A origem
Trabalho profissionalmente com Revisão de Textos desde 2006, época em que se compreendia o ofício quase exclusivamente como sinônimo de correção ortográfica e gramatical. Naquele contexto, o termo Revisão Crítica ainda não existia na internet brasileira, tampouco se falava em Revisão em perspectiva crítico-discursiva. Predominava-se a prática da Copidescagem, termo influenciado pelo mercado editorial e pelo jornalismo, caracterizando-se, grosso modo, como uma forma de edição textual. Assim,
Nesse cenário concebi o termo Revisão Crítica, inicialmente, como uma proposta para nomear uma prática que eu já realizava, mas que ainda carecia de reconhecimento na área (na verdade, ainda carece, pois quase nenhum revisor hoje trabalha dessa maneira, embora utilize o termo para convencer clientes). O objetivo era diferenciar um tipo de intervenção textual mais profundo, que compreende o texto como discurso: situado em um determinado período histórico, permeado por determinadas escolhas, não neutro, ou seja, reconhecendo, conscientemente, suas orientações ideológicas, estratégias de argumentação e de (des)construção da verdade. Assim,
Difusão do Conceito na Internet
Durante anos, meu site liderou os rankings do Google para pesquisas sobre Revisão de Textos, o que levou diversos revisores a utilizarem meu site como referência para o mercado. Frequentemente, chegaram a copiar, integralmente, tanto a forma quanto o conteúdo de minhas ofertas, incluindo o conceito de Revisão Crítica.
Influência do Mestrado e da Análise de Discurso Crítica
Após concluir o Mestrado na Universidade de Brasília (UnB), na linha de pesquisa Discurso, Representações Sociais e Texto, incorporei à prática de revisão os princípios teóricos e metodológicos da Análise de Discurso Crítica (ADC). Essa influência transformou minha perspectiva sobre textos, tanto como linguista quanto como Revisor, permitindo uma abordagem mais reflexiva e analítica. Em primeiro lugar,
Popularização e Adoção do Termo
Comecei a divulgar a oferta do serviço de Revisão Crítica em meus sites, e o conceito acabou se popularizando. Com o tempo, outros revisores passaram a utilizá-lo, copiando, literalmente, a nomenclatura e a descrição que eu havia apresentado.
A influência da Análise de Discurso Crítica (ADC)
Defino a Revisão Crítica como um trabalho que está muito além da simples “correção textual”. Trata-se de uma análise de como o texto constrói sentidos: das escolhas lexicais e sintáticas, da coerência do discurso, dos silenciamentos (do não dito), das ambiguidades e das generalizações naturalizadas. O objetivo não é substituir o autor, tampouco impor concepções de um terceiro (longe de mim…), mas tornar o texto e o autor mais conscientes, em seus efeitos de sentido e na construção de suas argumentações. Assim,
Essa abordagem está relacionada à Análise de Discurso Crítica, que compreende o texto como forma de representar, reproduzir e transformar a realidade social. A Revisão Crítica, nesse sentido, consiste em um processo de desconstrução do texto, permitindo identificar fragilidades nos argumentos, pressupostos e incoerências entre intenção e efeito discursivo.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica dessa prática também foi objeto do meu trabalho final no curso de Especialização em Revisão de Texto do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), intitulado Revisão de Texto: o que é e o que pode ser? Um estudo discursivo crítico. Avaliado pela banca composta por María del Pilar Tobar Acosta e A. C. V. Oliveira, em 2015, o trabalho consolidou, academicamente, a noção de Revisão Crítica como um campo legítimo e necessário para a prática profissional de revisão textual. Assim,
Portanto, a Revisão Crítica (e inclusive suas variações como “leitura crítica”) tem sua origem vinculada à minha experiência prática (vocês vão ter de me engolir, Brasil!), à conceituação que desenvolvi e à reflexão acadêmica que sustentei ao longo dos anos. Primeiramente,
