Professores são Revisores de Texto(s)?

Gosto de pensar que Professores, primeiramente, são Professores. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Obviamente, muitas vezes, esses profissionais são levados a corrigir redações de alunos de escolas, especialmente Professores de Redação, sem, inclusive, serem pagos para isso.

Eu sempre trabalhei como Professor de Redação ou de Gramática (Língua Portuguesa), durante vários anos (geralmente, as escolas brasileiras segmentam a área de Língua Portuguesa em três: (1) Redação; (2) Língua Portuguesa (Gramática e Interpretação de Texto) e (3) Literatura. O item 3, geralmente, surge no Ensino Médio). E posso dizer que iniciei a minha prática como Revisor em sala de aula. No entanto, nunca pensei que essa prática me definisse como Revisor de Texto, especialmente porque existem vários tipos de revisores: alguns mais generalistas, alguns trabalham, apenas, com textos literários, publicitários, textos acadêmicos. E o olhar do Revisor, para cada gênero textual, jamais será o mesmo.

Em alguns casos, como Revisão de Teses de Doutorado e Dissertação de Mestrado, eu acredito que o Revisor precisa, minimamente, de um curso de mestrado, pois algumas peculiaridades do texto acadêmico somente podem ser observadas por aqueles que foram/são pesquisadores.

Portanto, eu defendo a formação na área de Revisão de Texto(s), pois Revisar não significa corrigir, simplesmente, textos de alunos. Esta pode ser uma área de Revisão de Texto, sim. Mas, mesmo ela, exige formação. Afinal, o que é Revisão de Textos? Quais parâmetros o professor utilizará para Revisar os textos de seus alunos? Especialmente diante do excesso de trabalho? E, definitivamente, o curso de Letras, (Língua Portuguesa) Licenciatura, não traz essa formação. Na verdade, a respeito do universo escolar, é mais comum o termo “correção de redação”.

Se as escolas, por exemplo, fizessem uma separação entre o Professor de redação e os ditos corretores de textos, como já observei algumas escolas fazerem (por meio de anúncio em jornal, e eles se referiam, especificamente, ao ofício de Revisão de Textos), talvez, o termo Revisor de Textos escolares pudesse ser mais próspero e significativo, pois haveria maior prestígio e segmentação desse profissional, que não se confundiria, na correria do dia a dia, com o Professor, que, além de preencher diários, corrigir provas, trabalhos, etc., tem de corrigir textos, geralmente em seu tempo livre, em casa, sem ser pago para isso.

Eu não me lembro de ter cursado, na graduação (licenciatura em Letras), nenhuma disciplina relativa a esse ramo de atuação. Na verdade, ouvi, na graduação, muita crítica sobre Revisão de Texto e sobre o Revisor, especialmente de linguistas. O próprio Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) traz o termo “corretor/correção de redação” ao professor. Eu atuei e tive formação, há alguns anos, para revisar os textos do ENEM, e os próprios organizadores do processo, definitivamente, não se referem a esse ramo como Revisão de Texto, mas como correção de redação. Inclusive, eu deixo uma crítica neste texto, à época, ao sistema de correção do ENEM (que é falho), diante de um pagamento quase insignificante por redação para o Professor.

Quando comecei a cursar disciplinas do curso de Tradução, na Universidade de Brasília (UnB), comecei a escutar melhores dizeres sobre o Revisor de Textos. E me senti mais à vontade. No meio acadêmico, na área de linguística, esse profissional não parece ter muito espaço, é, na verdade, bastante criticado. Na verdade, será difícil retirar essa imagem negativa que muitos projetam no Revisor de Texto(s). Ele, ainda, infelizmente, é visto como “o bode expiatório de todas as culpas”. É o que merece pena de morte. Afinal, a culpa de nossos próprios erros nunca é de nós mesmos, mas sempre do outro.

Para piorar a situação, essa profissão não é regulamentada, o que gera vários mal entendidos sobre Revisão de Texto(s). A verdade é que existem vários tipos de Revisores, assim como existem vários tipos de médicos, vários tipos de advogados, cada um para uma área específica. Deve-se procurar, portanto, o profissional específico para cada gênero textual. Não se deve entregar um texto a qualquer um, a qualquer professor, a qualquer “REVIZOR”. Eu, por exemplo, sou Revisor desde 2006, e sou especialista em textos acadêmicos.

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