Mais de cem mil laudas revisadas

Mais de cem mil laudas revisadas

Escrevo este artigo para comemorar com vocês, seguidores e clientes, este marco em minha profissão como Revisor de Textos. Primeiramente, não posso iniciar este texto sem utilizar a palavra GRATIDÃO. Obrigado pela confiança, pelo carinho e pela divulgação de meus serviços. Sempre recebo indicação de algum cliente que já contratou os meus serviços. Além disso, gosto de interagir com os meus clientes e ofereço serviço personalizado, muito diferente de empresas que atuam na área, pagam estagiários para revisar textos de clientes, e não têm verdadeiro compromisso com o texto e com o cliente. Atuam, apenas, para fins econômicos.

 Eu criei o meu primeiro blogue em 2006. E, desde então, eu comecei a crescer por meio da internet. Esse crescimento tomou uma dimensão tão grande em minha vida que eu tive de escolher entre continuar trabalhando como Professor ou me dedicar à Revisão de Textos. Os meus sites totalizam mais de 1 milhão de acesso e o meu canal no Youtube, apesar de ser pequeno, mais de 400 mil visualizações. Escolhi ser Revisor e dar mais atenção aos meus clientes, embora também atue como Professor (mesmo que indiretamente como o caso em que ofereço consultoria). Investi em minha formação, fiz curso de especialização, mestrado, bem como vivi em vários países nos últimos anos. Estive em contato com várias culturas e com várias línguas, o que, com certeza, aguçou bastante a minha percepção e senso crítico.

Muito além da academia, em que desenvolvi pesquisa, aprendi várias teorias, atuei em extensão e em ensino, decidi viver o momento presente e me lançar na espontaneidade, utilizando ferramentas digitais para me conectar com os meus clientes, tratando, por meio de meu canal no Youtube, bem como de meus sites e blogues, de questões cotidianas relacionadas à tríade: texto, discurso e sociedade. Por meio de meu Instagram, tanto o profissional quanto o pessoal, eu compartilho as minhas vivências, para, também, me apresentar aos meus seguidores e clientes como uma pessoa real, do dia a dia, como eles o são.

Cheguei à contagem de mais de 100 mil laudas revisadas no início deste ano de 2019. E eu me orgulho de eu mesmo ter revisado cada uma delas, (mesmo sendo uma pequena empresa), sem explorar ninguém. Também acredito que o meu preço, apesar da qualidade de meus serviços e experiência, é bastante acessível, pois, como disse, comprometo-me socialmente. O dia em que decidi ser Professor coloquei esse princípio para nortear os meus caminhos. Mesmo atuando como Revisor, eu mantenho-me com o mesmo princípio. E assim vou caminhando. Vejo o meu trabalho como uma maneira de ajudar as outras pessoas e, por meio dele, bem como da interação com os meus clientes, aprender e evoluir.

Gosto muito do que faço. E, mesmo depois de tantos anos revisando e formatando textos, com olhar sempre desconfiado a respeito de tudo o que me passa pela frente, tenho fôlego e muita energia (boa) para seguir nesta caminhada.

Levo a sabedoria de que tudo está, de alguma maneira, conectado: texto, discurso, sociedade e sujeito. E que, ao contrário do que muitos pensam, o trabalho nos dignifica, nos engrandece e nos empodera. Ele se concretiza por meio de nossa dedicação, persistência e se revela por meio de nossos sonhos realizados.

Gratidão a todos os meus clientes e seguidores. Nada acontece por acaso e ninguém faz nada sozinho.

 

 

 

Citação de fonte sem autoria conforme ABNT

Citação de fonte sem autoria conforme ABNT

Outro dia um cliente me perguntou como fazer citação de uma obra cujo autor é desconhecido. Compartilho com vocês a explicação.

Primeiramente, acredito que esse tipo de fonte deve ser evitada em textos acadêmicos. É preciso buscar autores clássicos e contemporâneos na própria área de investigação. Há tanto material produzido, por que procurar material sem autoria diante de outras opções?


Prezado cliente, 
 

No corpo do texto (citação)

Arespeito de documento sem autoria conhecida, de publicação periódica referenciada no todo ou dos casos em que a norma recomenda a entrada da referência pelo título, a citação é feita usando-se a primeira palavra do título, em letras maiúsculas, seguida de reticências e data entre parênteses; EXEMPLO Conforme análise feita em CONSERVACIONISTAS… (1980) os ecologistas nacionais estão empenhados no tombamento da referida montanha. No diagnóstico das neoplasias utilizou-se a classificação histológica internacional de tumores dos animais domésticos, segundo o BULLETIN… (1974).  

Nas referências bibliográficas

  Inicia-se pela primeira palavra do título, em caixa alta (todas as letras maiúsculas). EXPERIÊNCIAS de química: técnicas e conceitos. São Paulo: Moderna, 1982. 241p. 
A NBR 6032 traz essa norma. Além disso, você pode consultar o manual de formatação da Júnia Lessa e outros autores, da Universidade Federal de Minas Gerais (é um excelente manual que explica as normas da ABNT. Eu tenho ele impresso e há uma versão online na internet (você pode acompanhar como elas explicam essa norma, p. 137):
Acho que você, também, pode explicar em nota de rodapé, para deixar mais claro o que você quer dizer, e se referir à carta de Caminha, mas deve seguir o que a norma diz para citação e referência ao final, no caso de fonte sem autoria. Entendeu?
Saudações.

O Revisor de Textos como mediador

Já redigi vários artigos em que esclareço que o Revisor de Textos é um mediador, o que desconstroi a imagem desse profissional como um messias ou mal entendidos que o colocam, indevidamente, na posição de autor do texto do cliente.

Recentemente, li um artigo científico muito interessante, em que um dos capítulos trata dessa questão. Trouxe um trecho do texto que julguei pertinente às discussões que trago em meu site, o que corrobora o meu pensamento em relação ao Ofício de Revisão de Texto.

O texto trata, também, de um aspecto mais abrangente da Revisão, relativa à atividade de tradução, mas as reflexões, em parte (retirei os devidos trechos que se aplicam ao que quero dizer), sustentam a minha argumentação.

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O Revisor enquanto mediador

A dificuldade de descrição das tarefas do Revisor de Textos é tanto mais profunda quanto maior for o número de interações que esse profissional tem de estabelecer no exercício da sua atividade. Tais interações podem assumir diversos padrões em função do grau de complexidade dos projetos em que o revisor está envolvido, assim como do número de elementos neles intervenientes (cf. Diagramas 2 e 3 do Guia Prático). É nesse circuito de produção textual (cf. Volochinov, 1990 [1929]) que o revisor tem continuamente de se esforçar por assegurar o seu lugar, definindo estratégias e métodos de trabalho, estabelecendo prioridades perante os condicionalismos a que está sujeito e interagindo sempre com os restantes parceiros, de forma mais ou menos indireta, consoante as ferramentas de trabalho utilizadas, os géneros de texto em causa e as próprias escolhas linguísticas (cf. Bronckart, 2005), que, por vezes, lhe são impostas.

Considerando o circuito mais comum (cf. Diagrama 2a do GP) e recorrendo a uma lógica descendente, isto é, partindo da modalidade em que há um maior grau de interação direta, são de destacar as seguintes modalidades no contexto específico da revisão de textos técnicos traduzidos:

a) o revisor e o(s) texto(s) (original, tradução, revisão);
b) o revisor e os instrumentos de trabalho, que englobam várias categorias, nomeadamente:
i) os instrumentos de normalização linguística;
ii) os materiais de referência fornecidos pelos clientes;
iii) as ferramentas de tradução assistida por computador e de apoio à
revisão;
Doravante, sempre que for feita alguma referência ou remissão para o Guia Prático, será utilizada a sigla GP.
c) o revisor e o cliente intermediário (agência de tradução);
d) o revisor e o tradutor;
e) o revisor e o cliente final.

Esta complexidade estrutural, inerente ao setor de atividade em causa, reflete uma dependência recíproca mas em permanente assimetria (cf. Bota, 2009) entre os vários elementos acima elencados, já que nem todos os participantes do circuito têm o mesmo poder de decisão.

Os aspetos anteriormente focados podem, mais uma vez, ser associados ao caráter dialógico de qualquer produção textual, nos termos enunciados por Volochinov e retomados por Bronckart (1999). Segundo aquele autor, “toda a palavra comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte.” (Volochinov, 1990, p. 117) ou, no contexto em questão, entre clientes, tradutor e revisor. Este, por sua vez, é “ouvinte” ao interpretar as instruções que lhe são fornecidas e torna-se simultaneamente agente de produção textual, logo também “locutor”, no sentido em que contribui para a génese de novos textos na sua língua materna. Durante este intercâmbio, o revisor terá não só de respeitar as intenções comunicativas dos clientes, mas também de manter presente que o texto revisto terá um destinatário final, isto é, um público-alvo, sobre o qual o revisor nem sempre recebe muitas informações.

Por último, há ainda que salientar um outro elemento presente ao longo de todas as fases do processo de revisão, seja qual for o padrão em causa: a linguagem interior do próprio revisor. O revisor tem os seus mecanismos de pensamento individuais e estes também irão ter impacto nas suas práticas de revisão, ou seja, nas suas intervenções no texto. Assim, ao inserir eventuais alterações, o revisor está a agir sobre o texto, ao mesmo tempo que está a agir pela linguagem, o que remete para uma dimensão praxiológica da mesma (cf. Bronckart, 2008). Com base nos respetivos conhecimentos e competências, é a voz da consciência do revisor que vai estabelecer a ponte, isto é, que vai mediar e tentar encontrar o equilíbrio, por exemplo, entre aquilo que é aceitável de acordo com a norma linguística vigente e aquilo que é exigido pelos clientes, já que estas duas dimensões podem nem sempre ser coincidentes.

[…] Tendo em conta os condicionalismos referidos e que serão aprofundados ao longo desta primeira parte do trabalho, facilmente se compreenderá que encontrar o equilíbrio entre as necessidades de todos os intervenientes neste processo é de facto uma tarefa árdua. No entanto, é igualmente verdade que quanto mais diálogo e cooperação existir entre os diversos parceiros do circuito em causa, maior qualidade terá certamente o produto final, ou seja, o próprio texto.

Fidalgo, Marta Filipa Gomes Marques. Guia para Revisores de Texto: uma proposta para o exercício de uma profissão pouco (re)conhecida. “Trabalho de projeto”. Universidade de Lisboa. 2014.