Somos um povo preguiçoso?

Olá a todos! Compartilho com vocês o texto a seguir, retirado do livro “Preguiça e Trabalho na Era Moderna”, para provocá-los, em relação à busca por uma resposta sobre o título deste post em relação a nós mesmos, à luz de reflexões de uma obra fundamental para pensar a nossa identidade: Macunaíma.

Macunaíma

Em “Macunaíma” Mário de Andrade (2016) não se aventura, em nenhum momento, à pregação moral nem se envereda pela defesa de uma reforma da moralidade do brasileiro – com exceção de uma frase que parece ter-lhe escapado por acidente em um dos prefácios do livro. Podemos considerar que em “Macunaíma” ele se atém ao que pode ser considerada uma descrição de nossa moralidade, sem emitir qualquer juízo de valor. Nesse sentido, sua atitude é claramente orientada por uma disposição compreensiva com relação ao modo de ser do brasileiro – ao contrário da atitude crítica de Lobato.

Entendo que ao se adotar esse ponto de vista obtemos uma vantagem no sentido de interpretar o Brasil. Isso na medida em que a ausência de avaliação moral, adotada por essa perspectiva, permite que nos detenhamos com um certo cuidado na caracterização do próprio personagem. Assim, não se interpõem desde o início um conjunto de valores entre o Brasil que existe e aquilo que se julga que ele deveria ser. Ou seja, o livro de Mário é uma tentativa clara de exercer uma “aceitação sem timidez nem vanglória da entidade nacional” (2016, p. 127) – algo que me parece virtuoso em termos interpretativos. Nesse sentido, o ponto de vista de Mário de Andrade expressa uma tentativa autêntica de se aproximar do país e não de reformá-lo, como pretendia Lobato.

Dessa última perspectiva, sempre se corre o risco de condenar sem a devida compreensão das peculiaridades daquilo com que nos ocupamos. Ou seja, a crítica pode degenerar rapidamente em moralismo e, pior ainda, em uma pregação no deserto, na medida em que não há compatibilidade entre a reforma pretendida e aquilo que já exige e se deseja reformar. Nesse caso, a crítica tende a cair no vazio por absoluta incapacidade de mostrar-se pertinente com aquilo a que se dirige. Nesse caso, ela se converte em indignação e, finalmente, em amargura existencial do crítico impotente. O exercício compreensivo adotado por Mário de Andrade fornece resultados muito superiores e com rapidez, dentro daquilo a que se propõe. Assim, Macunaíma é descrito como “muito safado e sem caráter” (2016, p. 88) e se afirma também que “o brasileiro não tem caráter” (p. 125). Entendo que a constituição de um caráter envolve uma disposição de espírito disciplinar – em um sentido próximo ao que foi estabelecido por Foucault (1988). Com isso quero dizer que o caráter resulta de uma atividade realizada pelo indivíduo sobre si mesmo com o objetivo de promover uma ordem interna e externa. Ela consiste em um empenho por tornar-se diferente do que se é, considerando como ponto de partida um estado original ou natural qualquer – claramente indesejado. O caráter consiste em unificar a psique e o comportamento, de tal forma que as suas respectivas partes expressem os mesmos elementos supostamente superiores. Ele é um processo de integração da personalidade subordinada a valores particulares. O caráter sempre envolve um ordenamento da vida.

Quando esse processo ocorre, ele revela a emergência da “formação da estrutura psíquica necessária para entrar no mundo do trabalho” (SAFATLE, 2012, p. 395), do rendimento e da eficiência. E se existe tal necessidade, então faz sentido falarmos da produção de um ser humano devidamente ajustado para essas funções. Para ser efetiva, essa produção de si necessita aprofundar-se pelo interior do indivíduo de tal forma que só ele pode conduzi-la a termo. Nenhuma autoridade externa pode promovê-lo além de determinados limites. Essa formação equivale à consolidação de um sistema de valores imposto pelo indivíduo sobre si mesmo. Todas as instâncias da vida, sejam elas comportamentais ou psicológicas, devem se submeter e absorver tais elementos dentro de sua própria dimensão particular. Quando isso se completa, temos um caráter consolidado: uma multiplicidade inteiramente subordinada sob determinado valor, uma ordem autoimposta, um indivíduo produzido por si mesmo por meio do exercício de uma disposição dominadora – um sujeito. Essa consolidação ideal do caráter equivale a identificar a vida atual do sujeito com aquilo que ele desejou se tornar. Portanto, ela é uma projeção ideal em que o sujeito se encontra consigo através de um processo de construção ou colonização de si mesmo. Do ponto de vista do indivíduo, o que esse processo visa é “se harmonizar”, “se sentir, ou a se querer uno”. (LE GOFF, 2013, p. 76).

Assim, quando alguém se propõe a ter caráter, podemos falar da disposição para tornar-se um sujeito. Isso na medida em que a subjetividade exige a diferenciação interna entre o que se é e o que se deseja ser, entre um estado atual e um estado desejável. A realização do caráter exige o reconhecimento da diferença inicial entre o que se é e o que se deseja ser e a ultrapassagem posterior da tensão entre esses dois extremos, de tal forma que se estabeleça uma nova ordem totalizadora e unificada sob o domínio de si. Tal ordem não admite exceções, ela é absoluta – pelo menos idealmente. Nesse caso, qualquer fragmentação do sujeito equivale a alguma falha de caráter, a uma incapacidade de tornar-se plenamente uno e a uma fragmentação indesejada. Para Mário de Andrade, Macunaíma “carecia de ter um sentido” já que “não tinha coragem para uma organização” (2016, p. 121) de si mesmo. Daí sua indisposição para a subjetividade, para dar-se um caráter, para impor-se um objetivo que viesse a dominar seu interesse de forma dominante. Observe que todos esses gestos de galvanização da energia existencial são incompatíveis com a preguiça crônica de Macunaíma.

Todos eles envolvem concentração da vontade e eleição de um propósito de longo prazo – portanto, a afirmação de uma temporalidade unívoca. Como ele não tem caráter, também não experimenta a si mesmo como uma subjetividade. Ele é um ser humano plano, sem aquela profundidade requerida pela moralidade que sempre promove o mundo do dever-ser. Essa última exige a realização de uma avaliação que o sujeito faz de si mesmo enquanto institui uma espécie de tribunal interno para julgar-se, visando postular o que deverá se tornar, o sentido do aperfeiçoamento. Ou seja, a moralidade exige um descolamento dentro do sujeito, de tal forma que ele pode tomar-se como objeto de suas próprias avaliações. Sua instituição exige a presença daquele tribunal interior em que ele se avalia com base em algum valor. Ao contrário da vida do sujeito, as disposições de espírito e o comportamento de Macunaíma flutuam leves, sem ter onde amparar-se, sem adquirir consistência – que só os valores fixos do caráter podem promover – e, portanto, sem nenhum desgosto consigo mesmo. A moralidade exige avaliação e essa última implica em insatisfação com aquilo que se é, em uma fratura dentro do indivíduo – ou em fratura subjetiva. Assim, não é de se estranhar que Macunaíma passe rapidamente de um estado de espírito a outro: “deu uma grande gargalhada e foi seguindo. Mais adiante lembrou que ia indo pra casa zangado e pegou na gritaria outra vez.” (p. 79). Seu humor oscila sem uma direção constante, sem o enrijecimento que o caráter implica. Ele transita de uma disposição extrema a outra rapidamente, muda de direção porque não está comprometido com nada que seja persistente. Essa vida fácil e sem tensões internas conduz a que ele se perceba antes como vítima do seu comportamento do que como um agente responsável.

Pego em flagrante mentira por seu irmão Maanape, Macunaíma responde que “- Não foi por querer não… quis contar o que tinha sucedido pra gente e quando reparei estava mentindo…” (p. 64). Da mesma forma, ele também pôde “deixar a consciência na ilha de Marapatá. Deixou-a bem na ponta dum mandacaru de dez metros, pra não ser comida pelas saúvas.” (p. 20). Realmente, a essa altura e assim protegida, nada pode atingir sua consciência, nem mesmo as picadas das saúvas. Abandonada em um lugar inacessível, ela está blindada contra a ameaça de um juízo negativo acerca de si mesma e, portanto, contra a insatisfação provocada pela fratura da crítica. Sem esse tipo de ancoragem, típica do ordenamento subjetivo, a instabilidade de Macunaíma é tão grande que ele chega ao extremo de interromper atividades prazerosas, como o sexo. De fato, sua preguiça parece ilimitada – até porque limitá-la exigiria algum traço de caráter e de consolidação da vontade. Por isso Ci, sua amada, reclama: “a gente está brincando e você pára no meio!” (p. 13). Macunaíma é um herói interrompido na medida em que sua preguiça é uma força permanente de inanição, de abandono de si mesmo, de deixar-se ser como se é de maneira instantânea. Inanição que exerce sua força letárgica mesmo em ocasiões em que se trata de obter uma dose maior de prazer – como no episódio do sexo com Ci.

A preguiça de Macunaíma pode ser considerada uma modalidade de negação do Utilitarismo, já que esse supõe que o prazer é algo que todos os seres humanos buscam ampliar sempre (STUART MILL, 1971). Daqui podemos obter uma dimensão aproximada do significado metafísico da preguiça brasileira. Se trata de blindar o ser humano contra todo tipo de necessidade, mesmo aquela ligada à ampliação do prazer que se considera geralmente como universal e próprio da espécie humana. Entre a indolência e a ação que busca a ampliação do prazer, Macunaíma opta pela primeira. Sequer o prazer se torna aqui um objeto digno da mobilização de sua vontade. Pelo que foi dito acima, parece óbvio que Macunaíma também é amoral, já que não faz concessão a princípios superiores. Daí a cena do estupro de Ci ser narrada por Mário sem qualquer conotação moralizante. Trata-se de uma ação descrita de maneira inconsequente, sem envolver nenhuma avaliação. Os irmãos de Macunaíma o auxiliam a imobilizar e estuprar Ci, tornando-o, pela posse violenta, o “novo Imperador do Mato-Virgem” (2016, p. 11). Na verdade, essa amoralidade não constitui uma novidade, se entendemos o significado pleno daquela ausência de fratura interna – bloqueada pela preguiça. A condenação de um ato só pode ser exercida através de um deslocamento de perspectiva que torna a avaliação possível. Nela, o sujeito afasta-se de si mesmo, torna-se crítico. Sem aquela fissura interna, não há avaliação, crítica ou moralidade. Por isso, todo preguiçoso autêntico não possui caráter, nem no sentido psicológico, nem no sentido moral do termo. De seu próprio ponto de vista, os eventos que realiza não se conectam de tal forma que uns impliquem os demais ou se liguem à sua intenção como atos de um sujeito. Daí emerge a noção de inconsequência e, portanto, de irresponsabilidade. Observe que, nesse caso, a irresponsabilidade é a fonte da amoralidade e não da imoralidade na medida em que ela rompe os elos que em geral supomos existirem entre a intenção do agente e seus atos.

SILVEIRA, Pedro Ronie Alexsandro Teles da. Preguiça brasileira e perfeição. 3 Macunaíma. In: SILVEIRA, Ronie Alexsandro Teles da (Orgs.). A preguiça e a filosofia. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2019.

Mendeley para pesquisadores: as (des)vantagens da plataforma

A plataforma Mendeley é um software de gerenciamento de referências e colaboração acadêmica desenvolvido pela Elsevier, uma editora líder em publicações científicas. O Mendeley oferece uma variedade de recursos projetados para ajudar pesquisadores, estudantes e profissionais acadêmicos a organizar, armazenar, compartilhar e colaborar em suas atividades de pesquisa. Primeiramente,

Principais recursos e funcionalidades do Mendeley

  1. Gerenciamento de Referências: o Mendeley permite importar e organizar referências bibliográficas de diversos formatos, incluindo artigos, livros, patentes e outros tipos de publicações. Os usuários podem adicionar metadados, tags e anotações para facilitar a busca e recuperação de informações. Assim,

  2. Biblioteca Pessoal: os usuários podem criar suas próprias bibliotecas pessoais, onde podem armazenar e categorizar referências de acordo com suas áreas de pesquisa.

  3. Citações e Bibliografia: o Mendeley simplifica o processo de citação e formatação da bibliografia em documentos acadêmicos, automatizando a inserção de citações em diferentes estilos de formatação, como APA, MLA, Chicago, entre outros. Assim,

  4. PDFs e Anotações: o software permite a importação de documentos em formato PDF, que podem ser lidos, destacados e anotados diretamente na plataforma. As anotações e destaques são sincronizados entre dispositivos. Em primeiro lugar

  5. Colaboração: o Mendeley possibilita a criação de grupos de pesquisa e colaboração, permitindo que membros compartilhem referências, documentos e notas, além de discutir tópicos relevantes.

  6. Descoberta de Conteúdo: o Mendeley possui recursos de descoberta de conteúdo que recomendam artigos e publicações com base nas áreas de interesse do usuário e nas atividades de pesquisa anteriores. Assim,

  7. Integração com Word e Outros Editores: o Mendeley oferece plugins que permitem aos usuários inserir citações e bibliografias diretamente em documentos do Microsoft Word e outros editores de texto. Assim,

  8. Acesso em Nuvem e Sincronização: o Mendeley oferece armazenamento em nuvem para que os usuários possam acessar suas bibliotecas e documentos em diferentes dispositivos. As mudanças feitas em um dispositivo são automaticamente sincronizadas com os demais.

  9. Compatibilidade Plataforma: O Mendeley é acessível em diferentes plataformas, incluindo desktop (Windows, macOS, Linux), web e dispositivos móveis (iOS e Android).

  10. Rede Acadêmica: O Mendeley possui uma rede social acadêmica integrada, permitindo que pesquisadores se conectem com colegas, compartilhem suas atividades de pesquisa e descubram trabalhos de outros membros. Assim,

Vale a pena utilizar a plataforma Mendeley para organizar a seção de referências de dissertações de mestrado e teses de doutorado? Pr imeiramente,

Aspectos Positivos

  1. Organização Eficiente: o Mendeley oferece uma maneira eficaz de organizar referências bibliográficas, facilitando a categorização por tópicos, tags e pastas.

  2. Gerenciamento de PDFs: a capacidade de armazenar e anotar PDFs dentro da plataforma é útil para manter todas as informações relacionadas a um trabalho acadêmico em um só lugar. Assim,

  3. Sincronização e Acesso Móvel: a sincronização em nuvem permite que os usuários acessem suas bibliotecas e documentos em vários dispositivos, incluindo smartphones e tablets. Assim,

  4. Colaboração: para projetos de pesquisa colaborativos, o Mendeley facilita o compartilhamento de referências, anotações e documentos entre membros da equipe.

  5. Inserção Automática de Citações: a integração com editores de texto como o Microsoft Word agiliza o processo de inserção de citações e formatação da bibliografia.

  6. Descoberta de Conteúdo: recursos de recomendação podem ajudar os pesquisadores a descobrir novos trabalhos relevantes para suas áreas de interesse. Assim,

  7. Rede Acadêmica: a capacidade de se conectar com outros pesquisadores e acadêmicos na rede Mendeley pode levar a colaborações e interações valiosas.

Limitações

  1. Precisão Automática: às vezes, a função de inserção automática de citações pode cometer erros na formatação, exigindo revisão manual. Nesse sentido,

  2. Estilos de Formatação Limitados: embora o Mendeley ofereça vários estilos de citação, pode haver casos em que um estilo específico não esteja disponível.

  3. Customização Restrita: a personalização da formatação das referências pode ser limitada, o que pode ser um problema para trabalhos que exigem estilos de citação menos comuns. Primeiramente,

  4. Dependência da Conexão com a Internet: para acessar sua biblioteca e documentos, é necessário estar conectado à internet, o que pode ser inconveniente em algumas situações. Assim,

  5. Dificuldade em Lidar com Conteúdo Multimídia: embora seja possível adicionar links a conteúdo multimídia, o Mendeley é mais voltado para documentos em formato PDF e pode não ser tão eficaz para outros tipos de referências.

  6. Limitações na Versão Gratuita: a versão gratuita do Mendeley tem algumas limitações em termos de armazenamento em nuvem e recursos avançados. A versão premium oferece mais espaço e funcionalidades. Em primeiro lugar,

  7. Dependência da Integração com Editores de Texto: a eficiência na inserção de citações depende da qualidade da integração com editores de texto e, em alguns casos, problemas podem ocorrer. Primeiramente,

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Embora o Mendeley seja uma ferramenta incrível para gerenciar referências e aprimorar a organização da pesquisa, é essencial reconhecer que sua eficácia é maximizada quando aliada à Revisão de um profissional experiente. A Revisão de Texto (Revisão Ortográfica e Gramatical, e Revisão Crítica) e Conferência de Normas (conforme ABNT, APA, Chicago ou outro manual) não apenas garantem a precisão e a consistência do texto, mas que haja clareza, e que a ontologia e a epistemologia da pesquisa se articulem à linguagem da dissertação ou tese.

Solicite orçamento para Revisão e Formatação de seu trabalho acadêmico: servicos@criteriorevisao.com.br e andersonhander@gmail.com

Whatsapp: (61) 99801-6596.

 

 

Filosofia de pesquisa e paradigma de pesquisa

Diferença entre filosofia de pesquisa e paradigma de pesquisa

A filosofia da pesquisa e o paradigma de pesquisa referem-se à natureza do conhecimento que você procura ou espera obter ao realizar seu estudo, em outras palavras, sua filosofia reflete que tipo de conhecimento e discernimento você acredita poder obter realisticamente ao realizar sua pesquisa. Por exemplo, você pode esperar encontrar uma resposta realmente concreta para sua pergunta (ou problema) de pesquisa, ou pode antecipar que as coisas serão um pouco mais novas e difíceis de calcular e medir. Em outras palavras, é sobre se você espera respostas “definitivas e diretas” ou respostas mais “suaves e opacas”.

Qual é a diferença entre filosofia de pesquisa e paradigma de pesquisa, então? As respostas são variáveis. Diferentes livros didáticos apresentarão diferentes definições, alguns dirão que a filosofia se trata do pesquisador em si, enquanto o paradigma trata da abordagem ao estudo, outros usarão os dois termos de forma intercambiável, e outros dirão que a filosofia da pesquisa constitui a categoria de nível superior e os paradigmas, as combinações pré-embaladas de suposições e expectativas filosóficas.

Como qualquer coisa relacionada à pesquisa, há muitas abordagens diferentes, cada uma com sua própria perspectiva sobre a natureza da realidade e o que pode ser mensurado em termos de conhecimento. Para resumir, apresento, neste texto, o positivismo, o interpretativismo e o pragmatismo.

Positivismo, Interpretativismo e Pragmatismo

Considero o positivismo, interpretativismo e pragmatismo os três grandes paradigmas de pesquisa. Compreendê-los é um sólido ponto de partida e, na maioria dos casos, senão em todos, para pensar a pesquisa científica.

Positivismo

Assenta-se na concepção de que o conhecimento pode ser obtido por meio de observações e medições objetivas. Em outras palavras, o positivismo assume que as respostas podem ser encontradas por meio da medição cuidadosa e da análise de dados, particularmente dados numéricos.

Como paradigma de pesquisa, o positivismo normalmente se manifesta em metodologias que utilizam dados quantitativos e, muitas vezes, adotam designs de pesquisa experimentais ou quase-experimentais. O foco geralmente está em investigar relações causais e alcançar objetividade, generalização e replicabilidade dos resultados.

Por exemplo, imagine que você deseja investigar a relação entre um determinado suplemento dietético e a perda de peso. Nesse caso, você poderia projetar um ensaio clínico randomizado, em que os participantes são divididos em um grupo de controle e um grupo de intervenção. Você mediria o peso de cada participante antes e depois do estudo e usaria várias análises quantitativas para avaliar se há uma diferença estatisticamente significativa na perda de peso entre os dois grupos.

Interpretativismo

Por outro lado, o interpretativismo assume que a realidade é socialmente construída, ou seja, é subjetiva e construída pelo observador por meio de sua experiência. Como paradigma de pesquisa, o interpretativismo geralmente é adotado em estudos que buscam entender os significados e interpretações que as pessoas atribuem às suas experiências.

Esses estudos costumam adotar metodologias qualitativas, como entrevistas, observações e análise textual. Eles exploram fenômenos sociais complexos e perspectivas individuais, que naturalmente são mais subjetivas e matizadas.

o interpretativismo se situaria mais ou menos no extremo oposto do positivismo. Basicamente, o paradigma interpretativismo assume a posição de que a realidade é construída socialmente, em outras palavras, que a realidade é subjetiva e é construída pelo observador por meio de sua experiência em relação a ela, em oposição a ser independente do observador, que é o que o positivismo assume. O paradigma interpretativo é geralmente adotado em estudos nos quais os objetivos da pesquisa envolvem tentar entender os significados e interpretações que as pessoas atribuem às suas experiências. Como resultado, esses estudos, geralmente, adotam uma metodologia mais qualitativa, confiando em métodos de coleta de dados, como entrevistas, observações e análise textual. Esses tipos de estudos geralmente exploram fenômenos sociais complexos e perspectivas individuais, que naturalmente são mais subjetivas e matizadas.

Por exemplo, se você estiver interessado em entender as experiências de indivíduos que sofrem de dor crônica, poderia conduzir entrevistas detalhadas com um grupo de participantes, fazendo perguntas abertas sobre sua dor, suas estratégias de enfrentamento e sua experiência geral de viver com dor. Você transcreveria essas entrevistas e analisaria os textos, talvez usando análise temática, para identificar temas e padrões recorrentes nas respostas.

Pragmatismo

O pragmatismo, como o nome sugere, adota uma abordagem mais prática e flexível, focando na utilidade e aplicabilidade das descobertas da pesquisa em vez de adotar uma posição filosófica mais concreta. Isso permite ao pesquisador explorar objetivos de pesquisa que cruzam fronteiras filosóficas, utilizando diferentes perspectivas e aspectos do estudo.

Em termos de metodologia, o pragmatismo pode envolver uma abordagem de métodos mistos, combinando dados quantitativos e qualitativos, dependendo das perguntas de pesquisa e do contexto do estudo. O pesquisador pragmático adota uma mentalidade de solução de problemas, buscando maneiras práticas de alcançar diversos objetivos de pesquisa.

Por exemplo, suponha que você queira investigar o desempenho de um novo método de ensino em termos de melhoria do engajamento dos alunos e dos resultados de aprendizagem. Nesse caso, você poderia adotar uma abordagem de métodos mistos, utilizando tanto dados quantitativos, como resultados de testes padronizados, quanto dados qualitativos, como entrevistas com os alunos. Isso permitiria uma compreensão abrangente do impacto do método de ensino, indo além das métricas puramente quantitativas.

Como escolher o paradigma de pesquisa?

A escolha do paradigma de pesquisa pode parecer um tanto complexa, mas deve-se revelar com base no seu olhar de pesquisador como cientista (em sua área), combinado com a natureza dos objetivos e questionamentos da pesquisa.

Você precisa tomar consciência dos paradigmas que estão vinculados ao seu programa de pós-graduação, às pesquisas de seu orientador e de cada tronco de sua ciência. E, por outro lado, ter uma visão geral sobre o que é ciência e os diversos paradigmas científicos utilizados em pesquisa. Em vez de você pensar nessa escolha, faz mais sentido orientá-la conforme o que você observa ou (des)constroi ao longo da pesquisa, dependendo do planejamento metodológico desta, considerando-se, obviamente, mas não se limitando, os paradigmas de sua própria área, de seu orientador e programa de pós-graduação.