Problema de paralelismo

paralelismo sintático

Problemas de paralelismo

Para que haja maior clareza em textos escritos, é preciso que haja paralelismo em nível vocabular e sintático no texto.

O Manual de Redação Oficial da Presidência da República é muito esclarecedor a esse respeito.

Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita “consiste em apresentar idéias similares numa forma gramatical idêntica” , o que se chama de paralelismo. Vejamos alguns exemplos:

        Inadequado: pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas.

        Nesta frase temos, nas duas orações subordinadas que completam o sentido da principal, duas estruturas diferentes para ideias equivalentes: a primeira oração (economizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem planos de redução de despesas) é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção integrante que. Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar as duas orações subordinadas como desenvolvidas, introduzidas pela conjunção integrante que:

        adequado: pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios que economizassem energia e (que) elaborassem planos para redução de despesas.

        Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas como reduzidas de infinitivo:

        adequado: pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios economizar energia e elaborar planos para redução de despesas.

        Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na coordenação de orações subordinadas.

        Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita culta:

        inadequado: no discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição.

        O problema aqui decorre de coordenar palavras (substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).

        Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por transformá-la em frase simples, substituindo as orações reduzidas por substantivos:

        adequado: no discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição.

        Ou empregar a forma oracional reduzida uniformemente:

        adequado: no discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição.

        Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente) a ideiasde hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:

        Inadequado: o Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.

        Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades (Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibilidade de correção é transformá-la em duas frases simples, com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):

        adequado: o Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta última capital, encontrou-se com o Papa.

        Inadequado: o projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.

        Aqui repete-se a equivalência gramatical indevida: estão em coordenação, no mesmo nível sintático, o número de páginas do projeto (um dado objetivo, quantificável) e uma avaliação sobre ele (subjetiva). Pode-se reescrever a frase de duas formas: ou faz-se nova oração com o acréscimo do verbo ser, rompendo, assim, o desajeitado paralelo:

        adequado: o projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo.

        Ou se dá forma paralela harmoniosa transformando a primeira oração também em uma avaliação subjetiva:

        adequado: o projeto é muito extenso e complexo.

        O emprego de expressões correlativas como não só … mas (como) também; tanto … quanto (ou como); nem … nem; ou … ou;           etc. costuma apresentar problemas quando não se mantém o obrigatório paralelismo entre as estruturas apresentadas.

        Nos dois exemplos abaixo, rompe-se o paralelismo pela colocação do primeiro termo da correlação fora de posição.

        Inadequado: ou Vossa Senhoria apresenta o projeto, ou uma alternativa.

        Adequado: vossa Senhoria ou apresenta o projeto, ou propõe uma alternativa.

        Inadequado: o interventor não só tem obrigação de apurar a fraude como também a de punir os culpados.

        Adequado: o interventor tem obrigação não só de apurar a fraude, como também de punir os culpados.

        Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado pelo uso inadequado da expressão e que num período que não contém nenhum que anterior.

        Inadequado: o novo procurador é jurista renomado, e que tem sólida formação acadêmica.

        Para redigir melhor a frase, ou suprimimos o pronome relativo:

        adequado: o novo procurador é jurista renomado e tem sólida formação acadêmica.

        Ou suprimimos a conjunção, que está a coordenar elementos díspares:

        adequado: o novo procurador é jurista renomado, que tem sólida formação acadêmica.

        Outro exemplo de falso paralelismo com e que:

        inadequado: neste momento, não se devem adotar medidas precipitadas, e que comprometam o andamento de todo o programa.

        Da mesma forma com que corrigimos o exemplo anterior aqui podemos ou suprimir a conjunção:

        adequado: Neste momento, não se devem adotar medidas precipitadas, que comprometam o andamento de todo o programa.

        Ou estabelecer forma paralela coordenando orações adjetivas, recorrendo ao pronome relativo que e ao verbo ser:

        adequado: Neste momento, não se devem adotar medidas que sejam precipitadas e que comprometam o andamento de todo o programa.

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm

5 dicas importantes para quem escreve

 Algumas reflexões

Ao redigir um texto, considere a relação entre os parágrafos, as conexões entre as unidades e como elas se entrelaçam para compor o todo. A Revisão é uma etapa crucial nesse processo: o afastamento do texto por alguns momentos ou dias e a retomada para uma leitura posterior revelam nuances que podem passar despercebidas. Assim,

As escolhas vocabulares carregam ideologias e, por isso, é vital ponderá-las. Evite termos com teor absoluto, que possam restringir a amplitude das afirmações. Lembre-se de que, mesmo em textos científicos, valorizam-se a simplicidade na linguagem e a clareza na exposição. Primeiramente,

Esteja você redigindo um texto mais genérico ou acadêmico, a estrutura clássica de introdução, desenvolvimento e conclusão é uma aliada poderosa para organizar ideias e facilitar a compreensão do leitor. Além disso, evite jargões ou vocábulos obsoletos. Opte, portanto, por uma linguagem acessível e relevante. Prime

Dicas importantes para quem escreve

  1. Organize melhor as suas ideias e atenha-se à progressão dos argumentos de seu texto. Na passagem de um parágrafo para outro, é preciso que as ideias estejam relacionadas, mesmo que você mude o assunto. O seu texto deve ser compreendido como várias unidades que se articulam ao todo e que estão além deste, relacionam-se ao mundo em que vivemos e às nossas práticas sociais. Assim,
  2. Após redigir um texto, lembre-se de revisá-lo. Sugiro que você se afaste dele por alguns minutos, quem sabe dias, e volte a lê-lo posteriormente, para que o seu olhar não vicie. Primeiramente,
  3. Pense em cada uma das suas escolhas vocabulares, cuidado com determinados vocábulos. Evite vocábulos absolutos como “todo”, “sempre”. As suas escolhas vocabulares são ideológicas; é preciso de consciência e de reflexão crítica em relação ao que é dito para alguém ou para um grupo.
  4. Sugiro que textos não literários sejam iniciados com uma breve introdução, desenvolvimento e fechamento. sendo uma abordagem básica amplamente familiar para o público, uma vez que segue a lógica clássica de introdução, desenvolvimento e conclusão.
  5. No caso de textos mais genéricos, evite jargões, vocábulos que estão em desuso, por mais formal que você seja. Mesmo no caso de textos científicos, há um paradigma hoje que busca a simplicidade na escrita, a clareza. Evite períodos muito longos, cansativos e coloque-se no lugar do leitor.
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Lua de sangue (2015)/blood moon, (2015) semptember

Lua de sangue (2015)/blood moon, (2015) semptember

Fui presenteado nesta noite com um eclipse raríssimo da vista da janela do meu apartamento. Enquanto as pessoas do continentes da América do Norte e Sul puderam presenciar o eclipse após o por do sol, quem vive na Europa e Àfrica pode assisti-lo durante o dia (pelo que fiquei sabendo, só seria possível ver o fenômeno até os limites do Oriente Médio).

A partir das 22 e 55h já era possível ver as tonalidades avermelhas da lua. Parece que esse fenômeno só ocorrerá novamente em 2033 (espero estar vivo até lá para vê-lo novamente rsrs). Eu estarei com os meus 47 anos O.o

Olhar para o céu é uma coisa tão impressioanante. Já estive no Deserto do Atacama, onde parece que o céu está mais próximo de nós e as estrelas brilham mais intensamente. (Meu maior sonho é ver a aurora boreal, cheguei a ir para a Islândia, a fim de ter a sorte de presenciar esse fenômeno, mas não deu… :().

Infelizmente, a tonalidade da lua não estava tão vermelha (a intensidade do vermelho está relacionada ao nível de poluição.da Terra: podemos pensar que quanto menos vermelho, maior o índice de poluição).

O site Globo.com trouxe algumas informações interessantes sobre os últimos eclipses, vale a pena conferir:

O fenômeno, conhecido também como superlua, está relacionado à órbita ligeiramente elíptica da Lua: este satélite gira ao redor da Terra, mas ele faz isso em um círculo formando um ovo, que se afasta e está constantemente em nosso planeta.

A última combinação de um eclipse lunar e uma superlua remonta a 1982, segundo a Nasa, e a próxima não ocorrerá antes de 2033. “Toda uma geração nunca viu esse fenômeno”, disse Noah Petro, do projeto Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO) da Nasa.

Os eclipses foram durante muito tempo objeto de interpretações religiosas, mitológicas ou simbólicas. “Ao longo da história, muitas culturas consideraram os eclipses como sinais de tristeza e desgraça”, lembrou à AFP Noah Petro.

Cristóvão Colombo, que tinha um calendário de eclipses, se aproveitou destas crenças para persuadir os habitantes da Jamaica. Para conseguir mais comida, ameaçou os indígenas dizendo que faria a Lua desaparecer durante a noite de 29 de fevereiro de 1504. “Quando os jamaicanos pediram a ele para que a Lua voltasse, pediu mais comida em troca e conseguiu”, contou o cientista.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/09/superlua-e-eclipse-total-ocorrem-ao-mesmo-tempo-na-noite-deste-domingo.html