite orações como “Esta pesquisa é…”. Prefira: “A pesquisa sobre X, proposta nesta dissertação, busca compreender…”.

Muto sucesso a todos!