DIFERENTES REVISORES DE TEXTOS

DIFERENTES REVISORES DE TEXTOS

É incontestável o fato de que há vários tipos de revisores de textos, bem como de serviços de revisão. O problema começa com a própria definição desses termos: o que um Revisor de Texto faz e o que é revisão de texto? Na verdade, as concepções (algumas infundadas) que norteiam o universo de Revisão surgem/surgiram com base, muitas vezes, no universo de ensino (relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa) e de jornalismo (especialmente em relação à editoração).

As reflexões do universo acadêmico para a profissão são de grande valia e se assentam em áreas da linguística textual, análise de discurso crítica, análise de discurso, sociolinguística internacional…) que podem resolver muitos mal entendidos para a área.

No entanto, apesar das contribuições da ciência (linguística) para a profissão, e de haver certo consenso em relação às intervenções de um Revisor para o texto de um autor (por exemplo, em relação à gramática, ortografia), é natural que revisores atuem de maneira diferenciada e tenham perfis diversos. Há, inclusive, revisores especializados em áreas específicas. Eu mesmo sou um deles, sou especialista em revisão de textos acadêmicos.

Neste artigo, reúno algumas reflexões e críticas sobre a atuação do Revisor de Texto, sua multiplicidade e os limites da profissão. Trabalho há muitos anos na área, e desenvolvi pesquisa acadêmica nesse ramo, no período em que cursei uma especialização em Revisão de Textos em Brasília-DF.

1. O MESSIAS, DETENTOR ABSOLUTO DA VERDADE SUPREMA

Infelizmente, ainda existe essa imagem de Revisor como alguém que salvará o texto de todos os erros, bem como o próprio cliente, inclusive, de seus problemas (até os psicológicos rsrs). E, infelizmente, vários profissionais sem formação se lançam nessa área dessa maneira, o que é um grande equívoco.

Grande parte dos mal entendidos entre Revisor e cliente ocorre porque essa imagem é manutencionada (por ambas as partes). Desconfiem daqueles que propagam noções absolutas sobre língua. É possível mensurar e quantificar alguns padrões na escrita, especialmente em relação à ortografia e regras gramaticais, mas, muitas vezes, o problema de textos está além dessas questões.

2. ALMA CARIDOSA QUE TRABALHA GRATUITAMENTE

Não conheci, ainda, esse tipo de Revisor, mas ele existe, ao menos no inconsciente de alguns clientes, que desprestigiam o Revisor e a profissão: “é só uma olhadinha”, “vou mandar o texto novamente para você”.

Além disso, há, também, aqueles que acreditam que o preço deve ser negociado a todo o custo ou que o custo do primeiro serviço acordado contemplará várias revisões, até que o cliente acredite que o texto está “perfeito”. Outro dia, recebi um pedido de orçamento de alguém que disse que o texto estava bem escrito ou que já tinha sido revisado e, por essa razão, eu não teria muito trabalho.

3. AUTOR DO TEXTO

Revisor não é autor do texto. Há um limite de intervenção de revisores em textos. Ás vezes, há períodos no texto que precisam ser completados ou que estão esvaziados de sentido e precisam ser repensados para, posteriormente, serem reformulados e reescrito. Esse processo não necessariamente é responsabilidade do Revisor. O trabalho deste se encerra após a entrega do texto revisado.

Alguns autores confundem a atuação do Revisor com a de um escritor fantasma, especialmente para o caso de trabalhos acadêmicos. E isso é um problema sério. Há tantos mal entendidos. Revisores não são autores. Alguns clientes, na verdade, não gostam que haja intervenção além de questões ortográficas ou gramaticais.

Mesmo que o Revisor possa trazer alguma crítica ao texto ou tentar reescrevê-lo, sem modificar o conteúdo, para deixá-lo mais fluído, é preciso verificar o que foi acordado com o cliente e o que o Revisor oferece, que tipo de revisão para que não haja mal entendidos.

Se, por um lado, há quem acredite nesse tipo de Revisor, por outro, há os revisores que, também, assumem esse papel. Alguns, às vezes, de maneira extrema, outros, pela própria necessidade da profissão ou exigência de clientes. O problema dessa atuação surge quando há questões ilegais envolvidas nesse processo, como o caso de pessoas que desenvolvem trabalhos acadêmicos ou de clientes que associam, automaticamente, revisão de texto com essa atividade ilegal.

O Revisor pode até intervir um pouco mais no texto do cliente, por exemplo, reformulando períodos mal elaborados ou no próprio estilo do autor, para deixar o texto mais elegante ou adequá-lo a determinado gênero, mas, JAMAIS, deve alterar o sentido. Ele pode, no entanto, trazer reflexões, comentários, fazer uma crítica ao texto do autor.

4. REVISOR TRADUTOR

Constantemente, recebo convites para traduzir textos. Não vejo problema nesses convites, mas eu não sou tradutor. Ás vezes, recebo alguns pedidos aleatórios para desenvolver atividades que não se referem ao que eu faço ou que eu sequer mencionei em meu site. E isso revela os mal entendidos que existem sobre revisão de texto hoje. Alguns revisores chegam a se aventurar pelos caminhos da tradução.

Mas que fique claro: revisores não são tradutores e o serviço de revisão não contempla tradução. Não envie um texto a um Revisor, um trabalhos acadêmico, por exemplo, acreditando que a revisão inclui a elaboração do abstract de seu trabalho, ou seja, tradução.

5. REVISOR DESIGNER GRÁFICO

Revisão de Texto é diferente de formatação e do serviço de um designer. Alguns revisores trabalham com formatação e até trabalham em parceria com designer gráfico. Mas é preciso diferenciar revisão de formatação.

A revisão em si não inclui automaticamente formatação conforme ABNT, por exemplo. Se você enviar um trabalho para um revisor de textos, em que haja muitas imagens, não espere que ele edite as suas imagens e melhore, por exemplo, a qualidade destas ou faça um trabalho de diagramação em seu texto.

6. PSICÓLOGO

Brincadeiras à parte, é comum, durante a prestação dessa oferta de serviço, que revisores interajam com os seus clientes. E esse processo não constitui, necessariamente, uma relação harmônica, pois, de certa maneira, a atuação do Revisor envolve um “mergulhar no outro” e atuação no espaço deste.

Essa relação é muito delicada. Eu prefiro ser bastante claro com todos os meus clientes, desde o início da prestação de meus serviços (e prefiro perder um potencial cliente do que omitir alguma informação a respeito do meu serviço para iludi-lo a respeito de algo que ele espera ou que não seja verdade).

Além disso, quando reviso obras, especialmente biografias, não é incomum o fato de os autores escreverem longos e-mails ou deixarem longas mensagem em meu Whatsapp contanto a história deles, bastante preocupados com o serviço de revisão em si. Somos confessores de histórias, o cliente entrega mais do que o texto a cada um de nós.

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